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Os Manuscritos dos seus Artistas Favoritos, Vol. 5

Com o Dorival Caymmi, chega ao fim a nossa série que revela a caligrafia dos músicos.
06 Maio 2015, 6:05pm

Nas últimas semanas, vasculhamos os cadernos de alguns de nossos artistas favoritos para revelar os manuscritos das letras de música. As descobertas foram tão empolgantes que a missão fatalmente virou um vício, mas como tudo nessa vida tem um fim – exceto as baratas e os impostos a pagar está na hora de dizer tchau à série de caligrafias musicais. Na estreia, teve Mano Brown e seu caderno de Star Wars; depois vimos a caligrafia do Cartola; descobrimos que o Tom Jobim desenhava uns coraçõezinhos e o Chico Buarque mandava uma letra deitadinha à direita. Começa agora a quinta e última parte de nossa série, mais uma vez gentilmente cedida pelos artistas e suas respectivas famílias:

Em 1976 nasceu a letra de “Milagre”. E ela nasceu na Bahia, em um papel timbrado da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música. O saudoso Dorival Caymmi registrou esse samba com uma bela letra de forma, e finalizou a caligrafia com uma assinatura. Esse precioso manuscrito foi gentilmente cedido pela família do Caymmi e pelo Instituto Antonio Carlos Jobim:

A reprodução deste manuscrito é proibida.

O Clemente Tadeu rasgou o verbo nessa letra de “Nada Pode nos Deter”, do Inocentes, e a inspiração veio de quando ele trabalhava em uma produtora que estava lançando várias bandas novas, cheias de expectativas. O Clemente diz que via a garotada se achando “dona da razão”, e daí surgiram os versos "Quando eu nasci, me disseram que era pra esperar porque, o futuro seria todo pra mim / Agora eu cresci e cansei de esperar e descobri, que o futuro não é aqui". O desabafo foi produzido em apenas dez minutos e foi escrito no metrô, quando o músico voltava para casa. A faixa apareceu pela primeira vez em 1999, no disco Embalado a Vácuo:

Vamos manter essa toada punk. Agora, apresentamos a você toda a urgência e sotaque de “Luta Pacifista”, composta pelo Cannibal, do Devotos. Música e letra têm quase dez anos, e vieram a público em 2006, com o lançamento do quarto disco dos pernambucanos, Flores com Espinhos para o Rei:

Tem mais Pernambuco na nossa seleção de manuscritos. É a terra natal do Lenine, dono dessa caligrafia da esquerda. A da direita pertence ao Jorge Du Peixe, dos também pernambucanos Nação Zumbi. Juntos, eles escreveram “Cupim de Ferro”, extraída do mais recente disco do Lenine, Carbono. Pode chamar de frevo’n'roll, pode chamar de frevo felliniano, pode chamar de frevo manuscrito.

O Oswaldo Schlikmann Filho, mais conhecido como Wado, nos mandou essa letra de “Lar”, faixa do recém-lançado disco 1977. Tem tudo de que a gente gosta: tem linguagem poética, tem ilustra, tem divisão em tópicos e caligrafia apertadaporquenãovaicabernofimdapágina:

Veja as matérias anteriores de #aletradaspessoas:
Os Manuscritos dos seus Artistas Favoritos, Vol. 4
Os Manuscritos dos seus Artistas Favoritos, Vol. 3
Os Manuscritos dos seus Artistas Favoritos, Vol. 2
Os Manuscritos dos seus Artistas Favoritos, Vol. 1