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Saúde

Seus tuítes podem dizer o quão cedo você irá morrer

Suas piadas e queixas revelam mais sobre sua condição de vida do que você imagina.

por Denny Watkins; Traduzido por Amanda Guizzo Zampieri
22 Setembro 2017, 1:46pm

Crédito: bloomberg/getty images

O Twitter tem 328 milhões de usuários ativos mensais. Entre as notícias, os debates, as opiniões não solicitadas e as guerras de memes, todas essas pessoas revelam muito de suas vidas pessoais a ponto de fornecerem pistas sobre o quanto ainda têm de vida pela frente, de acordo com um estudo novo publicado na revista American Journal of Public Health.

Em vez de mostrar as correlações entre o que as pessoas dizem nas mídias sociais e como isso é espelhado nos dados da vida real, o objetivo do projeto é demonstrar o potencial do método para encontrar outras tendências de saúde próximo da vida real.

"Acredito que o Twitter pode ser utilizado para encontrar mudanças rapidamente, especialmente porque o Twitter é uma plataforma que em que as pessoas vão para buscar atualizações em meio a grandes acontecimentos, muitas vezes antes de serem transmitidas nos principais meios de comunicação", afirma a autora do estudo Quynh Nguyen, professora de Epidemiologia e Bioestatística da Universidade de Maryland, nos EUA. "Outras equipes de pesquisa que não façam prospecções de áreas pequenas podem usar o equivalente a uma semana, um mês, ou até um dia de dados."

Para o estudo em questão, Nguyen e sua equipe analisaram um ano de tuítes marcados geograficamente de abril de 2015 a março de 2016 – aproximadamente 80 milhões de posts de mais de 600.000 contas. Os tuítes foram filtrados com referências de 1.430 alimentos populares e 376 tipos de exercícios e atividades físicas (excluindo as menções em que as pessoas pareciam apenas assistir ou comentar determinados esportes, em vez de praticá-los).

Para avaliar o humor, os pesquisadores rodaram os tuítes em um software de aprendizado automático, a fim de determinar se os milhões de tuítes eram felizes ou não com 78% de precisão. "Escolhemos examinar a prevalência dos tuítes felizes, porque a nossa hipótese é que a positividade quando manifestada socialmente poderia estar relacionada a melhores resultados de saúde", afirma Nguyen. "Entretanto, isso significou que a categoria 'não feliz' incluiria tanto os tuítes tristes quanto os neutros."

De fato, somente 19% de todos os tuítes ao longo do ano expressavam felicidade. Apesar da reputação antiga de que a plataforma de que as pessoas falam sobre o almoço, somente 4% dos tuítes mencionavam comida, e menos de 1% sobre álcool. As pessoas tuitaram sobre exercícios em 2% do tempo.

Contudo, graças ao grande tamanho da amostra, mesmo essas porcentagens pequenas resultaram em milhões de tuítes a serem analisadas. Por meio dos dados de geolocalização disponíveis publicamente, os pesquisadores puderam comparar a frequência de felicidade, hábitos alimentares e exercícios físicos com os dados, município a município, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças e do Departamento de Transportes.

"Municípios com tuítes mais felizes apresentam menos mortes prematuras", afirma Nguyen. E por mortes prematuras ela quer dizer pessoas que morrem antes dos 75 anos, mesmo o estudo não examinando a causa dessas mortes. Contudo, os pesquisadores também notaram uma relação entre tuítes mais felizes e estilos de vida mais saudáveis. "Áreas com tuítes mais felizes também apresentavam mais tuítes sobre alimentação e atividades físicas."

Além disso, nas regiões em que as pessoas tuitavam com mais frequência sobre exercícios e corrida, os municípios viram 714 mortes prematuras por 100.000 a menos do que em lugares em que as pessoas tuitavam menos sobre exercícios. As taxas de obesidade também foram 2,5% menores onde os usuários das mídias sociais tagarelavam com frequência sobre suas refeições e rotinas de exercícios. Tuitar sobre bebidas alcoólicas também esteve relacionado com mais mortes relacionadas ao álcool. Municípios com menos tuítes sobre álcool apresentaram aproximadamente 4% de incidentes fatais de mortes por embriaguez ao volante.

Alguns estudos anteriores apresentaram uma ligação entre felicidade e uma vida mais longa. Um estudo de 2010 nos Países Baixos descobriu que as pessoas felizes entre os 65 e os 85 anos eram 22% menos propensas a morrer ao longo dos 15 anos seguintes do que as infelizes. Outros estudos encontraram que maiores níveis de atividades físicas estão ligados a melhores estados de humor. "Para aumentar os tuítes felizes em uma comunidade, podemos investir em alimentação e fontes de atividades recreativas", afirma Nguyen.

De acordo com o estudo, o Estado mais feliz dos EUA (ao menos no Twitter) é Montana, seguido de perto por Tennessee, Utah, New Hampshire, Arkansas, Maine, Colorado e Nova York, nessa ordem. Louisiana teve a menor proporção de tuítes felizes, seguido de Dakota do Norte, Oregon, Maryland, Texas, Delaware, West Virginia e Ohio.

E qual foi o mês menos feliz no Twitter? Abril, com apenas 15% dos tuítes apresentando algum tipo de felicidade.

Imagina passar abril em Ohio? Não deve ser fácil.

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