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Resenhas

Voodoo Funk é um dos melhores blogs sobre música da net. Frank, o cara por trás dele, coloca anúncios e pôsteres na África fazendo com que as pessoas saibam que ele está procurando por discos.

Equipe VICE

 
 

LAGOS DISCO INFERNO
 

AARON PETA
     
 
 

MULTITUDES
 

THE HOLD STEADY



ELLEN ALLIEN
Dust

BPitch Control
Esse CD vai ser um arraso em boates com serviço de garrafa pessoal com pessoas que querem fantasiar uma noite gloriosa em um comercial de desodo-rante ou bebidas. É só mais uma mulher europeia entediada cantando mais músicas house entediantes.

JORGAN B’JORGEN
 

MULTITUDES
Ontogeny

Independente Os nomes das músicas incluem “( )” e alguma coisa em francês. O primeiro e único traço de vocal aparece depois de meia hora em... Ainda tá por aqui? Não te culpo se você não estiver. Opa, você ainda tá aqui. Legal, porque acho que esse trio de guitarra baixo e bateria é o que a maioria dos grupe-lhos-de-artistas-metidos-a-punks-tocando-pro-gressivo gostariam de ser—algo como o Melt Banana fazendo uma noite de covers do Captain Beefheart e você é quem imagina as letras surreais. Coloque isso pra tocar e você vai ficar de boa tanto dando uns pegas quanto calculando a lei de Ohm pra sua lição de casa mais recente. Você também será um nerd. 

EMMANUEL THUNDERBOLT  
MORCHEEBA
Blood Like Lemonade

PIAS Durante meu primeiro ano chapado, eu realmente curtia o Morcheeba. Nunca me joguei de cabeça nessa cultura de maconheiro, mas, agora, toda vez que ouço a voz sussurrante e misteriosa do trip-hop daquela mina, parece que alguém desenterrou uma foto minha de cavanhaque e camisa de veludo curtindo num quarto cheio de merdas budistas dentro. Não posso nem começar a imaginar quantas pessoas idiotas foram concebidas ao som dessa porcaria. 

MEU AMIGO HORTENSE  

VÁRIOS ARTISTAS
Local Customs: Lone Star Lowlands

Numero Group Essa compilação de grupos de bar de Beaumont, Texas, é um retrato ma-ravilhoso daquela parte dos anos 70 antes do punk ou mesmo o metal pegarem, quando “ser de uma banda” significava que você parecia um lojista cabeludo com uns 30 anos e, nuns sonzinhos meio blues, meio Bread, cantava odes a comprar uma casa/ter um filho/trair sua patroa que soavam como se tivessem sido gravadas numa jam session na qual todo mundo estava sentado nos amplificadores. Se você alguma vez já viu O Lucky Man!, de Lindsay Anderson, você sabe do que estou falando. Eu chamo isso de “Rock da Satisfação”.

LUKE “THE HAND” ANDREWS  
KROKUS
Hoodoo

Sony Krokus, rá! Que toskus! Você sabia que eles venderam 13 milhões de discos? Isso é ridículo. Esses caras são um lixo. 

HOKUS POKUS  
VÁRIOS ARTISTAS
Lagos Disco Inferno

Academy LPs/
Voodoo Funk Voodoo Funk é um dos melhores blogs sobre música da net. Frank, o cara por trás dele, coloca anúncios e pôsteres na África fazendo com que as pessoas saibam que ele está procurando por discos. Ele é o colecionador de discos entre colecionadores de discos. Existem fotos dele e seus amigos usando máscaras para pintura e cavocando armazéns com pilhas de disco transbordando, minerando a bagunça pelo que há de melhor. Ele leva tudo de volta pra Nova York, digitaliza e lança mixes incríveis de música disco africana, soul e rock ’n’ roll. Estive discotecando músicas que peguei dele por anos, e esse é seu primeiro lançamento físico oficial. É a matriz da disco cantada em sotaques locais que deriva em melodias tradicionais africanas, e às vezes incluem flautas delicadas ou letras estranhamente intensas. A produção desse disco é muito mais forte que qualquer produção feita nos mixes que Frank posta no blog. 

CELULON O MAGNÍFICO  
AARON PETA
I’m Not a Hipster

Self-released Ele tem caixas e mais caixas desse CD em casa, e os caras que dividem o apê com ele vivem perguntando por que ele mandou prensar cinco mil cópias desse disco estúpido. “Vai pegar, galera!” Não vai pegar nada. 

