Entrevistas

O Z-Trip Acha o Título de "Pai do Mash-Up" um Pouco Ultrapassado

Batemos um papo com o DJ novaiorquino, que vai tocar em São Paulo nesta sexta-feira (6), sobre Tropkillaz, Jay-Z e, claro, mash-ups.

por Beatriz Moura
05 Novembro 2015, 6:00pm


Divulgação

Se tem uma coisa sobre a qual o Z-Trip manja mesmo é discotecagem. O cara tem 43 anos de idade e já passou 28 deles só se dedicando a fazer scratchs, mixes e batidas maneiríssimas nas pistas de dança por aí.

Ele é considerado o "pai do mash-up" por ter sido um dos pioneiros do movimento, mas o seu estilo de mixagem vai muito além disso. Tanto é que ele nem curte muito esse título, não. "Afinal de contas, não é o que todo DJ deveria fazer? Mixar faixas?", me respondeu. E, apesar de ter influências muito fortes vindas do hip-hop de Nova York, onde cresce e ouviu muito Marley Marl, ele curte remixar música de qualquer gênero, desde Nirvana a Michael Jackson.

Em 2009, foi premiado pelo American Best DJ's de 2009 e, até hoje, é considerado um dos dez melhores DJs dos EUA. Pra ele, isso tem muito a ver também com a atenção que ele dá às pessoas da pista. "O que realmente me importa é a interação e a participação das pessoas nas minhas apresentações. A energia da pista".

E ele foi o convidado para tocar na Jambox que vai rolar no Superloft, em São Paulo, nessa sexta-feira (6). A festa, que é dedicada ao turntablism, vai contar com a discotecagem do Nedu Lopes, do Tamenpi, fundador do Só Pedrada Musical, e da DJ Cinara Martins, atual campeã brasileira do Red Bull Thre3Style. Conversei com o Z-Trip e ele me contou sobre sua amizade com os caras do Tropkillaz, seus projetos com o Brillz e o DJ Nu Mark e, claro, sobre mash-up. Saca só:

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Noisey: Oi, Z-Trip. Tudo bem?
Z-Trip:
Tudo tranquilo. E você?

Também. Então, você tá vindo para o Brasil, né? É a sua primeira vez aqui?
Sim, estou sim. Não. Na verdade, é a terceira vez.

E do que você mais gostou aqui?
Gosto muito das pessoas e da comida. A energia na pista de dança das pessoas é muito incrível. Além disso, toda vez que vou pra aí, me surpreendo com a comida de vocês [risos]. Sempre me desafio a experimentar um prato novo a cada vez. É realmente muito boa.

O que você acha de ser chamado de "o pai do mash-up"?
É engraçado, porque as pessoas usam isso muito como um título diferenciado, sendo que eu só estou mixando umas faixas e pronto, sabe? E não é essa a função de um bom DJ? Misturar bem as faixas? Acho meio ultrapassado me chamarem de "o rei do mash-up" ainda hoje. É um termo de uns dez anos atrás. Na real? O lance é ser um bom DJ e trabalhar com instrumentos e faixas que me permitam mixar qualquer coisa que eu estiver a fim.

Quando você se deu conta de que queria ser DJ?
Acho que foi antes de eu aprender a dirigir. Descobri que ser DJ era o que eu queria fazer quando ouvi um DJ tocando numa rádio de Nova York pela primeira vez. Escutava muito Mr. Magic, Marley Marl. Esses caras que influenciaram o meu estilo. Quando ouvi o som que eles estavam fazendo, fui levado para uma outra dimensão. Principalmente por causa da batida. Acho que a bateria é uma linguagem universal e ela transcende qualquer tipo de fronteira física ou cultural. Por exemplo, se você gosta de percussão, você gosta de percussão de qualquer lugar, seja ela brasileira, africana, estadunidense. Bateria é bateria. Na verdade, eu tocava bateria antes de ser DJ.

E como você começou a sua carreira como DJ?
Antes de tudo, eu colecionava discos. As pessoas começaram a me chamar para as festas delas para tocar com a minha coleção. Depois, passei a abrir shows de bandas ou festas de DJ's mais conhecidos. Eventualmente, fui conquistando meu espaço em alguns clubes, um selo próprio, uma gravadora.

Você trabalhou com o Ice Cube?
Fizemos uma turnê juntos em 2014. Trabalhei com o LL Cool Jay, na real. Toquei com ele pelos últimos três anos, fazendo shows juntos.

Mas, você já fez remix pra gente muito famosa, né?
Sim, fiz um remix de "Dirt Off Your Shoulder", do Jay-Z, com o produtor Brillz, mais recentemente, por exemplo. Teve tipo uns 13 milhões de visualizações no YouTube, mas tiraram do ar. O Jay-Z aprovou depois. Mas já remixei muita coisa para muita gente mesmo, tipo: Beastie Boys, Will.I.Am, Michael Jackson.

Que incrível. E música brasileira, você curte o que?
Estou mais familiarizado com alguns clássicos, mas, no momento, os meus favoritos são os caras do Tropkillaz. Somos amigos há um tempão, então sempre estou por dentro das coisas que eles estão fazendo, os samples brasileiros que eles usam e tal. Nós temos uma longa história juntos.

Você já fez mash-up com alguma música brasileira?
Só uma vez, que misturei "Planet Rock", do Afrika Bambaataa, com "Garota de Ipanema", do Tom Jobim.

Além do Tropkillaz, você conhece algum DJ brasileiro?
Conheci a Cinara (que também está no line-up da Jambox), um dia desses. Ela é muito boa. Curti pra caralho o estilo dela. Mas são poucos os que eu conheço. Conheço o Nedu Lopes também.

O que a gente pode esperar do seu set no Brasil?
Bom, será basicamente eu fazendo o que sei fazer de melhor: mixar um monte de estilos diferentes de música. Vai ter muito scratching, muita bateria, hip-hop e brasilidades. Mas será tudo muito focado na energia da pista e na minha habilidade como DJ com o vinil, que vai deixar tudo o mais orgânico e original possível.

E quais são seus projetos futuros?
Tõ trabalhando num álbum solo novo e tocando um outro projeto com o Brillz, o cara com quem eu fiz o remix do Jay-Z. Também tô fazendo umas coisas com o DJ Nu Mark.

Tem previsão de quando vai sair seu álbum?
Muito, muito em breve, vocês vão poder ouvi-lo. [Risos]

SERVIÇO

Jambox apresenta Z-Trip
06/11 - 23h30
Superloft - Rua Cardeal Arcoverde, 2926
R$30,00/R$50,00