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A Polícia Sueca Mantém um Dossiê Secreto Sobre a População Romani

Eles estão criando uma rede de monitoramento pequena, mas perfeitamente preguiçosa e racista.

por Kai Teo, Fotos: Cesar Ortiz
25 Setembro 2013, 5:45pm

No começo da semana, vazou a informação de que a polícia sueca mantém um registro com informações detalhadas sobre 4.029 pessoas de descendência romani. De acordo com o jornal Dagens Nyheter, mais da metade das pessoas incluídas no registro não têm antecedentes criminais, e cerca de mil delas são crianças pequenas demais para cometer qualquer crime — algumas têm apenas dois anos de idade. Tudo isso parece indicar que a polícia sueca está criando uma rede de monitoramento pequena, mas perfeitamente preguiçosa e racista.

Advogados entrevistados pelo Dagens Nyheter apontaram que essa base de dados desobedece a diversas leis, incluindo a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, a legislação de dados policiais e leis contra registros policiais de vigilância geral. Anna Troberg, líder do Partido Pirata Sueco, demonstrou rapidamente seu ultraje tuitando: “Acordei com a notícia de que a polícia está catalogando os romani. Isso me deixou extremamente puta”.

Algumas horas depois que a existência do registro foi vazada, manifestantes tomaram as ruas para mostrar à polícia o que pensavam sobre isso. E eu acompanhei a coisa toda para saber o que eles tinham a dizer.

Mais de 200 ativistas dos direitos humanos, antirracistas e cidadãos enraivecidos se reuniram na Möllevångstorget (uma praça pública) em Malmö. Como em geral acontece nos protestos, discursos indignados foram proferidos. Uma pessoa tomou o microfone para lembrar à multidão que “foi assim que o Holocausto começou”, o que pareceu um pouco precipitado e bastante preciso ao mesmo tempo.

Mattias Gardell.

Resolvi, então, conversar com alguns dos manifestantes ali presentes.

“As pessoas pensam que a Suécia é uma utopia para imigrantes e refugiados. Mas o que aconteceu hoje mostra que obviamente ainda existe racismo”, disse Mattias Gardell, professor da Universidade Uppsala.

Quando falei com Mujo Halilovic, da Associação Romani de Malmö, ele tinha muitas dúvidas. “Como pode haver crianças no registro da polícia? O que vai acontecer quando elas crescerem? Elas serão perseguidas pelo resto da vida? Como podemos confiar na polícia quando uma coisa dessas acontece?”

A polícia tinha realizado uma coletiva de imprensa no começo da tarde daquele dia, na qual os porta-vozes expressaram choque e consternação, assegurando o público de que investigações já estão em andamento. Olhando ao redor na praça, tive a impressão de que isso não aplacou muito os ânimos dos manifestantes.

Jallow Momodou, vice-presidente da European Network Against Racism (ENAR), não se convenceu. “Nada vai acontecer. Eles vão simplesmente arranjar um bode expiatório nesse meio tempo e esperar as coisas esfriarem. Precisamos dar a eles uma resposta adequada”, ele disse.

Cerca de uma hora depois, todo mundo foi embora, resmungando como a polícia era horrível, etc.

Felizmente, a polícia está investigando a questão. Acho que podemos confiar numa organização que simplesmente assumiu que a criminalidade é uma característica intrínseca de determinado grupo étnico sueco. Bom, veremos.