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Music by VICE

Vasculhamos a Coleção de Fotos Raras da Família RZO do Alexandre De Maio

Idealizador da revista ‘RAP Brasil’, ele acompanhou o rolê do rap na Zona Oeste de SP na época da gravação do clássico do RZO, ‘Evolução É Uma Coisa’.

por Eduardo Ribeiro
20 Maio 2015, 2:53pm

O RZO situava-se no epicentro da explosão do rap nacional na virada dos anos 2000. Eu poderia meter essa ficha sem peso na consciência de cometer um equívoco histórico. Mas, mesmo assim, fui buscar embasamento com um cara gabaritado a fim de sustentar tal prerrogativa, o Alexandre De Maio. Ele é uma figura ativa de milianos no movimento hip-hop e em causas e projetos sociais, nos quadrinhos, no jornalismo, na ilustração. Entre 1999 e 2009, editou a revista RAP Brasil, acompanhando de perto o período de amadurecimento do nosso rap. "RZO, depois d'Os Racionais, era o grupo de rap mais importante do Brasil", dispara De Maio. "Todas as festas em São Paulo tinham que contar com a presença do RZO, e eles eram bem recebidos em qualquer quebrada por causa de seu espírito de comunhão".

Segundo ele, a banca que dominava a Zona Leste era a turma do Consciência Humana, enquanto na Zona Sul o destaque do momento recaía sobre o Sabotage. Coincidência ou uma daquelas gratas surpresas do cotidiano, é neste exato momento em que o grupo está de volta ao front que o Alexandre me aparece com um bolo de fotos encontradas em meio aos seus pertences. Imagens longe de serem um primor estético, porém ilustrativas da fase em que o RZO se preparava para nos brindar com um clássico instantâneo: o álbum Evolução É uma Coisa. Era o começo de um novo milênio, e quem vinha da periferia não podia deixar para depois.

Esse manifesto tinha sua base, seu corre, seu próprio contexto. Um vislumbre dos bastidores desse panorama todo vocês podem sacar nos cliques que o De Maio compartilhou com a gente e na ideia que troquei com ele. Aqui vai uma primeira seleção das imagens. Dividimos o material em duas partes porque é foto pra caceta. Chega mais:


"Aqui é a famosa laje do Helião. À esquerda, Dina Di, rapper de grande expressão no cenário underground que morreu [por complicações] no parto do seu segundo filho (RIP). Negra Li, no centro Sandrão e DJ Cia, atrás dele DBS e mais uma galera que sempre colava nos ensaios."

Noisey: Conta aí um pouco pra gente sobre o rolê em que essas fotos foram feitas. Qual era o ano, o contexto da parada, e o que estava rolando de relevante na cena nessa época?
Alexandre De Maio:
A maioria dessas fotos é de uma época rica do rap brasileiro. Sabotage tinha acabado de lançar seu disco e o RZO lançava seu álbum mais esperado. O grupo era presença obrigatória nas festas de rap que explodiam nas periferias. Eu já tinha alguns anos publicando revistas de rap e criei uma grande amizade com Helião, Sandrão, Sabotage, DJ Cia e toda rapaziada da Zona Oeste, e vivia frequentando a laje do Helião. Muitas fotos são na famosa laje do Helião, era o centro do rap, todo mundo colava lá. Desde o moleque que estava começando até rappers como Mano Brown. O jeito como Helião, Sandrão e a rapaziada te recebiam era um diferencial. Num ambiente violento e dentro de uma realidade em que todos queriam relatar a violência sofrida, o RZO trouxe o conceito de familia, a importância de um ajudar o outro. Apesar de ainda estarem no underground, sempre dividiam o que conquistavam com os manos mais próximos. Além do do Helião e do Sandrão, eles dividiam os holofotes com rappers como DBS, Marron, Negra Li, Dina Di, Calado, Negrutil, enfim, uma infinidade de rappers. E era assim em tudo. Eles iam ser capa da revista e chamaram todo mundo para aparecer nas fotos, não era média, era real. O próprio disco do Sabotage foi isso, em vez de trabalharem no disco do RZO, primeiro fizeram o do Sabotage, que precisava mais. Eles tratavam todos de forma igual e isso me ensinou muito na vida, na revista, e reforçou meu amor pelo verdadeiro rap.

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