FLETCHER FELGER  
SUPERGUIDIS
Superguidis 

Senhor F Discos Se o grupo quer levantar um dinheiro sobrevivendo de música, é bom se fiar na primeira faixa do disco e emplacar o som—de fala mansinha—numa trilha de novela das seis. Essa torpe esperança é o me-lhor caminho. Porque o resto tá pior que ressaca de amarula caseira. O combo rock-de-um-pedal-só com letra de centro acadêmico não convence. O Superguidis tem quatro caras na formação, que começaram a banda numa garagem. Então, que voltem para lá e reinaugurem o espaço com um bazar de instrumentos. 

ZECA EPSTEIN  
CIBELLE
Las Vênus Resort Palace Hotel

Crammed Discs Sabe os discos que vêm com histori-nha? O da Cibelle é assim, trabalhado no conceito. Ela inventou que o mundo acabou e seu repertório foi o que sobrou tocando num hotel barato, frequentado pelos párias que não descolaram uma viagem redentora a Plutão. Tá certa ela. Criou seu barato total e nesse enredo de fritação em Londres, onde ela vive, coube canção com jeito de trilha velho-oeste, musical à Marilyn Monroe e baladona folk. A capa do disco é bem a chave para conectar-se a esse universo... Assim, parece conselho da Baby do Brasil (ex-Consuelo), mas é que a referência cola muito. Cibelle também troca de nome (aqui ela é Sonya Khalecallon), sampleia sons de passarinho e só anda em turma de malucão, no melhor sentido. Entre os que trabalham com moda, Cibelle é rainha. Justo porque principalmente na moda vale costurar os anos 70 com efeito tecnológico da semana passada. “É tudo pesquisa”, vão dizer. Enquanto o resultado estiver amarrado com bom gosto, tá valendo. E ela tem bom olho para isso. Nossos amigos da moda também. 

MARCELINHO, PERFIL LOTADO.  
AVEC SILENZI
Avec Silenzi

Manifesto Discos Já faz alguns anos que a pretensão do assim chamado post-rock cumpre muito bem sua função na sociedade: enxovalhar qualquer traço de decência que qualquer tipo de música instrumental jamais teve pra quilômetros de distância além do final cafona de Lost. Mas é excelente trilha sonora para programas de esporte e/ou de variedades dominicais.

MILLI DIAZ  
PENÍNSULA FERNANDES
Malta
Cloud Chapel Esses dias tinha uma matéria num jornalão falando que não existe som feito por e para quem fuma crack. Tá claro que esse pessoal nunca ouviu Península Fernandes, que deve ser o som perfeito para acompanhar umas pipadas. O som bizarrão e repetitivo lembra aquele cheiro de plástico na hora. Careta já dá vontade de dar pancada com a cabeça na parede. Mas mesmo sem ser um noia, confunde, porque quando você se dá conta já tá tocando uma música que tem um retardado com voz de balão de hélio falando “Península Fernandes é pra relaxar” e você tá fodido achando que tá ouvindo um lance que não tá, mas que na real você tá ouvindo, saca? Concluo que não deve existir nada mais estimulante pra mandar umas pedras que isso desde Relaxa no Crack, aquele funk carioca do “ninja do Mortal Kombat”. Indispensável.

SIMPLÍCIO PEDROSO  
HIERARCHICAL PUNISHMENT/ FORBIDDEN IDEAS/ AGATHOCLES
3 Ways To Destroy The World 

Violent Records Tá cansado de candidato que só fala o que eleitores querem ouvir? Fica com vontade de queimar igreja toda vez que ouve o Papa pregar contra camisinha ou fingir que padre pedófilo é coisa rara? Quer chutar a bunda de cada jornalista que publica mentiras pra lamber as bolas do patrão ou porque é safado mesmo? Se pergunta por que ninguém para o bonde quando um Estado ataca navios com comida e roupa e chamam ativistas pacifistas de terroristas? Antes que você descambe pra paranoia delirante, dá pra extravasar e se sentir menos alienígena nesse mundinho sem vergonha com esse disco, que reúne bandas de metal extremo daqui, como o Hierarchical Punishment e o Forbidden Ideas e os mestres do grind, Agathocles, direto da Bélgica. O barulho pode até não ser a tua praia, mas ninguém aqui vai te tirar de otário. E hoje em dia, amigão, isso é quase tão raro quanto ganhar na loteria.

JOÃO VALENTÃO  
MUKEKA DI RATO/
DEAD FISH

Umbigo/Michel Oghata
Deckdisc Você deve ter ouvido falar por aí que essa gravadora lançou vários “discos importantes do rock brasileiro” em vinil recentemente. Só que saiu tudo a preços abusivos, e fetiche—no caso, o vinil—é pra jacu. Tem tudo em MP3 fácil por aí, se é desse rock que você gosta. Agora, o lançamento mais legal em vinil dessa leva é o compacto split (super punk, UAU!) com duas músicas de cada uma das bandas capixabas. As músicas não são inéditas, mas são raras—como se isso existisse depois do advento da interwebs. 

