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Tem palmeirenses perseguindo torcedores antifascistas do mesmo clube

Com direito a saudação nazista e tudo.
16 Abril 2018, 3:08pm
Imagem que circula WhatsApp e redes sociais mostra palmeirenses fazendo saudação nazista. Crédito: Reprodução/ Facebook

Grupos que se intitulam antiantifascistas têm feito ameaças públicas à torcida antifascista do Palmeiras pelas redes sociais e pessoalmente. Assim como na matemática — em que menos com menos dá mais — os anti anti crescem de tamanho e se enquadram numa categoria de fascistas que, entre seus símbolos favoritos, está aquele bracinho direito levantado tal qual faziam os fascistas e os nazistas no começo do século passado.

É bem verdade que este tipo de manifestação não é exclusividade do clube alviverde e surge na mesma proporção que aumenta a presença de torcidas antifascistas e com pautas progressistas pelo Brasil. Grêmio e Vasco também possuem suas torcidas reaças de estimação no Facebook com mais de 500 e quase 800 curtidas respectivamente. Com menos seguidores, há também grupos antiantifa no Botafogo, no Sport, na União Barbarense e até na Chapecoense, o time mais querido do Brasil.

A página Palmeiras Anti Antifa também tem pouco mais de 500 likes, mas as intimidações, segundo alguns palmeirenses, acontecem em grande número no mundo real. Uma torcedora da Palmeiras Antifascista, que pediu para não ter o nome revelado, afirma que as mensagens ofensivas começaram assim que a torcida foi criada, em 2014.

“Assim que criamos o coletivo, as ameaças começaram via resposta às postagens que fazíamos na página do Facebook, em seguida, assim que começamos a nos organizar para ir às arquibancadas, as ameaças foram se concretizando nos arredores dos estádios, tanto do Allianz Parque quanto do Pacaembu, chegando às vezes, ao ponto da agressão verbal e a hostilidade com saudações nazistas e ataques físicos contra alguns de nossos membros”, disse ela.

Ameaça que circulou no Facebook. Página não existe mais. Crédito: Reprodução/ Facebook

Segundo membros da Palmeiras Antifascista, a saudação nazista é uma das ferramentas destes grupos e ela já vem sendo publicada nas redes sociais há muitos anos. Alguns clubes têm fama e se omitem a discutir o tema e identificar estes membros.

Tal questão também ocorre nas arquibancadas italianas. Um grupo de torcedores da Lazio, conhecido como Irriducibili (Irredutíveis, em porutugês) no ano passado fizeram uma montagem de Anne Frank, adolescente alemã de origem judiaica vítima do holocausto, com uma camisa de seu adversário, a Roma. Esta é só uma das demonstrações da torcida fascista que grita “duce, duce” em referência à Mussolini.

A torcedora afirma que os antiantifascistas não necessariamente são das tradicionais torcidas palmeirenses. “Muitos deles vieram da contracultura e frequentam o estádio há muito tempo, alguns deles já foram até expulsos de torcidas do Palmeiras”, diz a torcedora que não quer se identificar. “Com a crise e o avanço do conservadorismo, eles disputam espaço assim como nós. Eles querem manter o ódio vigente nos estádios, nós queremos mudar isso.” Segundo ela, a atuação deles tem o “intuito de manter a mentalidade conservadora dentro do clube, conservar o que eles têm medo longe do estádios.”

Imagem de palmeirense Anti Antifascista que circula nas redes sociais. Crédito: Reprodução/ Facebook

Com algumas dezenas de membros, a Palmeiras Antifascista tem feito ações com outros coletivos em busca de popularizar suas pautas progressivas nos estádios.

“O que queremos é um futebol para todos e todas, que as pessoas possam ir ao estádio torcer sem ter que gastar até 20% do salário mínimo em um ingresso para jogo”, afirma a torcedora. “Nossa tática é sempre de popularizar a pauta antifascista entre os torcedores, isso inclui falar contra o racismo, a lgbtfobia e também pautar as questões econômicas e sociais que cercearam o direito de torcer nas arquibancadas. Nosso enfrentamento é contra o capital, não diretamente contra grupos x ou y.”

Ela afirma ainda que sabe que o conflito, ao menos ideológico e as ameaças, devem continuar. “À medida que nos organizamos para algumas ações essas ameaças tendem a aparecer mais.”

Procurada pela reportagem no Facebook, os admins da página Palmeiras Anti Antifascista negaram qualquer contato com torcidas antifas do Palmeiras ou de outro clube.

"Não somos da capital, portanto, nem mesmo no estádio haveria chances de que nos encontrássemos para que houvesse trocas de ameaças ou intimidações mútuas conforme relatado", disseram. "Isso pode partir ou ter partido deliberadamente de membros de outros grupos, páginas ou seguidores adultos sobre os quais não temos nenhuma responsabilidade."

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