Uma Empresa que Faz Limpeza Pós-Festas nos Contou as Piores Coisas que eles já Viram

Vômito no banheiro, barro espalhado pela casa, merda nas paredes...

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dez 4 2015, 7:30pm

Todas as fotos cortesia de Frisse Kater.

Dar uma festa sempre parece uma boa ideia até o dia seguinte. Só aí, quando você está com uma puta ressaca e coberto de líquidos suspeitos, é que o arrependimento bate. Isso geralmente acontece depois que: a) você lembra que fez alguma coisa idiota quando estava bêbado e/ou intoxicado; b) você vê a zona que explodiu na sua casa: garrafas e latas vazias por todo lado, seus amigos desmaiados pelo chão, um vômito seco de cor estranha no seu banheiro.

É aí que Tugrul Cirakoglu entra. Cirakoglu é o dono da Frisse Kater, uma empresa de Amsterdã especializada em limpeza depois de festas. Ele começou isso no ano passado após ter feito mestrado em Londres e testemunhado várias coisas horríveis em festas de faculdade: pessoas mijando em pias, quebrando coisas, arrumando briga e sangrando por todo lado. Ele percebeu que não havia nenhuma empresa na Holanda que oferecesse limpeza para esse tipo de bagunça e viu uma oportunidade de negócio.

No site deles, a Frisse Kater afirma ser especializada "nas limpezas pós-festa mais sujas, extremas e nojentas que você pode imaginar". Fiquei pensando o que eles queriam dizer com isso. Então, liguei para Cirakoglu para saber o que eles já testemunharam.

VICE: Como é um dia de serviço padrão para vocês?
Tugrul Cirakoglu: Geralmente, somos chamados depois de festas com 50 ou 100 convidados. Para a Holanda, isso é uma festa grande, porque as casas geralmente são pequenas. Todo mundo estava bebendo, usando drogas – e a coisa fica feia. Geralmente, há álcool e comida no chão, pegadas de barro, vidro quebrado, vômito – às vezes, urina ou até cocô nas paredes. Pode ser algo bem extremo.

Desculpa, você disse que pessoas fazem cocô nas paredes?
Acho que isso só aconteceu uma vez, mas sim. Para uma pessoa normal, tudo que limpamos pareceria extremo, porém, para nós, a coisa mais extrema são fezes humanas.

O seu público é formado principalmente por anfitriões de grandes festas que, no dia seguinte, percebem que alguém cagou nas paredes?
Temos pessoas que se preparam e nos ligam com dois meses de antecedência [para agendar a limpeza]. No entanto, muitas pessoas nos ligam no dia seguinte porque achavam que seria mais fácil limpar, embora vejam a bagunça toda e percebam que não vão dar conta. Portanto, eles nos ligam em pânico, tipo: "Por favor, vocês podem me ajudar? Preciso de ajuda". Também temos casos nos quais os amigos prometem ajudar a limpar, mas desaparecem depois. Também temos clientes fixos – geralmente, gente jovem e rica – que dão muitas festas e nos chamam regularmente.

Algumas das festas para as quais vocês foram chamados em seguida para fazer a limpeza devem ter sido bem selvagens. Que tipo de coisas vocês já viram?
Já vimos festas em que as pessoas destruíram o banheiro – tipo, quebraram a pia e a privada, e o lugar ficou inundado. Uma vez, tivemos uma limpeza depois de uma "festa do doce". Eles encheram uma piscina infantil inflável com marshmallows na sala, e isso acabou espalhado pelo chão e misturado com álcool. Às vezes, também somos chamados em emergências do tipo: garotos que deram uma festa quando os pais estavam viajando, e eles vão chegar no dia seguinte. Assim, corremos para lá e limpamos tudo. Entretanto, nessas situações, não limpamos demais, pois aí os pais podem desconfiar.

Tivemos uma festa cujos anfitriões alugaram um restaurante. O dono fechou o lugar para eles, e 50 caras vieram para a festa. Era basicamente um evento de iniciação de algum clube. Primeiro, eles jantaram e beberam; depois, dez caras foram levados até os banheiros e chicoteados, socados, chutados, além de apanharem com os jogos americanos de borracha do restaurante – enrolados em bastões, sabe? Aí, naquela noite, o dono nos ligou e falou "Ei, cara, preciso de vocês. Alguma coisa aconteceu aqui". Então, fomos para lá, vimos toda a bagunça e o que tinha acontecido, e contamos tudo para ele. Eu pensei "Caramba, isso é pesado". Nunca tínhamos experimentado nada assim antes. Havia sangue e muita, muita sujeira.

Que loucura. Vocês cobram uma taxa extra em situações assim?
Cobramos por hora, porém, se a situação for muito extrema, dizemos: "Olha, esse não foi o acordo". Às vezes, as pessoas nos ligam, e, assim que chegamos, vemos imediatamente que não teve festa nenhuma – o cara é só muito porco e precisa que alguém limpe a casa para ele.

