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Viagem

Sweet Crude: Fotografando uma Cidade Petroleira dos EUA

O boom recente da indústria petroleira local transformou praticamente todos os aspectos de Williston e as áreas ao redor.

por Annie Flanagan
20 Fevereiro 2015, 11:00am

Quando voltei para o apartamento, encontrei Laura sentada à mesa da cozinha, nervosa. Ela contou que tinha falado com o escritório da procuradoria do distrito de Nova Orleans: tinham lhe dito que, como seu ex-namorado não a esfaqueou ou atirou nela, mas só a espancou sem uma arma, ele pegaria uma sentença máxima de seis meses de prisão.

"Eu estava começando a ficar confortável sabendo que ele ia pra cadeia. E, agora, tipo: 'Há! Ele está livre!'. Mas o lado bom é que, se ele bater em mais alguém, é seu terceiro delito, e ele pega prisão perpétua. Então, agora, eu tenho que cruzar os dedos e torcer pra ele espancar outro filho da puta? Isso é idiotice. É idiotice", Laura disse. "Isso me mata."

Em 2013, Laura se mudou de New Orleans para Williston, Dakota do Norte, para ficar com seu namorado e o pai de seu filho mais novo, que tinha se mudado para Williston meses antes a fim de achar trabalho e escapar de acusações na Louisiana.

O boom recente da indústria petroleira local transformou praticamente todos os aspectos de Williston e as áreas ao redor.

Episódios de violência doméstica, particularmente, decolaram desde que o bum começou. Um abrigo local reportou que, antes de 2009, o prédio ficava ocupado por aproximadamente 15 noites por ano. Agora, o abrigo quase nunca fica vazio.

Em se tratando de violência doméstica nos EUA, Williston se destaca por um conjunto único de circunstâncias que permitiram o aumento do trauma sexual: a natureza transitória da mão de obra, o isolamento que muitas mulheres experimentam quando se mudam para longe dos amigos e família, além de se tratar de um ambiente remoto. Mas essa cidade não é o único lugar onde essas questões se aplicam. As lutas que esses indivíduos e essas famílias encaram, quando confrontados ou se recuperando de episódios de violência doméstica ou de um trauma sexual, são comuns no país inteiro.

Essas fotos são da minha estada em Williston. Nenhuma delas mostra perpetradores de violência doméstica ou de abusos sexuais.

Tradução: Marina Schnoor

Maquiagem disfarça a cavidade ocular fraturada de Laura, enquanto ela se prepara para embarcar em um trem para casa. Depois de uma noite de bebedeira com amigos, ela acordou num quarto de hotel com seu ex-namorado a estrangulando e chutando sua virilha. Ela tinha se mudado para Williston com o atual namorado para procurar trabalho apenas três semanas antes.

Uma mãe de quatro filhos fala com policiais sobre uma medida cautelar que seu marido preencheu contra ela. Ela não via os filhos há uma semana, o maior período que ela havia ficado longe deles.

Uma semana depois do ataque, ela ainda sentia muita dor na virilha e no olho.

Ela toma banhos de madrugada para acalmar seus ataques de ansiedade. Depois que seu namorado foi solto da cadeia, ele começou a procurar tanto ela quanto seu filho.

“Eu devia ter atirado nele? Me diga. O que teria acontecido se eu tivesse atirado nele?”, ela pergunta ao policial, que está preenchendo uma medida cautelar contra seu ex-namorado.

Fumaça de gasolina queimando à distância em Ridge, o primeiro bairro planejado de Williston.

Tomando uísque, trabalhadores da petroleira local levam fogos de artifício para a Represa Epping-Springbrook no dia 4 de julho de 2014.

Um homem chega ao estacionamento do supermercado Cash Wise durante o inverno de 2013.

Um soldador fuma um cigarro em sua casa, em Williston. No verão de 2013, houve uma séria falta de moradias na cidade, e o preço dos imóveis subiu dramaticamente depois que a exploração de petróleo começou no local.

“Se o petróleo não acabar e eu não for para a cadeia – que são duas possibilidades –, vou continuar por aqui”, um homem diz. Ele morava em Williston e trabalhava nos campos de petróleo há três anos.

“Sabe o que é legal?”, ela me diz no caminho até o posto de gasolina. “Poder pegar o carro e ir até a loja. Sem precisar pedir.”

Uma criança faz birra no dia 4 de julho de 2013.

Uma tempestade de poeira se espalha por New Town, Dakota do Norte.

Uma menina sai de um abrigo com a mãe e os três irmãos. Durante o tempo em que a família ficou ali, a mãe foi demitida, porque o chefe achou que sua vida pessoal estava atrapalhando seu trabalho.