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Noisey

O clipe de "Falo" do Carne Doce é um ritual misândrico de vingança

Veja o vídeo que a banda goiana apresentou na noite da última terça-feira (14) no show deles na Mostra Prata da Casa, que aconteceu no Sesc Pompeia, em São Paulo.

por Beatriz Moura
15 Fevereiro 2017, 12:00pm

"Falo" deve ter sido a música que mais chamou atenção de todo mundo na primeira ouvida do  Princesa, segundo disco do Carne Doce, lançado em agosto do ano passado. Seja talvez porque a vocalista/compositora Salma Jô diz na letra que é bom que você, homem, "se cuide pois não vai ter quem lhe acude quando ela quiser te capar" ou seja também por causa do duplo sentido do título escolhido para a faixa  — que pode se referir tanto a uma forma de conjugação do verbo "falar" (e, no caso, de como mulheres são reprimidas quando falam), quanto ao substantivo "falo", ou seja, ao conceito de poder geralmente associada à imagem do órgão reprodutor masculino (a famigerada "piroca") —, "Falo" foi alçada quase que automaticamente a hino feminista por alguns fãs — fato que Salma Jô diz achar um tanto esquisito: 

Algumas pessoas acham justo que a protagonista extrapole de uma revolta legítima pra se tornar uma figura mais ameaçadora, desmedida, e até tirana mesmo.  Se você for pensar, é estranho que tenha virado um 'hino', porque as demandas que ela reclama não são assim tão profundas ou urgentes. Se tratam mais de coisinhas irritantes cotidianas. São denúncias particulares contra o machismo sutil dos homens que são íntimos de gente, que são nossos parceiros afetivos ou profissionais. Não é um protesto contra o machismo mais violento e não atende às mulheres que são oprimidas de forma violenta. Mas compreendo que muitas se identificam com o que é relatado na letra. E de novo eu queria abordar uma personagem com contradições: forte e fraca, passiva e rebelde, gentil e violenta. Pra mim, é importante refletir sobre essa complexidade da mulher e não tratá-la somente como vítima, pois não gosto de atender a esses ideais, nem de poder, nem de submissão. Não vejo o poder como a propriedade do opressor contra o oprimido, mas como um exercício que circula entre essas partes, que é exercido por ambas.

Veja o clipe de "Falo" e um pouco mais da entrevista com a Salma no Noisey.