Tem gente que realmente faz isso?
Sim. No mês passado, recebemos a ligação de um cara. Não sei se ele tinha saído de férias ou algo assim, só que havia sacos de lixo que ficaram na casa por tanto tempo que tudo dentro apodreceu: logo, vermes e moscas começaram a nascer dentro dos sacos. Elas acabaram escapando e tomando a casa – literalmente, milhares e milhares de moscas e vermes –, subindo pelas paredes, no teto, nos móveis, no banheiro, na cozinha... por todo lado. Nunca tínhamos visto nada assim.

No começo, não esperávamos que as pessoas nos chamassem para coisas assim; portanto, só levávamos material de limpeza comum. Agora, temos uma van com material de limpeza para resíduos de risco – temos máscaras, luvas e macacões para esse tipo de trabalho. Também temos químicos de limpeza para matar viroses e coisas assim.

Vocês já tiveram de lidar com gente bêbada enquanto faziam a limpeza depois de uma festa?
Às vezes, vemos pessoas deitadas no chão ou no sofá, completamente desmaiadas. Em alguns casos – o que é um pouco mais raro –, chegamos a festas onde ainda há uma ou duas pessoas viajando. Pessoas geralmente não são problema se estiverem dormindo, porque elas não vão te incomodar. Se acordarem, elas normalmente dizem "Caralho, onde estou?". O difícil são pessoas que ainda estão drogadas e querem interagir ativamente com você. E essas são de dois tipos diferentes: pessoas realmente chatas, que não conseguem ficar paradas; e pessoas que estão drogadas e acham uma ótima ideia se você também usasse o que elas usaram. O primeiro tipo fica tentando te tocar ou te abraçar, o segundo fica te importunando, dizendo "Ei, tenho cocaína aqui, cheira aí, cara!".

Há outro grupo interessante: pessoas que estão chapadas e entram numa "viagem de limpeza". Elas ficam extremamente ativas e, quando começamos a limpar, querem ajudar – escovando e varrendo tudo. Geralmente, elas limpam muito agressivamente. É muito engraçado.

"Não existe produto químico para lidar com clientes chatos. Não dá para borrifar alguma coisa neles, e eles vão embora." – Tugrul Cirakoglu

Algumas fotos do seu Flickr são bem nojentas, tipo esta foto com um monte de camisinhas usadas no chão. Ou outra do que parece ser um cocô na pia de alguém.
Na verdade, era cocô de gato num restaurante comercial.

Quê?!
Sim, também fazemos limpeza comercial. E, mesmo nesse tipo de serviço, de algum jeito, as pessoas mais loucas sempre acham nosso número. Pessoalmente, eu nunca como em restaurantes. Eu tenho de estar morrendo de fome, porque as coisas que eu já vi em lugares comerciais...

Fora cocô de gato na pia, que outras coisas você já viu em restaurantes?
Vemos muitos lugares onde os donos têm zero conhecimento sobre limpeza. Sempre pedimos para ver o armário de produtos de limpeza deles, já que, assim que você vê o que eles têm, você sabe imediatamente a situação do lugar. Uma vez, fomos a este restaurante, e eu perguntei "Onde estão seu panos de chão?". Sabe, panos que você só usa algumas vezes e depois joga fora. Esse era o único tipo de pano de limpeza que o cara tinha no restaurante. Aí eu perguntei: "Como você sabe se os funcionários não acabaram de limpar a privada com esse pano e agora estão limpando a pia da cozinha?". E ele disse "Hum, não sei". Ou seja, você está me dizendo que não sabe se esse pano que está aqui na mesa foi usado para limpar a privada, a pia da cozinha, o bar ou a mesa? O que você está fazendo?

Isso não pode ser muito comum, certo?
Sim, acontece em muitos lugares. Sabe aquele produto, Windex? Muitos restaurantes usam isso para limpar tudo, embora ele só sirva para limpar janelas. Quando perguntamos "Ei, vocês têm algum produto bactericida ou para esterilizar sua cozinha?", eles devolvem "Windex não limpa tudo?". É perturbador.

O que é pior: limpar cozinhas de restaurantes ou casas depois de festas?
Eu diria que as duas situações são sujas. Não tenho problemas com pessoas que não limpam a própria casa, pois isso é problema delas. No entanto, se você tiver um restaurante ou um café onde você serve comida ou bebida para as pessoas, você tem de limpar! Não dá pra passar Windex em tudo para parecer brilhante, embora, na verdade, o lugar não seja limpo há anos. Pra mim, isso é como cometer um crime.

Seu trabalho não parece muito divertido.
Muita gente pergunta "Deve ser difícil trabalhar com isso, esses lugares são muito sujos". Mas não: essa é a parte mais fácil. Usamos nossos produtos de limpeza profissionais, e tudo fica limpo rapidamente. O problema é que não existe produto químico para lidar com clientes chatos. Não dá para borrifar alguma coisa neles, e eles vão embora.

Veja mais fotos das festas que o Frisse Kater já teve de limpar abaixo.

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Tradução: Marina Schnoor.

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