RICA POINÉ  
MOMBOJÓ
Amigo Do Tempo

Independente Esses caras aqui são a “nova geração de Recife” para os críticos paulistas depois de dez anos, três discos, um flautista morto e um violonista de MPB a menos. Do jeito que as coisas andam, só dizer que eles não são “tipo manguebit” ou “tipo Los Hermanos” já é meio caminho andado. Como eu sou facinho, merece o sorriso. 

FRANCISCO CUEIRO  

ANDREIA DIAS
Vol. 2

Scubidu Records
Cara, a Rita Lee ficou bem melhor agora que ela resolveu esse problema que ela tinha com a música brasileira. Ah, pintou o cabelo de preto também? Ahn?! Não é ela? Cadê meus óculos? 

RICARDITO POINÉ  
NICKI MINAJ
Harajuku R-N-Barbie Mixtape

Self-released Cara, eu amo a Nickj Minaj. Se você ainda não conhece, ela é a rainha em exercício do selo Young Money, do Lil’ Wayne e é citada direto como a futura cara das MCs. Ultimamente tem lançado uma mixtape nova a cada, tipo, dez minutos, então claro que tem um monte de porcaria. A Harajuku R-N-Barbie não é exceção, mas ainda assim vale a pena pra ouvir sua desenvoltura impressionante ao escrever. 

TOP HAMS  
METH, GHOST AND RAE
Wu-Massacre

Def Jam Esses manos são mais consistentes que o tempo. Eles só continuam fazendo a parada deles, e quase nunca erram a mão. Falando nisso: Meth, deixa aquela sequência de Dois Doidões em Harvard na geladeira e continua focado nas coisas do Wu. O mundo não precisa de mais um filme de maco-nheiros. Rae, bom ter você de volta. Ghost, continua que você tá mandando bem. Isso aqui é uma parada firmeza feita por lendas estabelecidas do rap. Você já tá ligado. 

MR. TONY  
AMANAZ
Africa

Now-Again
WITCH
Lazy Bones!!

Now-Again Ei, em vez de bancar um bando de crianças ricas que roubam suas músicas de trabalhadores africanos e depois só acrescentam melodias grudentas e letras espertinhas, que tal garimpar por uma autêntica banda zambiana de rock psicodélico dos anos 70? Quem se importa se soa como música de quinta categoria, tipo um Hawkwind-com-inglês-como-segundo-idioma? Pelo menos não é feita por BRANCOS, né?

A INTERNET  
THE REACTORS
“I Want Sex” 7-inch

Last Laugh Essa é uma reedição do ótimo single de punk nova-iorquino de 1979 que teve uma tiragem inicial de 100 cópias. O original foi vendido por mais de US$ 1.000, então é uma coisa pela qual as pessoas têm esperado. A Killed by Death soltou esse single em uma das suas compilações, mas agora você pode ter um fac-símile do single original, mais limpo que a versão KBD. I Want Sex é aquele som punk clássico que a molecada ama. O lado B é Seduction Center. Acho que os Reactors eram caras hormonudos. 

LABORATORY BOBBY  
THE HOLD STEADY
Heaven Is Whenever

Vagrant Esses caras são o novo Dave Matthews. Mesmo jeito de cantar e tudo. É um country rock pra pessoas sem problemas. 

CONNOR CONDON  
SWEET TALKS
The Kusum Beat

Soundway Esse é um excelente Afrobeat de 1974. Sweet Talks foi uma das bandas mais populares de Gana, e fez música com ritmos africanos rápidos e outros instrumentos que fazem melodias metálicas. Esse disco tem um som mais island-music que a música feita por Fela Kuti, que geralmente é um pouco mais jazz. Se a ideia de 12 ganenses sem camisa pilotando um trem musical faz você sorrir, então dá uma escutada nisso quando tiver um tempo. 

BLETCH BELSON  
DEVO
Something for Everybody

Warner Bros. Eu queria resenhar esse CD, mas é um daqueles discos bloqueados que não tocam no computador, e eu me livrei do meu “discman”, tipo, uma década atrás. Então perguntei pro meu amigo Raff, um fã invete-rado de Devo, o que tinha ouvido falar sobre ele, e ele me disse: “Eu só ouvi clipes das músicas. Eu gosto deFresh, principalmente a parte ‘Cry-y-y-y-y-y-y’ (eles soam como macacos), mas é muito almofadinha. Acho que Watch Us Work é a melhor música que eles já fizeram! Também amo as músicas What We Do e Don’t Shoot. São MUITO DEVO! Pra uns cinquentões, acho que eles ainda têm coisas pra falar. A devolução não vai ser televisionada!”. Valeu, nerd.

