Foto: Felipe Larozza/VICE

O Ato dos Estudantes em SP Terminou com Pedradas, Carros Destruídos e Gás Lacrimogêneo

Os carros de luxo que circulavam pelo bairro do Morumbi não foram perdoados pelos black blocs.

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15 outubro 2015, 8:40pm

Foto: Felipe Larozza/VICE

Alunos secundaristas da rede estadual de ensino de São Paulo protestaram hoje (15), no Dia do Professor, contra o novo plano de ensino do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que poderá afetar até mil escolas. Debaixo de um calor de 35º, o ato começou pela manhã no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, e terminou no Palácio dos Bandeirantes, no bairro do Morumbi, entre pedras arremessadas por black blocs, carros de luxo destruídos e bombas de gás lacrimogêneo da Polícia Militar.

De acordo com os estudantes, mais de duas mil pessoas participavam da manifestação. Cerca de vinte black blocs faziam a linha de frente.

Foto: Felipe Larozza/VICE

A intenção do plano da Secretaria Estadual de Educação é realocar os estudantes em escolas de acordo com o ciclo (Fundamental I, Fundamental II e Ensino Médio) a partir de 2016. Porém, diversas unidades serão fechadas e os alunos serão remanejados para outros locais – o que pode afetar a rotina não só dos estudantes como a de funcionários e professores, os quais, porventura, também poderão ser demitidos.

"Centenas de escolas serão fechadas. Vários professores serão demitidos. Os alunos terão de se realocar, muitas vezes pra escolas longes das casas deles. É um projeto de reorganização com a desculpa de economizar", afirma a estudante secundarista C.C., de 17 anos.

O manifestante Leonardo Gelly, de 22 anos, concorda: "Essa política não serve pra estudante, ela é voltada pro lucro. É uma política de precarização do ensino".

O trajeto até o palácio transcorreu bem, ainda que o calor estivesse insuportável. Um vendedor ambulante teve seu estoque de água esgotado. Quando alguém perguntava o valor da garrafinha, ele respondia: "Agora só tem cerveja".

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Um morador da região abriu o portão e passou a encher a garrafa de água dos manifestantes – já que não havia bares ou lanchonetes no caminho e o sol estava a pino. A equipe do GAPP Brasil (Grupo de Apoio ao Protesto Popular) informou que chegou a atender um ou outro manifestante com pressão baixa e muito calor, mas ninguém que tenha efetivamente passado mal.

Mesmo os motoristas que se solidarizavam com a causa dos estudantes e faziam gestos a favor do ato ouviam o famigerado: "Ei, burguês, a culpa é de vocês".

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Entrecortando as ruas do Morumbi repletas de mansões, a marcha parou por volta das 11h30 – o que causou certo alvoroço entre a militância e acabou em bate-boca. Alguns queriam permanecer ali, enquanto outros queriam continuar percorrendo as ruas até o Palácio dos Bandeirantes. À medida que a treta rolava, a Fanfarra do M.A.L., sempre presente nas manifestações de esquerda, continuava tocando.

Depois da discussão, que deixou muita gente irritada, o ato seguiu.

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Em frente ao luxuoso Clube Paineras do Morumby, uma molecada se refrescou nas águas sujas enquanto os seguranças não chegavam.

Já no palácio, o destino final do ato, Alckmin era chamado de "Exterminador do Futuro" ao microfone.

Por volta das 12h45, o protesto parecia estar próximo do fim quando os black blocs passaram a arremessar pedras e objetos, como madeiras e lixeiras, em direção à sede do governo paulista. Em questão de minutos, a primeira bomba de gás lacrimogêneo vinda da PM estourou e começou o corre-corre.

Foto: Felipe Larozza/VICE

Mesmo com parte do ato disperso, os BBs não pararam. Uma mulher que dirigia um carro de luxo tentava passar pelo meio da manifestação quando alguns jovens pediram que ela desse a volta. Inconformada, ela pareceu resmungar algo com parte do rosto fora do carro e o dedo em riste, e um black bloc respondeu: "Na fila do SUS [Sistema Único de Saúde], eu tenho de esperar".

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Os ânimos exaltados por conta do ocorrido levaram os BBs a notar que, atrás do carro da mulher, havia um caminhão plataforma transportando um automóvel de luxo, que acabou recebendo uma chuva de pedras e teve a lataria e os vidros danificados. Apavorado, o motorista do caminhão apelou para o primeiro caminho livre que viu.

Minutos depois, o ato já disperso descia a Avenida Padre Lebret. Os BBs arremessaram uma pedra em direção a uma BMW branca, que teve um dos vidros do passageiro detonado. Na sequência, o alvo eram as janelas de edifícios baixos. Uma viatura da PM desceu a avenida rapidamente e encostou nos black blocs, que revidaram com mais pedras. Com a mão no cassetete, um dos policiais saiu do carro completamente bambo. A viatura teve parte dos vidros detonados.

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Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Militar não havia respondido ao e-mail da VICE perguntando o número de detidos, feridos e patrimônios depredados.

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No próximo sábado (20), os estudantes realizam um novo ato contra a "desorganização das escolas", que irá acontecer em Santana, zona norte da cidade.

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