Luke Christopher

Seth Troxler Ataca Novamente: Fora Falta de Autenticidade no EDM e Aoki (de Novo)

O produtor de Detroit fala sem reservas sobre o que não considera autêntico na indústria da dance music e diz que já levou muita bordoada da vida.

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mar 25 2015, 1:00pm

Luke Christopher

Mesmo que você nunca tenha ouvido ele tocar, você provavelmente sabe quem é Seth Troxler. Presença eminente tanto nos festivais quanto no circuito de festas underground, o DJ de 29 anos sempre teve um assento na primeira fileira do tumultuoso crescimento da cena de música eletrônica na última década. Nativo de Michigan, Troxler tomou para si a responsabilidade de defender o legado de Detroit como o berço do techno, e não bastasse o cara vem se tornando a voz mais sincera contra a comercialização da dance music de dentro do mundo dos DJs. Enquanto ele brande as bandeiras de Detroit e do techno, muito do que molda a perspectiva sobre o EDM de Troxler vem de sua ideia de autenticidade.

Seth Troxler sobre a balada: "Raves são os melhores e piores lugares do mundo"

"Sou completamente a favor do legado," diz ele. "É bem coisa de Detroit pensar no legado, e se tornar parte disso não é algo fácil. Desde sempre, Carl Craig falava tipo 'O Seth não está dentro! Ele é de Kalamazoo!' Quando eu entrei como número um da [lista da] Resident Advisor dois anos atrás, a primeira coisa no twitter era 'Seth Troxler de Detroit...' Eu fiquei tipo, 'Carl, eu estou dentro?' ele tipo 'Você tá dentro porra!'"

Desde que afirmou sua legitimidade como artista, Troxler fez questão de acusar a falta de autenticidade dos outros na música dance como um todo. "Apesar de eu ser divertido, o que eu faço artisticamente é bem autêntico," ele diz. "Essa é a conversa que eu estou tentando trazer à tona contra o EDM. Nós somos parte de uma cultura dance que está fazendo música baseada em uma ideia que é completamente autêntica, enquanto eles estão fazendo música baseada no lucro."

Foto: WikiMedia Commons

Um habitué dos palcos dos maiores festivais - o centro da cultura EDM mainstream -, Troxler é ciente do fato de que ele próprio recebe da mesma indústria que ele ataca. Tendo falado resolutamente contra eles em um editorial para o THUMP ano passado, o produtor é menos resoluto em sua oposição agora. "Eu não sou completamente contra festivais," clarifica. "Tem muitos festivais realmente incríveis pelo mundo. Eu só sou contra as pessoas fazerem festivais sem o mínimo conceito ou produção ou valor real. A ideia de fazer um festival nos EUA em um estacionamento com um telão de vídeo e música bosta - eu não aceito essa merda."

Troxler se considera um defensor da autenticidade em lugar do artifício em suas presenças nos lineups de EDM. Se alguém o acusar de ser um agente duplo, Troxler não tem remorso em falar. "A injeção de dinheiro na música dance contemporânea está mudando muita gente," ele diz. "Manter as coisas autênticas depende do peso moral do seu caráter. Se você consegue sucesso da maneira certa e usa o sucesso para promover os ideais que você apoia, pode ser uma mudança boa."

Foto: Luke Christopher

Não são apenas os festivais que foram pegos no fogo cruzado de Troxler. DJ Sneaks e Nina Kraviz se engalfinharam com o DJ. No seu editorial para o THUMP, Troxler atacou verbalmente Avicii e Steve Aoki, uma escolha que o levou a um prolongado drama: "Eu estava morando em Ibiza por um verão; tinha esse lugar de sucos ao lado da minha casa e, em uma manhã, fui lá tomar café da manhã," ele explica. "Eu estava pagando e o Steve Aoki chegou em mim e ele estava tipo: 'Ei, cara. Eu sou o Steve. Que porra?' e nós tivemos um tipo de conversa. Ele estava tipo: 'Vamos almoçar. Vamos conversar.' E eu estava tipo, 'É, eu não sei. Estou meio ocupado.'"

