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Uma História Oral do TTK

De Marcelo D2 e Beni a Filipe Ret e Sain, conversamos com os principais personagens de um dos mais vigorosos movimentos hip hop do Brasil de hoje (e amanhã).

por Rudah Ribeiro
03 Novembro 2015, 2:20pm

Delegacia do Catete, ao lado do antigo endereço do Marcelo D2. Foto de Ricardo Beliel

"Eu falo da nova geração do rap carioca, eu falo dos herdeiros da Zoeira da Lapa, eu falo dos herdeiros da Batalha do Real..." Para mim, que vivi e participei da cena hip hop da Lapa carioca na passagem dos anos 90 para o século XXI, foi genial assistir em pleno palco do Imperator o ícone Marcelo D2 emocionado abrir o show de lançamento do disco "Fruto do Jogo" do grupo Start Rap de seu filho Sain. Numa noite chuvosa de abril, eles celebravam a marca de mais de 50 mil downloads do recém lançando álbum e a confraternização da galera de uma das áreas mais influentes para a juventude no Rio de Janeiro nos últimos tempos, o bairro do Catete.


Vendedor de rosquinhas no Catete. Foto de Ricardo Beliel

O TTK, como é falado o nome do bairro no dialeto dos pixadores locais, é uma área apertada entre a abastada Zona Sul, o histórico Centro do Rio e a belíssima e poluída Baía de Guanabara. É o corredor no baile do lado A e lado B carioca.

Tradicional, o bairro já sediou a presidência da república, que ocupava o Palácio do Catete, e teve como moradores ilustres o escritor Machado de Assis, a imperatriz Carlota Joaquina e a cantora Carmem Miranda. Hoje é um bairro de classe média baixa, onde velhos sobrados se misturam a grandes edifícios e às favelas do Santo Amaro e Tavares Bastos. Na vizinha Glória, os travestis passeiam com naturalidade nas ruas em que hotéis e pensões para turistas com orçamentos mais em conta formam o cenário icônico da pixação.


Sobrados do TTK. Foto de Ricardo Beliel

De Filipe Ret, Sain (Start Rap), Ademafia, Beni, Akira Presidente, Shadow à nova revelação da área Néctar Gang, o perímetro do Catete e adjacências (Glória, Largo do Machado e Flamengo) se estabelece como um celeiro cultural impactante para as novas gerações da cidade e, consequentemente, do país.


Don Negrone, DJ Jimmy Jay, Beni e Gabriel MSE na segunda edição da Roda Cultural do KGL. Foto de Ricardo Beliel

Uma área em que a tradição se mistura com o novo. Do carteado dos coroas na rua aos atabaques do funk carioca. Da eterna boemia ao rolé de skate no antigo palácio presidencial. Essa cena do TTK vai de música, arte, audiovisual à moda se tornando referência da cultura urbana carioca.


Carteado dos coroas na Glória. Foto de Ricardo Beliel

Conversei com os personagens que fazem essa cena acontecer.

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