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A beleza e os perigos do graffiti ferroviário em São Paulo

O documentário "Armem os Mendigos" jamais será disponibilizado na internet, mas ganha exibição sábado (23), na Associação Cultural Cecília.

por Eduardo Ribeiro
22 Junho 2018, 8:27pm

(Divulgação)

Armem os Mendigos é um filme propositalmente inconclusivo sobre a cena do graffiti ferroviário em São Paulo. Jamais disponibilizado na internet, a cada exibição pública tem um corte diferente, acaba sendo acrescido ou modificado em alguma passagem. O projeto, que finalmente supre a carência de imagens e ações desta vertente no estado, nasceu a partir da colaboração entre as páginas/grupos especializados no registro da cultura do graffiti @spvandalismo, @escrita.abc e @centrallismo. Essas crews cuidaram de juntar e captar cenas ao longo do segundo semestre de 2016 e 2017 inteiro. Hoje, o documentário assume vida própria, com a colaboração de gente de diferentes cidades.

Já foram exibidas duas versões distintas nos eventos por onde o filme tem passado. Neste sábado (23), na Beat Down Babylon, será apresentada uma terceira, já contando com imagens colhidas este ano, inclusive dessa semana! As mostras andam rolando assim, em locais fechados e para um público já iniciado na parada. Assim como em Nova York nos anos 1980, São Paulo sempre teve graffiti ferroviário, mas os registros disso não eram muitos. Armem os Mendigos revela como as cidades mudaram, os sistemas ferroviários evoluíram e, em igual proporção, a ação dos grafiteiros. Os caras dedicam a vida a planos mirabolantes pra conseguir um registro de trem pixado que fará, no máximo, só uma viagem até o pátio para de lá voltar sem rabisco.

Nessas, encaram todo tipo de merda que uma prática ilícita pode ocasionar. Tiro, porrada e bomba – tudo é gravado. Armem os Mendigos já foi exibido em Sorocaba, na Walls Graffiti Shop, e em Santo André, na Macacolândia Ateliê Shop, e, segundo os produtores, a galera tem pirado. “Tem gente que nem é do meio e fala que se sentiu no rolê junto, que assimilou toda a atmosfera envolvida, e isso é legal porque dá pra saber que o objetivo foi alcançado”, comentam. “É a modalidade mais difícil de se fazer no Brasil, por todos os seus riscos. Poucos têm as moral, e a gente transmitiu isso”.

A malha ferroviária que menos levou attack no documentário foi a linha amarela. É uma das mais seguras de São Paulo, com seguranças treinados, câmeras e os sensores mais cabulosos. “O perigo é igual, independentemente de onde a gente faz o trampo. Na rua tem polícia, muito super-herói; na linha, tem seguranças”, diz o pessoal da Escrita ABC. “Teve uma ação que fizemos, que por sinal, apesar de todos os pesares, é o role que mais curtimos ter participado. Tivemos que dar uma fuga monstra dentro do túnel do metrô, com dois seguranças atrás de nós e o time se separou, foi metade pra cada lado. Ficamos achando que os outros caras tinham rodado. Foi tenso, mas logo depois geral se encontrou na rua e foi só alegria”.

A projeção acontece durante a festa de rap e música jamaicana Beat Down Babylon, sábado agora (23), na Associação Cultural Cecília (Rua Vitorino Carmillo, 399, Santa Cecília, São Paulo). A festa vai das 18h às 2h, e o filme passa às 21h30. Dez contos a entrada.

Saque algumas imagens dos rolês e do filme logo abaixo:

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