"O verão inteiro Aoki ficava me ligando e então ele soltou seu próprio manifesto sobre o que ele faz," continua Troxler. "Eu estava lendo aquilo, rindo histericamente, e percebi que devia ser uma piada. Meus amigos ficaram tipo: 'Pergunta pra ele! Pergunta se é uma piada!' Então liguei pra ele, tipo 'Ei. Aquilo que você escreveu. Era uma piada, né?' e ele tipo: 'Não. Não era,' e eu disse: 'Eu não acho que nós temos mais nada sobre o que conversar.' Ele fala sobre 'crescer como uma minoria...' Cala a boca! Uma minoria em Beverly Hills. Foda-se! Sei lá, eu achei aquilo papo furado. Às vezes as pessoas falam: "Por que você precisa odiar? Por que você precisa ser um babaca?' e eu respondo: 'Porque eu não gosto de você e eu não gosto do que você representa.' "

Aoki costuma funcionar como um vilão de pantomima com artistas do underground quando o assunto é EDM. Deve ser notado que Aoki cresceu em Newport Beach, não Beverly Hills, e que ambos, Aoki e Trexler, se beneficiam de um similar culto à personalidade. Os discursos de Troxler contra o EDM são produtos tão vendáveis quanto as falas de Aoki, e nenhum dos dois têm de fato nada a ver com a produção e performance da música. O mito fundador Do-It-Yourself do selo de Aoki, Dim Mak, enquanto era um estudante universitário compartilhava algum chão comum com a mitologia do techno underground de Detroit que Troxler promove, embora ninguém a oeste do rio Mississipi queira admiti-lo.

Franco como ele é, Troxler diz que não lança palavras belicosas por aí sem um bom motivo. "Se eu não gostar de alguém ou de alguma coisa, eu vou dizer na cara," ele explica. "Eu não falei nas suas costas. É isso. Eu já levei um soco na cara antes. Eu levei mais do que um soco na cara. Já me chutaram na cara. Eu já fui pisoteado. Foi uma bosta, mas através da vida, você aprende coisas."

Troxler conta uma piada de que, quando criança, ele zombou de um amigo por ser gago e foi surpreendido com um soco no queixo em retorno. Ele correu para casa chorando, só para sua mãe o mandar de volta ao ponto de ônibus para completar sua penitência. O garoto bateu nele de novo. Quando ele voltou novamente para casa, desolado, sua mãe o mandou para seu quarto. "Eu aprendi algo aquele dia," diz Troxler. "Você pode ser um mala, mas não seja um total cuzão. Quando você leva uma surra por ser um babaca, você aprende muito sobre a vida."

Troxler e Jamie Jones

Um aspecto essencial da personalidade de Seth Troxler é sua acessibilidade. Ele costuma estar na multidão dos festivais se divertindo tanto quanto os ravers a sua volta. Adequadamente, ele é bem sincero quanto ao assunto que costuma ser tabu, o uso de drogas dentro do mundo da dance music.

"Eu tive algumas experiência com psicodélicos," diz Troxler. "Tive viagens malucas no purgatório onde descobri que, para mim, ser uma pessoa boa é o objetivo maior. Eu não quero viver em uma vida após a morte onde minha vida não me leva a um lugar adiante. E eu acredito completamente no pós-vida. Eu acho que eu vi o pós vida por causa do DMT e outros químicos."

"Eu usei sapo outro dia," ele acrescenta. "Essa garota ordenhou um sapo na Amazônia e eu tive esses estranhos orgasmos tântricos fora do meu corpo, saí da viagem e parei de usar cocaína e fumar cigarro. De uma vez!" Embora ele possa parecer defensor das qualidades psicodélicas da pele de sapo e moléculas espirituais, Troxler diz que apesar da crença popular, não gosta de todas as drogas. "Eu acho que a ketamina é a heroína do nosso tempo," diz ele sobre a substância que é sempre presente na cena underground de techno da qual faz parte. "É horrível, é uma bosta," ele diz, admitidamente de experiências próprias. "E G eu acho que é horrível. Acho que as pessoas só deveriam só usar ecstasy e viajar."

Se alguém acha que os resmungos e constatações chamadoras de controversia são parte de uma encenação, Troxler vai assegurar que não. Ele se preocupa profundamente com o futuro da música eletrônica e seu lugar nele. "As pessoas acham que a nossa cena é só sobre drogas e balada," ele diz. "Mas música e gosto são realmente um sinal de inteligência. Se você curte a cultura underground de música dance, as pessoas que você conhece são realmente educadas, profissionais que estão fazendo coisas incríveis. Em EDM, eu não acho que seja o mesmo mundo."

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Siga Jemayel Khawaja- @JemayelK

Tradução: Pedro Moreira

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