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Pixadores protestaram contra a absolvição dos PMs envolvidos na morte de Jets e Anormal

Juíza considerou os cinco policiais inocentes sob a justificativa de que agiram em legítima defesa.

por Equipe VICE Brasil
01 Dezembro 2017, 6:54pm

Após a absolvição dos cinco policias militares acusados do assassinato dos pixadores Alex Dalla Vecchia Costa, o ALD do 'Jets', de 32 anos e Ailton dos Santos, o 'Anormal', de 33, foi organizada uma manifestação, na última quinta-feira (30), em repúdio à decisão no Centro de São Paulo. Segundo a juíza do caso, os policiais agiram em legítima defesa. O Ministério Público vai recorrer da decisão.

Alex e Ailton foram mortos pelos policiais Amilcezar Silva, André de Figueiredo Pereira, Danilo Keity Matsuoka, Adilson Perez Segalla e Robson Oliva Costa em 31 de julho de 2014 após uma denúncia de que que os pixadores estariam assaltando um prédio localizado no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo.

Para o Ministério Público, os policiais executaram os pixadores, ambos rendidos e deitados no chão. Desde a morte dos pixadores, a família e a comunidade do pixo fizeram outros protestos exigindo justiça para o caso.

No entanto, o processo não foi levado a júri por decisão da juíza de Direito Débora Faitarone que absolveu os réus por falta de provas. Faitarone defende a tese da defesa de que os PMs agiram em legítima defesa porque foram recebidos com tiros. "O Ministério Público inverteu a presunção de boa-fé ao sustentar que as vítimas, que costumavam invadir propriedade alheia para destruição e subtração de bens, não poderiam estar armadas para a prática de seus crimes. Isso é incompreensível, pois é absolutamente crível que as vítimas estivessem armadas quando invadiram o condomínio mencionado na denúncia”, disse a juíza durante o julgamento, conforme relatado pela Ponte Jornalismo.

Manifestantes foram enquadrados pela Polícia Militar antes de caminharem até a prefeitura. Foto: Fábio Vieira/FotoRua/VICE.

O protesto contra a decisão da juíza começou às 18:00hs na Alameda Dom José de Barros, conhecido point de pixação no centro de São Paulo. Segundo o fotógrafo e também pixador Fábio Vieira, haviam cerca de 120 pessoas presentes que seguiram até o prédio da prefeitura. No começo do ato, policiais enquadraram diversos manifestantes e também impediram que pintassem com spray uma faixa alegando que era um crime ambiental. Na linha de frente, as esposas, filhos e familiares dos pixadores mortos conversaram e também entregaram documentos pessoais a pedidos da polícia. Não houve confronto.

O protesto terminou pacificamente na frente do Teatro Municipal por volta das 22h.

Mais fotos do ato, abaixo:

Ônibus foi pixado por um manifestante. Foto: Fábio Vieira/FotoRua/VICE.
Érika, a esposa de Alex, conversa com um dos policiais durante o ato. Ao lado, um dos filhos do casal observa a cena. Foto: Fábio Vieira/FotoRua/VICE.
Polícia chegou a pedir documentos para os familiares que organizaram o protesto. Os dois meninos segurando a faixa são filhos de Alex. Foto: Fábio Vieira/FotoRua/VICE.
Faixas e cartazes pediam justiça e criticaram a decisão da juíza do caso. Foto: Fábio Vieira/FotoRua/VICE.
Manifestantes caminharam do "point" na frente da Galeria Olido até a prefeitura de São Paulo. Foto: Fábio Vieira/FotoRua/VICE.
Ato terminou pacificamente na frente do Teatro Municipal. Foto: Fábio Vieira/FotoRua/VICE.

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