Elliot Alderson (Rami Malek) em ação: todos seus hacks são frutos da mente do consultor técnico Kor Adana, um ex-hacker.Crédito: USA/ Network

Um papo com o consultor de hacks de 'Mr. Robot'

O ex-hacker Kor Adana conta como é seu papel de simular invasões verossímeis para a série.

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20 Junho 2016, 10:23pm

Elliot Alderson (Rami Malek) em ação: todos seus hacks são frutos da mente do consultor técnico Kor Adana, um ex-hacker.Crédito: USA/ Network

Com exceção de grandes hacks que tiveram como alvos a Sony Pictures e um fórum para entusiastas do fisting, nada chamou mais a atenção para a segurança digital nos últimos tempos do que Mr. Robot, a estonteante série sobre hackers do canal USA Network.

Parte do que torna o programa interessante é mostrar o ato de hackear e não uma versão sexualizada e cheia de números daquilo. E por essas você pode agradecer a Kor Adana, ex-hacker e atual consultor técnico do programa. Ele toma base ataques reais para ajudar a criar o programa e, nesse processo, consegue convencer até os mais teimosos pesquisadores de segurança que a trama é verossímil.

Na noite de hoje, o USA exibirá "Mr. Robot Decoded," especial de uma hora que mostra como a equipe responsável pela série torna seus hacks realistas. Adana não pôde mencionar nada específico sobre o que veremos na segunda temporada, com estréia marcada para 13 de julho, mas disse que ele e o criador da série Sam Esmail tem se inspirado em alguns acontecimentos recentes.

"Parte do meu trabalho é saber o que rola em termos de técnicas de invasões únicas e bacanas. Sempre busco por novos hacks", disse Adana. "Tem muita coisa que queria usar que aparecerá na segunda temporada."

Hacks que passaram pelo seu radar incluem um que permitiu que alguém burlasse uma autenticação de dois passos e invadisse o Twitter do ativista do movimento Black Lives Matter, DeRay McKesson, bem como seu telefone e email.

Com a autenticação de dois passos, caso alguém tente logar em uma conta a partir de um dispositivo desconhecido, o serviço lhe enviará um código secreto para confirmar que é você. No caso de McKesson, alguém conseguiu com que a Verizon alterasse seu SIM para um aparelho de posse do hacker. Como? Basicamente roubando seu telefone e permitindo que acessasse suas outras contas.

"Sam e eu falávamos sobre isso há algumas semanas: se seu SIM pode ser interceptado e seu PIN também por meio de perguntas de segurança, podem invadir você", disse Adana. "É loucura."

Parte do trabalho de Adana é certificar, a duras penas, que as telas e códigos utilizados pelo protagonista da série Elliot Alderson são precisos – em determinado caso, um animador passou sete horas em cima de uma tela que era exibida por apenas um segundo no programa.

Adana diz crer que, ao mostrar hacks como algo mais próximo da realidade, Mr. Robot conseguiu educar um pouquinho as pessoas sobre o que é possível e impossível, aumentando a conscientização em torno do tema por parte dos espectadores da série.

"Acho que há algo em Mr. Robot que é fazer sua parte em educar, já que todos os ataques que mostramos tem base em um fato real", comentou Adana. "Ao ver como funciona um ataque de phishing ou de engenharia social, uma pessoa leiga pode estar aprendendo o que são estas coisas e como funcionam."

Adana não disse se um hack como o ocorrido com McKesson aparecerá na segunda temporada, mas disse que seu trabalho – e as táticas do protagonista do seriado, Elliot Alderson – é tornar o repertório dos personagens mais vasto para impedir que a trama fique repetitiva. Na vida real, hackers usam a mesma brecha diversas vezes contra vários alvos enquanto aquilo funcionar. Na trama, isso é evitado.

"A psique do hacker é fazer as coisas enquanto elas funcionarem", disse Adana. "Mas estamos criando um seriado e é desafiador – fica mais difícil a cada episódio porque não quero repetir um ataque da primeira temporada. Diria que Elliot sempre foi um hacker melhor que eu, mas na segunda temporada ele me superou mesmo."

Tradução: Thiago "Índio" Silva