Goze, mas não jorre

Bruce LaBruce desvenda os mistérios da injaculação, a "arte de gozar pra dentro".

|
jul 23 2012, 3:34pm
Não sei por que, mas de vez em quando, nas primeiras horas da madrugada, a conversa se volta para injaculação. Pelo menos quando estou presente. Talvez tenha a ver com o fato de que nós, injaculadores, secretamente desejamos formar uma comunidade com outros que também pratiquem a técnica antiga e arcana da automanipulação. Falar sobre isso pode ser a única maneira de identificar os colegas da punheta artística. Ou talvez seja só um jeito de fazer um bofe tirar as calças para que você mostre onde fica esse ponto de um milhão de dólares.

O que é exatamente a injaculação para homens? Não, não é o novo perfume da Calvin Klein. É o oposto da ejaculação feminina, claro. Muita gente pode não saber (ou não se interessa em saber) que praticando uma técnica especial de controle muscular, uma mulher pode ejacular com mais força e mais longe que um homem. Por outro lado, um homem pode aprender como se masturbar sem ejacular, liberando o esperma dentro do seu próprio corpo, atingindo assim um orgasmo mais encorpado e menos centrado na genitália. Precisa ser muito homem para assumir a possibilidade de experimentar as mesmas sensações sexuais profundas e potencialmente multi-orgásticas de uma mulher. Na verdade, as implicações psicológicas são o primeiro obstáculo que os homens enfrentam para atingir a injaculação, ou seja, você é mulher suficiente?

Deixando a psicologia de lado, existe uma técnica básica que os homens podem aprender para desenvolver a arte de "gozar para dentro". Faço isso desde a adolescência, então meu estilo pessoal evoluiu durante esses muitos anos de experimentação e refinamento. Não lembro bem como tropecei nessa realização de poder gozar sem sujar o lençol, mas saber que eu podia me masturbar sem deixar nenhuma pista para minha mãe descobrir no dia de lavar a roupa certamente proporcionou um incentivo adicional para continuar praticando esse estranho truque.

Suspeito que muitos homens tenham experimentado uma injaculação involuntária pelo menos uma vez na vida, seja sozinho ou com alguém. Um desses episódios bizarros em que você acha que gozou , mas foi diferente — não saiu nada. Isso porque aquela posição que você estava tentando correspondia com a técnica correta da injaculação. Durante a ejaculação o sêmen passa através da uretra, um tubo que vai da próstata ao pênis. Se você se tocar (e eu sei que você vai) entre o ânus e o escroto — uma terra de ninguém conhecida como períneo — logo antes da ejaculação, você pode sentir a uretra expandida através da qual o sêmen normalmente passaria. Pressionando a área, você pode desviar a porra para outra parte do seu corpo.

É aí que a coisa complica. Onde, precisamente, é esse "ponto de um milhão de dólares" (como ele é chamado nos círculos capitalistas) e como a pressão deve ser aplicada? De acordo com o site JackinWorld.com, uma das muitas fontes da minha pesquisa exaustiva, a pessoa pode usar a "técnica do bloqueio com o dedo", na qual as pontas dos dedos anular e médio ficam sobre o dedo indicador, pressionando firmemente o períneo. Se você é destro, o mais provável é que você esteja se masturbando com a mão direita e aplicando a pressão por baixo das bolas com a esquerda, e vice e versa para os canhotos (a não ser que você seja um desses pervertidos que gostam de bater punheta com a mão oposta só pra parecer que é outra pessoa que está fazendo isso). A ideia é que os dois dedos de cima segurem o dedo indicador no lugar para fechar a uretra. Achei essa técnica desnecessariamente complicada. O dedo indicador e o médio lado a lado fazem o trabalho muito bem.

Quanto a localização do tal ponto, se você colocar os dois dedos atrás das bolas, vai sentir uma área que cede ligeiramente logo acima do ânus quando pressionada, como a moleira na cabeça de um bebê. Esse é o ponto G masculino. O fato de eu não ter encontrado ninguém que saiba explicar o vínculo exato deste ponto adiciona certa mística à história toda, mas acredite em mim, ele está lá. E como o ponto encontra-se entre o músculo pubococcígeo (que conecta o ânus ao escroto) e o final interno do corpo esponjoso (uma longa câmara interna que atravessa todo o comprimento da haste peniana e que incha para criar a ereção), a manipulação do períneo é prazerosa por si mesma.

