Enquanto o presidente reclamava, Carnaval gerou renda e empregos

Jair Bolsonaro fez o possível pra desqualificar a festa da carne, mas ela continua sendo o evento mais importante para o turismo brasileiro.

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06 Março 2019, 7:14pm

Jair Bolsonaro. Foto via Wikimedia

O grande assunto pós-Carnaval no Palácio do Planalto, aparentemente, é uma cena de golden shower protagonizada por dois jovens durante um bloco em São Paulo. Jair Bolsonaro twittou um vídeo mostrando o acontecimento na noite de ontem e, depois de a hashtag #goldenshowerpresident chegar a terceiro lugar nos assuntos mais comentados do Twitter mundialmente, o presidente completou com um questionamento: "O que é golden shower?"

Essa não foi a única vez que Bolsonaro atacou a festa da carne. Depois da divulgação da faixa "Proibido o Carnaval", de Daniela Mercury e Caetano Veloso, que criticava o moralismo e conservadorismo com o qual o evento está sendo olhado pelo novo governo, o presidente respondeu postando um marchinha (o artista responsável não é creditado) cuja letra alega que "tem gente ficando doida sem a tal lei Rouanet / O nosso Carnaval não está proibido / Mas com dinheiro do povo não será mais permitido."

Dado o moralismo e a vontade exacerbada de Bolsonaro de extinguir o Carnaval de rua no Brasil, era de se esperar que o evento tivesse nenhum ou pouco impacto na economia do país (já que o impacto cultural, como sabemos, é de pouco interesse para o presidente). Mas os números coletados pré e pós o Carnaval 2019 mostram exatamente o contrário sobre a maior festa brasileira, que continua sendo um evento importantíssimo para a renda arrecadada com turismo no país.

Ainda antes da folia começar, um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) previu que que o Carnaval movimentaria R$ 1,9 bilhão em todo o estado de São Paulo, além de antecipar que o evento impulsionaria a movimentação turística do país 2% mais do que 2018 – o primeiro crescimento na receita do setor para o período desde 2015, segundo o G1. Fabio Bentes, economista Chefe da CNC, disse à Rádio CBN na segunda-feira (4) que "o Carnaval está para o setor do turismo como o Natal está para o comércio".

Nessa quarta, já após o fim do feriado, o prefeito de São Paulo Bruno Covas comemorou a movimentação de renda e a geração de empregos na cidade e adicionou que a taxa de ocupação dos hotéis da capital chegou a 95% – também de acordo com reportagem do G1, um aumento de 5% em relação a 2018. A matéria também afirma que o faturamento dos comerciantes no trajeto dos blocos aumentou em São Paulo.

Segundo um tweet do jornalista Pedro Ivo Almeida, do UOL, a CNC confirmou nesta quarta (6) que o Carnaval movimento R$ 4 bilhões só no Rio e em São Paulo, além de ter gerado 23,6 mil empregos temporários. Os números oficiais ainda serão divulgados, mas é possível, segundo o previsto, que o Carnaval de 2019 tenha sido o melhor dos últimos anos em questão de arrecadação de renda e geração de empregos.

Sabe o que pode não ter ajudado a economia do país neste carnaval, porém? O presidente. Desde que ele postou seu tweet sobre golden shower, às 10h da manhã de hoje, o Ibovespa mostrou uma queda de 0,6%. Coincidência? Por via das dúvidas, melhor evitar as postagens escatológicas.

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