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Joko Widodo Adora Napalm Death, Chifrinhos do Metal e Confraternizar com o Indonésio Comum

Com a recente eleição presidencial da Indonésia, a popularidade de certo cara fez os outros candidatos derraparem na curva. Joko Widodo, mais conhecido como JOKOWI, emergiu como uma figura obamística na corrida eleitoral.

por Cal Rednib
28 Julho 2014, 12:00pm

Com a recente eleição presidencial da Indonésia, a popularidade de certo cara fez os outros candidatos derraparem na curva. Joko Widodo, mais conhecido como JOKOWI (as letras maiúsculas já mostram quanta gente curte o cara), emergiu como uma figura obamística na corrida eleitoral. Ex-vendedor de móveis, fã do Metallica e usuário de camisetas do Napalm Death, Jokowi é de uma cidadezinha no centro de Java, a maior ilha da Indonésia, com 141 milhões de pessoas (a ilha tem tanta gente quanto a Rússia). Jokowi foi prefeito de Jacarta e alcançou status de rockstar ao colocar em andamento as obras eternamente atrasadas do sistema de metrô local, além de fornecer gratuitamente cartões de acesso ao sistema de saúde para 4,7 milhões de moradores pobres da cidade.

Com 53% dos votos, quatro vezes o resultado de Prabowo, o segundo lugar na corrida eleitoral – indica que sua popularidade vai bem além da capital da nação. “Os eleitores das outras ilhas geralmente têm preconceito ou são desinformados sobre os candidatos presidenciais”, disse o comentarista político Ikrar Bakti, “mas mesmo as pessoas de Achém são fãs do Jokowi, ele uniu os indonésios”.

Do maior partido de oposição, o PDI-P, Jokowi só teve permissão para concorrer recentemente. A aprovação dependia da presidente do partido, a ex-presidente e matriarca divisiva Megawati, filha de Sukarno, presidente fundador da Indonésia. Jokowi conseguiu a posição com suas políticas populistas, e também porque não tem medo de andar pelas favelas e conversar com os indonésios comuns, 100 milhões deles vivendo com menos de US$2 por dia.

Um contraste gritante entre Jokowi e os antigos oficiais do governo, que preferem andar por aí em comboios de carros de janelas escurecidas, evitar qualquer interação com a plebe e frequentando clubes de golfe particulares.

Jokowi é uma mudança bem-vinda no estereótipo do político indonésio, que a maioria vê como corrupto, arrogante e nepotista. O Partido Democrático do ex-presidente, SBY (que somente esquentou a cadeira agora, segundo alguns), tem muitos exemplos do tipo – alguns já presos depois do surgimento da agência anticorrupção, a KPK.

Até o momento, a impressionante lista de presidiários do Partido Democrata conta com o tesoureiro do partido, o ministro dos esportes e ex-Miss Indonésia (deputada eleita pelo partido). O próprio filho de SBY, Edhie Baskoro Yudhoyono, secretário-geral do partido, já foi repetidamente implicado em escândalos, mas não preso.

Mesmo parecendo que Jokowi está com o jogo ganho, nem tudo são flores. “Quem espera milagres de Jokowi precisa pôr os pés no chão, porque uma coisa é gerenciar a capital do país, outra é gerenciar o país inteiro”, disse o analista político Paul Rowland. “E ainda estamos esperando para ouvir o que ele tem a dizer sobre políticas nacionais, como defesa e economia, e ele vai precisar abordar isso muito em breve.”

Ele enfrentou uma competição pesada, como o ex-general Prabowo Subianto, genro do ex-ditador Suharto. Prabowo foi expulso do exército indonésio por ser muito controverso – um feito e tanto, considerando que o exército nunca viu problema em agir contra os próprios cidadãos nos últimos 50 anos. Ele foi expulso das Revoltas de Jacarta de 1998, quando foi acusado de incitar a violência, sequestrar ativistas pró-democracia e por tentativa de golpe usando soldados colegas das forças especiais. 

Depois de um período escondido na Jordânia, Prabowo (que também está proibido de entrar na Austrália e nos EUA por suspeitas de desrespeito aos direitos humanos – o que pode atrapalhar um pouco um potencial presidente) emergiu milagrosamente como homem de negócios e chefe do partido nacionalista, o Gerindra, e tentou conquistar a glória em 2014.

As políticas pró-necessitados e pela agricultura desceram bem para muitos indonésios da classe trabalhadora, que também apreciam seu passado militar. Não deu. 

O terceiro nome na corrida presidencial era o líder do Partido Golkar, Aburizal Bakrie, que se tornou um dos magnatas mais ricos da Indonésia graças a muitos contratos governamentais nos anos 1970 e 1980 – período de ouro do compadrio na política indonésia. Além das credenciais financeiras, Bakrie também é conhecido por um incidente vergonhoso de Relações Públicas em 2006, envolvendo uma de suas companhias de mineração, a PT Lapindo, que seria responsável por uma onda de lama que destruiu 12 vilarejos e desalojou 40 mil pessoas na área de Sidoarjo, Java Oriental. Mesmo gastando uma fortuna com propaganda nostálgica e comerciais de dar arrepios, também não deu para ele. 

Na rabeira, havia um candidato mais colorido (e otimista) na figura do pop star de 67 anos Rhoma Irama, que é tipo um Elvis indonésio, com costeletas e uma pança de respeito, apaixonado por guitarras Steinberger. Irama não tinha a menor esperança de vencer, mas estava aí para fornecer um bom “entretenimento eleitoral” (palavras dele).

Tradução: Marina Schnoor

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