Publicidade
Esta história é mais de 5 anos de idade.
Noisey

Descolamos uma Faixa Inédita do Ação Direta

Guardada a sete chaves pela banda até o momento, "Morte em Vida" estará presente num EP previsto para os próximos meses, mas você escuta primeiro aqui

por Eduardo Ribeiro
05 Junho 2014, 5:29pm

"Morte em Vida" é a mais nova gravação de estúdio que o Ação Direta revela ao mundo e um dos três sons que vão integrar o EP split com os grinders do Meant To Suffer. O lançamento, uma parceria entre os selos Equivokke Records e Karasu Killers, sairá em vinil e tudo, no Brasil, Estados Unidos, Europa e Japão. Só que, segundo apuramos, deve levar aí mais uns dois ou três meses pro esquema se materializar. Eles gravaram um álbum não faz muito tempo, o World Freak Show, mas as faixas em questão permanecem inéditas até o momento, sem um registro oficial. Então esse streaming que a banda liberou pra gente em primeira mão e com exclusividade nesta quinta (5) é puro ouro. A música traz o bom e velho crossover característico do grupo surgido no ABC paulista há 27 anos: uma incendiária fusão entre hardcore, crust, grind e death metal. Já a letra aborda o comportamento depressivo do homem contemporâneo - um zumbi cuja luta pela subsistência é a maior aventura que já pensou em desfrutar. Só para não perder o hábito, aproveitei o contato com o Gepeto, vocalista da banda, e emendei algumas perguntas:

Noisey:A caminho de completar 27 anos de estrada, como vocês avaliam a fase atual da banda em relação ao que vocês faziam nos anos 1980-90? O discurso político evoluiu junto com o lado musical?
Gepeto:
O Ação Direta me surpreende a cada ano. É um compromisso de fé, uma jornada de muitas batalhas, esforços, abdicações e tudo mais. Somos uma família, uma banda de amigos e esse tem sido um dos motivos da nossa longevidade. Musicalmente, evoluímos muito, e sempre procuramos misturar, agregar, experimentar e trazer elementos novos para o nosso trabalho. Nunca nos preocupamos com radicalismo ou com o policiamento por parte de subgrupos. No início fazíamos uma mistura de hardcore, punk rock e metal. Essa foi nossa base e, em cima disso, ensaio a ensaio, show a show, dia a dia, fomos evoluindo, moldamos nosso próprio estilo, e hoje somos muito respeitados por isso. Temos oito álbuns em nossa discografia e todos são diferentes entre si. Tentamos não repetir fórmulas. Nossas letras deixaram de ser panfletárias e ingênuas. Deixamos para trás as palavras de ordem e mergulhamos em pesquisas, informações, pontos de vista. O ser humano, o existencialismo, os questionamentos e a temática cotidiana fazem parte das questões abordadas em nossas músicas. Não temos compromisso com modismos ou imposições. Nosso estilo é AÇÃO DIRETA! Agregamos isso ao nosso dia a dia, às nossas vidas.

O Ação Direta é, ou algum dia foi, uma banda punk? O público geralmente cobra de vocês esse posicionamento?
Não somos cobrados por posicionamentos, salvo pouquíssimas situações esporádicas. São anos de integridade, atitude e ótimas amizades conquistadas. Começamos com a banda em 1986-87, no ABC paulista. Foi uma época muito louca! Havia um certo esfriamento no movimento punk devido às brigas entre as diferentes tribos e uma total falta de espaços dedicados ao estilo. Estava rolando a explosão do trash metal nacional e do crossover, fundindo o punk e o metal. E ali estávamos nós, vindo do cenário punk e agregando todas essas novas possibilidades e influências. Sempre fomos uma banda que misturou os estilos e que navegou e navega pelos universos do hardcore e do metal.

Como está a cena no ABC? A nova geração que curte som na região acompanha o legado do Ação Direta? Vocês acham que o hardcore feito no pedaço tem uma pegada própria?
A cena no ABC segue forte e ativa. Temos hoje alguns espaços menores rolando ótimos shows. As bandas têm muita coletividade, fazem parcerias, intercâmbios e se organizam. Algumas bandas gringas em tour pelo país têm mantido o ABC em suas rotas. O Ação Direta vem recebendo um feedeback muito forte dessa nova geração. Eles curtem, vão descobrindo nossa obra, se identificam com os álbuns e as letras e há um sólido respeito ao nosso legado. Sem dúvida alguma, viajando por tantos lugares, conhecendo tantas culturas diferentes, a gente aprende a enxergar e entender cada lugar, cada cidade, cada estado. Cada cena tem em suas bandas uma sonoridade própria. Elas refletem o meio em que vivem. Aqui, na cidade de São Bernardo do Campo, sempre tivemos a tradição de sons violentos, bandas de sonoridade agressiva. Alguns dos melhores exemplos incluem Passeatas, Ulster, Hino Mortal, Libertação Radical, Cova, Necromancia, F.D.S., War Hate , Negative Control, Molotov Attack, Chaos Lace, enfim, a cidade é HARDCORE METAL na veia.

Ao longo da carreira da banda, vocês nunca deram uma pausa nas atividades, né? Quando não estão fazendo shows ou ensaiando, imagino que estejam compondo. Como funciona o processo de concepção de cada obra de vocês? Tudo vai rolando ao mesmo tempo?
Sem paradas! Temos orgulho em dizer isso! Poucas bandas atingiram ou atingirão essa marca. Hoje somos mais profissionais e experientes. Conseguimos dividir nosso tempo entre a banda e a vida pessoal de cada um. Ensaiamos só em períodos de shows e, quando decidimos iniciar um processo de composição, aí rolam ensaios focados. Tem sido assim por todos esses anos e tem funcionado. A gente costuma trabalhar nas ideias quando elas surgem, individualmente. Aí quando já temos as bases consolidadas e as ideias mais avançadas, nos juntamos para dar forma às músicas. Particularmente, gosto de escrever a letra em cima das bases já prontas. Raramente escrevo uma letra sem ter uma música. Nessa correria toda, períodos de shows e de composições costumam se misturar.