reportagem

Pagode, churrasco e cerveja durante vigília pró-Lula

"Essa prisão é política e vim aqui para defender o Lula. Por mim, já tinha radicalizado bem antes."

por Camilla Feltrin
07 Abril 2018, 12:30pm

Foto: Tuane Fernandes/ VICE

O clima de velório que permeava o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na madrugada do sábado (7), após a sexta em que o ex-presidente Lula tinha até às 17h para se entregar à Polícia Federal para cumprir pena de 12 anos por corrupção e lavagem de dinheiro, passou. Devido a liberdade do petista, a sensação era de que uma enorme festa ocorria dentro e nas imediações do local durante a madrugada. Som alto e muita gente perambulando pela associação ajudaram a dar um tom mais alegre para a situação.

"Se não fossem as manifestações populares, Lula já estaria preso" – Thiago Rolim, 34, marinheiro

O último andar do prédio do sindicato, onde há um restaurante e uma área descoberta com churrasqueira, esteva repleto de pessoas. "A não rendição de Lula não é uma pequena vitória, é uma grande vitória", disse o funcionário público Samuel dos Santos Andrade, 28, que saiu de Guaratinguetá, onde é vice-presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), para apoiar Lula em São Bernardo do Campo. Ele participava de uma roda de violão, chocalho e flauta com o também servidor Rafael Demarchi, 34, e o marinheiro Thiago Rolim, 34. "Fiz questão de vir aqui porque se não fossem as manifestações populares, Lula já estaria preso", afirmou o morador de Diadema e dono dos instrumentos.

"A não rendição de Lula não é uma pequena vitória, é uma grande vitória" – Samuel Andrade, 28, funcionário público

Pela primeira vez no ABC, o publicitário Ariel Gajardo, 33, compareceu com outros amigos para "dar apoio, viver o momento histórico e talvez servir como cordão humano" em uma eventual necessidade. "De fato, achei que o clima estaria tenso", mencionou.

Foto: Tuane Fernandes/ VICE

A atriz Denise Hyginio, 23, também se surpreendeu com a vibe boa. "Fiquei o dia todo vendo notícias sobre o caso. Eu achava que as pessoas estariam apreensivas, mas está tudo muito tranquilo", analisou. Ela aproveitou a amistosidade local para carregar o celular em uma das tomadas disponíveis no andar térreo e fazer amizade com o motorista André Taffarel, 40, de Mesquita, Rio de Janeiro. "Essa prisão é política e vim aqui para defender o Lula. Por mim, já tinha radicalizado bem antes."

"Vamos sinalizar que a chama da luta pela democracia não pode se apagar" – Bia Carvalho, 21 estudante de pedagogia

Do lado de fora do sindicato presidido pelo petista pela primeira vez em 1975, o grupo Levante Popular da Juventude fez uma intervenção por volta da 1h, na qual a frase "Lula Livre" escrita em sal grosso foi queimada. E não tinha nada a ver com tirar zica do pré-candidato à carceragem. "Vamos sinalizar que a chama da luta pela democracia não pode se apagar", explicou Bia Carvalho, 21 estudante de pedagogia e militante do grupo. Pouco antes das 2h, o movimento se divertia com uma versão de "Vai, Malandra", hit de Anitta, com a adaptação: "Tá julgando, tá sem prova/ Diz que o Lula é ladrão/ Não é não".

Uma missa em homenagem a Marisa Letícia, esposa de Lula morta em 2017, está agendada para a manhã deste sábado, data em que ela completaria 68 anos. Depois da celebração, espera-se que Lula se entregue à Polícia Federal.

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