MEG SNEED  
TULIPA RUIZ
Efêmera

YB Music Essa tem apreço pela língua portuguesa. Canta o tempo inteiro, não se entrega aos lá-lá-lá-ra-ras e é poética. Tem a voz bonita e a rima não chateia porque é musicada à beça. Lembra aquelas figuras de linguagem que repetem consoante para embalar o texto e pouco a pouco as palavras parecem mais acordes de instrumento. Tulipa Ruiz ainda leva vantagem porque não opera naquele eterno retorno de ficar regravando samba. Bom dizer que, lá pelas tantas, o monte de estrofes atua como outro gume dessa faca e traz à imaginação aqueles programas infanto-juvenis da TV Cultura. Mas tudo bem, põe o shuffle para trabalhar com os outros discos que estamos indicando aqui. Na hora que pingar a Tulipa vai ser gostoso. 

MARINA MACHADO  
ZOLA JESUS
Stridulum

Sacred Bones Fiquei pedindo por uma volta do gótico genuíno por tanto tempo... Algo sem nada de industrial, sem rebites, sem emo... Agora chegou e eu não sei o que fazer comigo mesmo. É como se eu ficasse olhando estaticamente pros meus discos do Vyllies e do Strawberry Switchblade o dia inteiro e eles me dizem, “Acabou, Todd. Já fizemos isso. Agora você tem que encontrar seu próprio caminho, adeus”, e aí eles ficam em silêncio e estou, mais uma vez, sozinho. E nerd. 

TODD PICKALINO  
MV BILL
Causa e Efeito 

Chapa Preta Discos Sabe o estereótipo do preto tipo A? Então: o MV Bill encarna de cabo a rabo essa parada. É bem-sucedido e não aos moldes conto-da-carochinha-da-bonança via EUA, e sim para um cara nascido numa favela carioca, a mulherada se derrete na do cara, a ideia dele é certeira e articulada, representa geral sem sangue de barata e o som ainda tá num pé que dá pra colocar em festinha e não espantar as gatas. É aquilo, o som não é quente como filme da Monica Matos, mas tem o charme e a chapa quente de um pornô amador bem-feito. Se o álbum fosse um EP, daria conta de dizer tudo que ele precisa e bem. Ele tem a manha de, apesar da bronca sempre presente nas letras, sonhar com auto-estima, amor e uma solução que contemple inclusive a voz de quem sempre azedou o rolê de um cara vindo da Cidade de Deus. Ter o soul brega de um Silveira, o maloqueiro das multidões Chorão e o Chuck D, encerra tudo isso muito bem. Se Elvis é só mais um branco caipira racista, Bill também quer escritório na praia. Tipo isso. Na real esse disco é meio o auge e o esgotamento dessa fórmula do MC consciente, que tem no palco seu “púlpito” pra “traficar informação”: foda de legal ver um cara com o papo reto mais certo na pista, mas tem uma seleção na área que chama mais minha atenção, como uns figuras tipo Emicida, Rincón Sapiência e Costa a Costa. 

JOÃO VALENTÃO  
MC SABRINA
Super Poderosa 

Mano Music Há um fosso onde moram tanto o romantismo besta dos neo-sertanejos quanto os corais gospel de igreja evangélica, a música dançante de beats frouxos e de trato duvidoso e o pop radiofônico estilo Wanessa e Sandy. Saca essa pilha de Brasil profundo, blábláblá? Pois é, vou te falar que eu gosto de chafurdar nessa lama, viu? De tempos em tempos pinta um Sampa Crew, um Claudinho e Buchecha ou um MC Leozinho e faz tudo fazer sentido, caio nessa folia e até passo a prestar atenção em rádio. A MC Sabrina, que só com as fotos dela no disco já faz a cobra subir—e o design gráfico dá aquela vergonhinha—, lançou esse disco que, se tem momentos ruins onde parece uma Kelly Key um pouco mais sagaz, nos melhores sons, cheio de uma marra “sou gostosa pra caralho e sei disso”, ela, além de fazer as meninas quererem ser como ela e deixar os homens na fissura, faz a gente se perguntar por que não viram mais gatas apavorando como ela. Se não são só as bibas que curtem esse lance de cantoras divas, que todas sejam como a Sabrina, que num dos melhores sons grita e sussurra “Eu Sou Foda” com um tamborzão de fundo, fazendo as gatas se sentirem “super poderosas” e os homens respondendo babando “sim, você é foda, muito foda” e virando os olhinhos. Apaixonei. 

BRÁULIO POLLUSÃO  
MUZZARELAS
We Rock You Suck!

Läjä Records &