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Retratos de Singapura

Pedimos a quatro fotógrafos de Singapura para contribuir com imagens e declarações sobre a cultura jovem e como eles evitam ser açoitados por cair na balada.

por Elizabeth Renstrom
03 Novembro 2015, 3:30pm

Singapura está comemorando seu Jubileu Dourado, o aniversário de 50 anos do status do país como república independente. Desde sua fundação em 1965, a cidade-estado cresceu de um pequeno porto comercial para uma potência econômica. O lugar é famoso por suas leis rigorosas – mascar chiclete é proibido, por exemplo, e em 1994 o estudante norte-americano Michael Fay foi açoitado por vandalismo – assim como pela limpeza e riqueza.

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Para saber mais sobre o lugar, pedi a quatro fotógrafos de Singapura para contribuir com imagens e declarações sobre a cultura jovem e como eles evitam ser açoitados por cair na balada.

Alex Thebez é um artista de GIF indonésio e fotógrafo que vive atualmente em Nova York. Ele é parte dos grupos TAGTAGTAG e GIFRIENDS.

Me mudei de Jacarta, Indonésia, para Singapura depois das revoltas de 1998. Nossa família visitava Singapura com frequência, já que a cidade é um destino turístico popular na região. Diferente da maior parte do Sudeste Asiático, Singapura era estável e moderna.

Me tornei morador de Singapura meio que a contragosto. Meus pais decidiram que eu devia frequentar a escola num país que não tentassem nos matar a cada 20 anos. A maior parte da ação em Singapura acontece à noite. Bebemos muito (principalmente cerveja, destilados são muito caros), saímos muito (só bandas como o Hoobastank tocam aqui, mas vi o Linkin Park uma vez) e jogamos coisas como DOTA em lan houses, mesmo eu não sendo tão bom nisso.

Uma casa que não é realmente minha casa, Singapura continua sendo um lugar querido para mim. Entre o bom e o ruim, a cidade-estado, mesmo com todos os seus problemas, me permitia andar pelas ruas à noite sem me preocupar. Fiz amigos que me falaram sobre Descartes, fui a shows punk com skinheads malaios e vomitei um monte dentro de um táxi uma vez.

Abaixo você vê mais fotos de Singapura. Também pedi a alguns dos meus amigos mais próximos da cidade para escreverem como foi crescer em Singapura.

Marilyn Yun Jin é uma fotógrafa e designer que mora em Singapura. Ela parte do Knuckles & Notch.

Crescer em Singapura nos anos 90 e começo dos 2000 foi um luxo e um privilégio. Eu adorava os filmes de Hong Kong, cultura japonesa e a MTV. Cultura jovem [nativa de] Singapura era algo que quase não existia na época.

Passei minha adolescência saindo com todo tipo de pessoas, tendo panelinhas de amigos diferentes, investindo pesado em relacionamentos que nunca davam certo, tocando em bandas, indo a shows e enchendo a cara nas quartas e finais de semana. Experimentando de tudo menos drogas (a pena capital para drogas em Singapura é pesadíssima).

Dilys Ng é uma artista e curadora de Singapura trabalhando com fotografia, instalação e publicações. Ela também é fundadora e editora da Galavant Magazine.

Crescer em Singapura foi quase como crescer num shopping center. Tudo era limpo, conveniente e caro, e você olhava pela janela de vidro da sua bolha com ar-condicionado e experimentava as coisas e longe. Passei a maior parte da minha adolescência na noite de Singapura.

As pessoas gostam de falar sobre política e nostalgia na fila para comer o melhor Nasi Lemak da cidade. Elas conversam sobre dinheiro, as notas que os filhos tiram na escola e como nunca vão mudar deste país.

Chang Ming é uma fotógrafa de Singapura que também comanda o Nope Fun.

Sendo uma sociedade coletivista, há muita pressão para se encaixar em Singapura: pressão para tirar notas altas, conseguir um emprego "de respeito", fazer muito dinheiro, arranjar um bom parceiro e assim por diante. O sucesso é medido numa rota bem planejada, uma rota marcada pelo materialismo.

Crescer na Singapura pós-colonial também significa que fui (e ainda sou) exposta a muitas ideias ocidentais, ao mesmo tempo vivendo numa mistura de culturas orientais. Sem dúvida essa criação pode ser uma vantagem na paisagem globalizada de hoje, mas também acho que isso fratura o senso de identidade do indivíduo e cria um dilema cultural na sociedade como um todo: Que cultura posso afirmar ser a minha? A que lugar realmente pertenço?