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Animador passa meses recriando 'This Is America' num computador antigo

“Não sei dançar, mas pelo menos sei fazer uma animação que dança.”

por Beckett Mufson; Traduzido por Marina Schnoor
16 Julho 2018, 10:00am

Imagem cortesia de Pinot Ichwandardi.

Esse vídeo hipnótico para “This Is America” do Donald Glover, criado num Macintosh antigo, é a melhor coisa que você vai ver hoje.

Mesmo com tecnologia de ponta, animação é um processo insanamente demorado. Longas como Ilha dos Cachorros e Os Incríveis 2 exigiram exércitos de animadores com computadores enormes e milhões de dólares para trabalhar por anos. Sozinho, pode levar o mesmo tempo para animar mesmo um curta.

Pinot Ichwandardi, que nasceu na Indonésia, está animando a dancinha sensacional de Glover num computador que mal pode ser qualificado como millennial. Ele passa duas ou três horas por noite há meses fazendo “crochê de pixels” — o termo que Ichwandardi usa para seu método de ilustração zen — desenhando cada quadro do clipe de Glover usando um Summagraphics Tablet dos anos 70 conectado a um programa MacPaint de um Macintosh 1984. Aí o cara transfere os quadros por DISQUETE para um Macintosh SE 1987, onde os anima com o software MacroMind VideoWorks. Parece uma forma elaborada de masoquismo artístico, mas Ichwandardi não vê a coisa assim.

“É como dirigir um carro clássico”, ele disse a VICE. “As limitações [de tecnologia] se tornam um novo valor, uma nova arte. Cada falha como 'memória insuficiente' é perdoável... com esse método, o processo em si se torna mais importante que o resultado. O processo é a história. Essa é a razão para estar postado o processo no Twitter. Sem esses processos, o resultado seria só outra arte com pixel, gerada por uma máquina moderna.”

Nos meses desde a explosiva estreia de “This Is America”, Ichwandardi juntou quase 500 quadros da dança, resultando em 38 segundos de animação. Para cada hora que passa animando, Ichwandardi também passa uma hora estudando a “dança vudu” da coreógrafa Sherrie Silver para acertar o estilo.

Sua animação não é um remake tomada por tomada do clipe, mas uma representação em 2D da dança, que apresenta desafios como estimar onde os pés de Glover ficam nos closes que cortam a parte de baixo do corpo dele. “Cheguei perto”, ele tuitou semana passada.

Ichwandardi faz filmes desde que seu pai o ensinou animação tradicional quando criança, e vem usando Macs desde o meio dos anos 80. Ele começou a colecionar suas ferramentas vintage em mercados de pulgas quando sua família morava no Kuwait, e completou sua coleção em mercados de Nova York e pelo eBay. Seu objetivo não é só nostalgia, mas educar a internet – e seus filhos – sobre a suposta tecnologia obsoleta. “Nossa casa se tornou um laboratório pessoal, uma sala de aula de arte e tecnologia. Dando acesso a tecnologias antigas para nossos filhos, eles desenvolvem novas ideias baseadas em sua própria perspectiva.”

O animador reconhece que seu passatempo contorna o impacto cultural do clipe. Ele não está tentando ser a próxima Nicole Arbour, em vez disso focando nas partes mais acessíveis para ele e sua família. “Sou pai de três filhos e o clipe chamou a atenção deles, apesar da mensagem da música não ser para eles. Então minha esposa e eu criamos uma distração para as crianças se focarem num aspecto diferente: a dança em si. Não sei dançar, mas pelo menos sei fazer uma animação que dança.”

Talvez ele não possa recriar o vídeo completo por questões de copyright, mas Ichwandardi pensa em lançar sua animação em GIF quando terminar. Por enquanto, seu crochê com pixels é só um passatempo relaxante.

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