Publicidade
Music by VICE

Por que o Bike pode ser o novo Boogarins

Ao trilhar o caminho do "som meio Tame Impala", a banda paulistana liderada por Julito Cavalcante foi atrás de ases da nova psicodelia e parece seguir a pegada de sucesso dos seus primos sonoros.

por Beatriz Moura
08 Abril 2016, 11:00am


Julito, Gustavo, Hafa e Diego. Todas as fotos por Felipe Larozza/VICE.

2015 foi quando o Boogarins se firmou como a principal referência de banda brasileira de nova psicodelia na gringa: rolou notinha de lançamento do segundo disco dos goianos, Manual, no New York Times, uma crítica bem positiva do The Guardian e ainda uma segunda turnê na Europa e nos Estados Unidos. Pro vocalista do Bike, Julito Cavalcante, toda essa movimentação que o Dinho, Benke e companhia causaram no exterior no ano passado abriu portas pra sua banda lá fora. “Com certeza, eles fizeram os gringos começarem a prestar mais atenção aqui e chegassem na gente”, diz Julito.

O Bike surgiu quando Julito pensou em transformar umas piras que teve à base de LSD em música. Com Gustavo Athayde (bateria), Diego Xavier (guitarra) e Hafa Bulleto (baixo), o taubetano de 29 anos se aproveitou desse revival psicodélico internacional que o Tame Impala começou com o InnerSpeaker (2010), misturou com um pouco do Pink Floyd do Syd Barrett e criou o 1943. “Na hora de procurar alguém pra masterizar, fui atrás dos encartes dos discos do Tame Impala e do Pond, pra ver quem é que fazia esse trampo pros caras”, contou Julito. “Descobri que era o Rob Grant e o convidei pra fazer a do nosso [disco] e ele aceitou.” Aí, dá pra ver a sacada que o vocalista teve na hora de começar a arquitetar a sua banda: chamar alguém que já manjava dessa cena psicodélica pra masterização — o que poderia facilitar bastante a entrada do Bike nesta porta aberta pelo Boogarins lá na gringa.

Um pouco depois do lançamento, um dos caras do selo do Brian Burton, aka Danger Mouse (produtor norte-americano indicado a cinco Grammys e que já produziu trampos pra gente como Adele e Gorillaz), entrou em contato com eles, querendo lançar a faixa ‘Enigma do Dente Falso’ na coletânea 30th Century Records Compilation Volume I. Esse interesse do gringo foi um pouco de sorte dos meninos, claro. Mas também foi fruto do trampo que o Julito teve de encaixar a banda como uma luva no conceito dessa nova cena indie. “Esse som lisérgico é o que tá rolando lá fora. Eu já curtia isso antes, então foi mais fácil entrar nessa vibe e fazer um disco com essa pegada”.

O Danger Mouse vai lançar o 1943 inteiro pelo seu selo ainda esse semestre lá fora. E o Bike deve começar a gravar seu segundo disco, que também vai ser assinado pelo norte-americano, em junho deste ano. “Se o Danger Mouse ainda tá apostando neste som, então acho que a psicodelia ainda vai dar um gás em 2016”, fala Julito.

Os caras ainda tão meio que naquele estágio do “vai, mas não vai”, mas, pro Julito, esse duplo interesse gringo deu uma bela força pra eles no cenário nacional. “O Bike começou a ser bem mais notado aqui no Brasil depois desta investida internacional”, explicou o vocalista. “Agora, tamo recebendo vários convites de shows pelo país inteiro (Festival Bananada em Goiânia, Festival DoSol em Natal, shows no Sul, etc) e ainda abrimos o Prata da Casa — projeto do SESC Pompeia (SP) que seleciona novos artistas — deste ano”.

Eles também tão esperando o aval dos gringos pra embarcar em turnê internacional — exatamente o mesmo esquema que aconteceu com o Boogarins após o lançamento do As Plantas que Curam, em 2013. “Nos últimos tempos, o disco tem chegado cada vez mais longe. Esses dias atrás, recebemos e-mails de gente da Itália, França, Hungria e Austrália querendo comprar o 1943”, disse o Julito. “Com certeza, é muito mais do que a gente, uma banda de meninos do Vale do Paraíba (SP), esperava”.

Assim como o Boogarins começou como uma fita mais do Benke e do Dinho, o Bike inicialmente era mais um projeto só do Julito. Mas, como as coisas foram caminhando como o planejado, os quatro meninos se fixaram como banda “de verdade”. “O próximo disco vai ser menos centrado só nas minhas ideias e vai contar com uma intervenção maior do Gustavo, do Hafa e do Diego”, disse Julito.

Esse segundo álbum pode ser a transformação do Bike no “novo Boogarins” — no sentido de que eles finalmente conseguirão, quem sabe, alcançar o prestígio que a banda goiana conquistou em 2015 lá fora e aqui no Brasil (com resenha no Guardian, notinha no New York Times e primeiro lugar em muitas listas de melhores discos nacionais de final do ano). Vamo ter que esperar ainda um pouco pra ver como as coisas vão caminhar pra banda, mas se eles continuarem dançando direitinho essa dança da neo-psicodelia, tudo poderá sair (quem sabe) como o planejado desde o começo por Julito.

Siga o Noisey: Facebook | Twitter | Soundcloud

Tagged:
Music
Bike
Noisey
Noisey Blog
tame impala
boogarins
Danger Mouse
psicodelia
1943
indie-psicodélico