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Os alunos das ETECs pararam a Avenida Paulista

Egressos das meninas dos olhos da administração tucana do estado de SP estão tão putos com Alckmin quanto os estudantes secundaristas.

por Amauri Gonzo
20 Abril 2016, 8:00pm

Foto: Taba Benedicto

As Escolas Técnicas Estaduais (ETECs) de São Paulo entraram de cabeça na luta contra a precarização do ensino público no estado nesta quarta-feira (20) na capital. Com um contingente de mais de mil alunos marchando centro afora, partiram da ETESP, na Avenida Tiradentes, em direção ao MASP, passando pela Avenida da Consolação e dando aquela bagunçada gostosa no trânsito do almoço paulistano.

Foto: Taba Benedicto

O protesto é mais uma pedra no sapato para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), uma vez que as ETECs são as meninas dos olhos da sua administração, marteladas insistentemente durante a propaganda eleitoral de 2014 como exemplo de gestão. Assim como a rede secundarista, os alunos das ETECs reclamam da falta de merenda, dos problemas de manutenção ("tá escorrendo merda da parede do banheiro", explicou didaticamente um aluno durante a passeata), da falta de segurança, da precarização dos laboratórios e bibliotecas e do corte de, segundo eles, 78% no orçamento do ensino técnico no estado.

Foto: André Lucas/ C.H.O.C. Documental

Sob o sol do outono mais esturricante de Piratininga, a massa estudantil, reforçada por secundaristas na linha de frente, forçou a polícia a deixar que a passeata seguisse rua afora, acompanhada por um discreto policiamento de trânsito (vale lembrar que o quartel da ROTA e o comando geral da PM ficam do lado da ETESP).

Foto: Taba Benedicto

O único "incidente" foi uma pequena confusão quando um grupo de estudantes se adiantou aos morosos carros da polícia na hora de virar da Consolação à Paulista. Sob gritos de "vem pra rua contra o Geraldo" e "mexer com estudante é mexer com Satanás" e faixas explicando que não era só a merenda a treta atual do rolê, a turma enfrentava o sol desidratante com água e torsos nus.

Foto: André Lucas/ C.H.O.C. Documental

Ao fim da passeata, jogral para explicar os problemas, explicitar alguns rachas e reforçar a união de luta entre alunos do ensino técnico (até alunos de escolas técnicas federais participaram do protesto) e do ensino secundário, que estão sob diferentes secretarias dentro da administração estadual.

Foto: Taba Benedicto

A briga deve se intensificar, na esteira da revolta pós-impeachment e especialmente das vitórias impostas pelos alunos à Alckmin e sua reorganização escolar em 2015. Para o próximo dia 28, os estudantes prometem uma paralisação conjunta de todo o ensino do estado, além de uma assembleia das ETECs no dia 4. Boa sorte em blindar seu candidato à prefeitura de São Paulo, João Dória (PSDB), desse tipo de ataque, Geraldo.

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