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Abuso Policial e Ditadura se Encontram em 'Orestes'

Híbrido entre ficção e documentário, Orestes estreia hoje em SP com depoimentos horríveis sobre extermínio e tortura.

por Débora Lopes
17 Abril 2015, 4:30pm

Foto: divulgação

A brutalidade da polícia atual e o horror das torturas e mortes na época da ditadura se encontram em Orestes. O híbrido entre documentário e ficção assinado por Rodrigo Siqueira estreia em São Paulo hoje (17) dentro da programação do É Tudo Verdade, no qual é forte concorrente ao prêmio principal. Em 2013, a VICE chegou a participar das filmagens.

O filme é dividido em duas partes. Na segunda, surge a história de Orestes. Antes, depoimentos relacionados à violência são dados por entrevistados reais. Todos trazem histórias densas: pais cujos filhos foram assassinados pela polícia militar, um homem torturado durante os anos de chumbo, uma filha de guerrilheiros (Ñasaindy de Araújo, que entrevistamos recentemente), uma enfermeira acostumada a atender vítimas de violência e uma militante a favor da pena de morte.

Foto: divulgação

As primeiras exibições aconteceram nesta semana, no Rio de Janeiro. "Uma senhora se aproximou de mim chorando e falou 'Eu só quero te dar um abraço apertado'", relata o diretor, elogiado pela obra anterior, Terra Deu, Terra Come (2010). "Eu ainda estou descobrindo como o filme vai bater nas pessoas."

Foto: divulgação

Estrangulado. É assim que o protagonista mata seu pai, um ex-militar infiltrado entre esquerdistas durante a ditadura brasileira. O parricídio nada mais é do que vingança. Quando criança, Orestes viu o progenitor assassinar sua mãe, uma guerrilheira. Ainda assim, ele é um protagonista que não aparece. Nunca. Não há um ator que o interprete. Não existe encenação. Sua dramática história é contada através de um júri simulado, em que promotor e advogado de defesa discutem o caso. Orestes está na mente de quem assiste `a sua história ser relatada através dos fatos.

"O DNA desse filme tem uma mistura de realidade e ficção muito orgânica", explica Rodrigo, que está mergulhado no projeto desde 2009. O diretor fala em "algumas inquietações de linguagem". Elas realmente acontecem: seja na veracidade e nas lágrimas dos personagens (Coutinho ficaria feliz), seja nas câmeras que – mais preocupadas com as emoções do que o enquadramento – tremem deliberadamente. E provocam uma experiência audiovisual instigante, pesada. Como uma tragédia grega. Só que real.

Para mais informações sobre a estreia do filme em São Paulo, veja o evento no Facebook.

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