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A Lydmor Acha Tranquilo Ser Considerada a Mistura Dinamarquesa da Björk com a Kylie Minogue

A cantora de 21 anos, que toca em SP nesta quinta (12), nunca se sentiu discriminada por ser mulher na indústria da música e usa a sua feminilidade como fonte de força.

por Beatriz Moura
12 Novembro 2015, 7:00pm


Divulgação

A Escandinávia pode ser a terra do gelo, do black metal e dos vikings, mas lá também se faz muito pop bom. A prova disso é a Suécia. Além de ser o terceiro maior exportador do gênero, foi de lá que surgiram nomes como ABBA, Robyn e Tove Lo. Mas tem outro país dessa península que anda despontando para caralho nessa cena ultimamente: a Dinamarca. Se você tem acesso a música e a internet, com certeza já deve ter ouvido a voz agudinha da dinamarquesa no hit "Lean On" por aí.

E é desse cenário que surgiu Jenny Rossander, mais conhecida como Lydmor. Nascida em Copenhagen, a garota de 21 anos é a mais novo nome do popzinho-eletrônico-alternas do país. Apesar de ser novinha, ela já lançou dois álbuns, A Pile Of Empty Tape (2012) e Y (2015), e impressionou geral com a boa mistura que conseguiu fazer de elementos da eletrônica experimental de pista com o lirismo de canções compostas ao piano, o que lhe rendeu comparação direta com a Björk (porque qualquer mulher que faça música experimental será um dia comparada à Björk, não é mesmo?) e a Kylie Minogue.

Lydmor está vindo para o Brasil pela primeira vez para tocar no festival Dias Nórdicos, que rola nesta quinta-feira (12), em São Paulo. Também realizado no México, Chile, Argentina e Espanha, o evento contará com shows de Moddi (Noruega), Alice Boman (Suécia), Hey Elbow (Suécia) e Hisser (Finlândia). Nós batemos um papo com a dinamarquesa sobre pop nórdico, comparações entre artistas mulheres e desigualdade entre os gêneros. Dê um play no som dela e leia a entrevista abaixo:

Noisey: Com quantos anos você começou a tocar e como você decidiu que queria seguir essa carreira?
Lydmor: Tinha 14 anos quando escrevi minha primeira música. Meus pais me compraram um piano e aprendi a tocá-lo com alguns tutoriais na internet. Eu era um pouco estranhona quando criança. Não tinha muitos amigos, lia uns livros de fantasia e queria ser cineasta. O piano se tornou um refúgio para mim. Daí, comecei a compor para poder expressar meus sentimentos. Conforme fui crescendo, a música eletrônica foi adentrando na minha vida. Fiz meu primeiro show como Lydmor quando tinha 19 anos. Desde então, as coisas foram acontecendo (devagarzinho, mas foram) e, agora, tô fazendo vários shows ao redor do mundo. É bem louco.

Você escreve todas as suas músicas?
Sim, componho todas sozinha. Para me sentir confortável com uma música no palco, tenho que tê-la escrito. Acho mais honesto. Tanto é que raramente faço covers nos shows.

Além do piano, você toca algum instrumento?
Bom, sintetizadores. E também clarineta. Posso tocar clarineta muito bem, na real. Mas não tem muito a ver com a minha música.

Quais são suas influências?
Sou completamente fascinada pelo universo, pelas pessoas e seus sentimentos. A dicotomia luz e escuridão também me atrai muito. Acho tudo isso lindo e tento descrever nas minhas músicas. Sério, pra mim, o universo curte se sentir lisonjeado por mim, então ele me retribui, me dando uma vida massa. Talvez seja coisa da minha cabeça e você possa estar achando isso meio louco, mas sinto que nós (eu e o universo) temos um acordo. Como se eu mostrasse, pela minha música, como o mundo é legal e ele me dá alguns pontinhos extras de felicidade.

Como você define a sua música?
Puta, isso é difícil. Não gosto de fazer isso, na verdade. Assim que tento defini-la, me sinto presa e meio paralisada artisticamente. Tudo o que eu sei é que honestidade é importante. Honestidade e ambição para fazer um trabalho incrível. O resto é tudo bobagem. Poderia usar um bando de palavras rebuscadas para tentar colocar definições em uma coisa que deveria ser indefinível.

Você é de Copenhage, né? Como é ser uma cantora pop lá?
Não sei se sou a melhor pessoa para falar sobre isso porque não faço mais muitos shows na Dinamarca [risos]. Tô me focando mais em turnês internacionais porque sinto que tenho mais liberdade de fazer um som mais alternativo aqui fora. Se eu quisesse me restringir a ser um "grande nome" apenas na Dinamarca, teria que fazer um som mais mainstream, o que não tô a fim de fazer.

Mas o pop sueco e dinamarquês tá super em alta, né?
Sim! E não tenho a menor ideia de como isso aconteceu. Mas definitivamente tem todo um movimento acontecendo em Copenhage hoje. O legal é que todo mundo dessa cena se conhece. É incrível estar fazendo parte disso.

Pra você, como é ser uma garota jovem na indústria da música? Já se sentiu discriminada por ser mulher?
Sei que existe desigualdade entre os gêneros, mas nunca me senti discriminada. Não é engraçado? Não me lembro de nenhuma vez que isso tenha acontecido, pelo menos. Vejo a minha feminilidade como uma força, tanto como artista quanto como pessoa.

Mas você já foi comparada com a MØ? Ou outra cantora?
Parece que todo mundo gosta de colocar as pessoas em pequenas caixinhas, não é mesmo? Como gênero é uma questão que tá muito em pauta ultimamente (vamos ver quanto isso vai durar), sou sim comparada com várias outras mulheres. Pra mim, é engraçado, na real. Já me disseram que sou uma mistura da Björk com a Kylie Minogue [risos]! Acho que é só uma maneira de as pessoas tentarem demonstrar sua admiração. O que elas estão realmente dizendo é: você é tão boa quanto essas minas fodas. Só um sinal de amor.

É a sua primeira vez na América do Sul? Como tá sendo essa experiência?
Sim, é a minha primeira vez. Sério, eu tô apaixonada. Tô me sentindo tão em casa aqui que a ideia de morar aqui algum dia me parece meio inevitável.

Depois desses shows aqui, no que você vai trabalhar?
Vou trabalhar no meu próximo álbum (já!). É muito louco. Nos últimos anos, andei tão ocupada construindo a minha carreira e com as turnês que não tive tempo de ficar sozinha com a minha criatividade. Por isso, decidi que vou me mudar para Shangai em 2016 por pelo menos meio ano para produzir meu próximo álbum lá. Serão só eu, meu microfone e meu computador. Estou precisando muito disso.

Dias Nórdicos Brasil 2015
Quinta-feira, 12/11 - 20h30
Choperia do SESC Pompeia - Rua Clélia, 93
R$12/R$40