Mas tudo isso pode ser informação em excesso pra você. A questão agora é, por que injacular? O fato de que isso faz menos sujeira dificilmente é motivação suficiente. Mas considere isso: uma ejaculação, que representa uma colher de sopa de sêmen, contém a mesma quantidade de proteínas, vitaminas, minerais e aminoácidos que quatro refeições completas. Ou 226 gramas de carne, dez ovos, seis laranjas e dois limões. Um homem precisa de uma a três semanas para reabastecer a nutrição exigida para fabricar uma ejaculação saudável que contenha 500 milhões de espermatozoides. Além disso, quando você expele sua porra, os nutrientes restantes são insuficientes para abastecer seus órgãos vitais e sistemas biológicos. É por isso que depois da punheta você pode se sentir sem energia, letárgico e até deprimido. Eles não chamam isso de petit mort (pequena morte) à toa.

E em última análise, a coisa toda pode ter uma conotação espiritual. A injaculação é defendida ferozmente pelo taoismo e pelo tantrismo, como, entre outras coisas, um meio de iluminação espiritual através da liberação sexual tocando sua kundalini, a cobra de fogo na base da sua espinha, energia sexual. Usando a técnica dos dedos mencionada acima, você também pode respirar profundamente e visualizar uma onda de energia subindo pela sua espinha até o topo da cabeça enquanto goza. O movimento de injaculação aponta para cima em direção à imortalidade, eternidade e ao Divino, e não para baixo, através das sete glândulas, esgotando-as, em direção à morte, como na ejaculação.

Ou, você pode pensar nisso como gozar no próprio corpo. Vai lá se foder!

UMA EJACULAÇÃO CONTÉM A MESMA QUANTIDADE DE PROTEÍNAS, VITAMINAS, MINERAIS E AMINO ÁCIDOS QUE 226 GRAMAS DE CARNE, DEZ OVOS, SEIS LARANJAS E DOIS LIMÕES.

Falando nisso, para onde vai a porra quando você injacula? Se você estiver usando a técnica incorretamente pode ter uma ejaculação retrógrada, na qual seu esperma é lançado na bexiga. Isso é ruim, porque você vai acabar mijando todos esses preciosos nutrientes. Se você injacular do jeito certo, seu esperma vai ser magicamente reabsorvido na corrente sanguínea. Há um teste para isso, que eu experimentei quando me masturbei um tempinho atrás. Depois de injacular, urine num copo de vidro. Se a urina estiver turva e opaca, você estragou tudo, se estiver limpa, como a sua consciência, então você está no caminho certo para o nirvana.

A maioria dos médicos ocidentais com quem falei sugeriu cautela na prática da injaculação. Eles dizem que isso pode enfraquecer sua "válvula de urina", fazendo a porra e o mijo se misturarem, ou que isso pode prejudicar seu períneo e sua próstata, revertendo sistemas que deveriam fluir para frente. A medicina oriental, no entanto, afirma que essa inversão de fluxos dos sistemas naturais é muito saudável — é por isso que eles estão sempre de cabeça pra baixo. Aparentemente, não existem evidências claras ligando isso a problemas de saúde, então fica ao seu critério. Mas uma regra de ouro que encontrei aqui é: "Se doer, não faça". Com exceção dos masoquistas.

Se você decidir tentar, lembre-se de que a prática leva à perfeição. Eventualmente, você vai ser capaz de injacular sem precisar usar os dedos, apenas se concentrando, e vai até conseguir fazer isso durante o sexo. É aí que a diversão começa, porque depois de injacular você não vai sentir vontade de chutar seu parceiro ou parceira da cama logo depois da foda. Você vai estar pronto para mais uma rodada.

Ah, e se você estragar tudo e continuar gozando na mão, sugiro que você esfregue tudo na cara. Porque como a Helen Gurley apontou na revista feminina Cosmopolitan nos anos 70, isso dá um ótimo creme facial. Ou não. 

Mais VICE
Canais VICE