Noisey

10 bandas de metal extremo pra você que é esquerdista

Uma lista sem espaço para conservadorismo, isentões ou passadas de pano.

por Thiago “Índio” Silva
19 Setembro 2018, 3:56pm

Basalt em show em São Paulo. Foto: Aline Cortez

Via de regra, o metal e o rock sempre foram considerados um tipo de música que vai contra toda e qualquer forma de noção preconcebida pelo establishment. Hoje, como você deve ter reparado, a parada mudou bastante. Cada vez mais vemos uma guinada à direita de diversas bandas pelo mundo. Basta olhar para a treta toda entre Mao e sua antiga banda Garotos Podres, polêmicas envolvendo Phil Anselmo e uma escrotíssima saudação a Hitler ou mesmo a vindoura apresentação de uma suspeitíssima banda de black metal em solo brasileiro.

Fato é que hoje ninguém mais tem muitos pudores em se assumir meio nazi, homofóbico ou apenas uma pessoa escrota mesmo, o que inclui passar um belíssimo pano pra diversas outras bandas e artistas que acabam por reproduzir o pensamento tacanho de seu público.

“Ah, mas é só música”, você bem poderia argumentar. Ok, pode tentar fazer essa separação entre artista e obra aí no seu cantinho, mas entre dar corda pra isentão e incomodar metaleiro de direita, eu sinceramente prefiro a segunda opção.

Por isso reuni esse apanhadão de 10 bandas de metal/música extrema esquerdalha, entre veteranas e novatas, de todos os cantos desse mundão, porque aqui é 100% globalista George Soros. O critério de seleção não se limita somente às letras de cada banda, considerando ainda sua postura em entrevistas e por aí vai, ok? Ok.

FACADA

Foto: Divulgação

Há cerca de 15 anos fazendo grindcore do jeito correto, sem espaço pra invencionices, os cearenses do Facada seguem uma fórmula praticamente inalterada durante esta década e meia: blast beats, riffs cortantes e guturais assombrosos destilando todo seu ódio e insatisfação com a sociedade e suas injustiças. Neste ano, lançaram o excelente Quebrante, disponível no Spotify.

DËSTËRRØ

Foto: Divulgação/ Facebook

Formada em 2018 em Santa Catarina, a Dëstërrø toca aquele crust choroso pique Tragedy, From Ashes Rise e tudo mais que você possa enquadrar sob o rótulo do neocrust, com letras em português, deixando sempre clara a mensagem “Por vezes anti-sociais, mas sempre antifascistas”.

CORUBO

Foto: Divulgação/ Facebook

Há quase 20 anos na ativa, o Corubo é o tipo de banda que infelizmente acaba passando batida por boa parte das pessoas, ainda mais considerando sua temática incomum no meio do black metal: a causa indígena, sob um viés anarquista, que fica claro na descrição do grupo em sua página no Facebook: “Combate. Ação direta. Bandeira Negra. Liberdade para quem luta por ela!”. A sonoridade vai do black metal/noise em suas primeiras demos até um black metal mais trabalhado (e igualmente opressor) com letras mesclando português, tupi, guarani, nheengatu e por aí vai.

DAMN YOUTH

Foto: Divulgação/ Instagram

Revelação de Caucaia, Ceará, o Damn Youth manda um thrash/crossover no mínimo enérgico, característica que sentimos tanto no disquinho quanto em suas catárticas apresentações ao vivo com direito a altos foda-se pr’aquele candidato lá que quer resolver tudo na bala. Na ativa desde 2013, a banda lançou seu disco de estreia Breathing Insanity somente em 2018, via Cospe Fogo Produções. A mensagem 100% antifa chega rápida e rasteira ao longo de 13 faixas em 30 minutos, como tem que ser.

SHADE OF MANKIND

Foto: Divulgação

Começando como um projeto meio crust/grind lá por 2011, o Shade of Mankind é cria do gaúcho Rodrigo Luz (que tocou/toca em bandas como Viruskorrosivus, No Rest, Vegas, ex-vloggeiro do finado Vira o Disco, etc.) e hoje apresenta uma espécie de metal bestial que carinhosamente gosto de chamar de METAL BURRO não muito distante de bandas como Blasphemy ou Conqueror, só que sem os papos supremacistas errados e tontos desta última.


FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM

Foto: Divulgação

Black metal português com ênfase no METAL, o Filii Nigrantium Infernalium toca o tipo de som em que simplesmente é impossível não sentir a pele cromando ao decorrer de cada faixa. Apresentando-se como uma banda de anarko black metal satânico criada fora de qualquer rebanho, deus, ou pátria que seja (nas palavras de seu vocalista, Belathauzer, cujas entrevistas são um capítulo a parte), os F.N.I. são pioneiros do gênero em Portugal sempre praticando o famigerado panmetalismo: é death, é thrash, é heavy e black, tudo junto e na maioria das vezes ao mesmo tempo. Lançaram o excelentíssimo Hóstia em 2018, mas a discografia inteira merece sua atenção, vai por mim.

BASALT

Foto: Divulgação

Manja o famigerado post-metal? É exatamente o que o Basalt pratica, com o peso somado da experiência de cada um de seus integrantes, em grande parte veteranos da cena punk paulistana, numa sonoridade que alterna momentos que remetem a Neurosis e tantos outros que remetem a Darkthrone e a mais pura frieza norueguesa. Denso, tanto em sonoridade quanto letras e consciência social.

DEATH BY STARVATION

Foto: Tamy Benevuto

Atitude hardcoreana combinada ao enxofre exalado pelo clássico black metal noventista: podemos resumir o Death By Starvation nisso mesmo. Some toda a bagagem sonora de algumas das melhores coisas que o estilo já produziu, subtraia toda a pilantragem e você terá em mãos uma das melhores bandas de negro metal que o país já teve o desprazer de abrigar. Lançaram recentemente split com o Vazio, que também integra esta lista.

ISKRA

Foto: Divulgação

O black metal de esquerda está em ascensão, mas antes de nomes como Gaylord, Dawn Ray’d e tantos outros incomodarem um monte de cabeludo conservador internet afora, veio o Iskra. Formado das cinzas do Black Kronstadt, banda surgida em 1992 e ativa até 1997, estes punks já tocavam um misto de crustcore com black metal abelhinha, apresentando uma sonoridade que só foi ficando cada vez mais refinada com o passar do tempo, sempre com temática anarquista e forte mensagem anti-capitalista.

VAZIO

Foto: Divulgação

Formada por veteranos da cena punk paulistana que tocaram em outras bandas como Kroni, Armagedom e Submitt, o Vazio é o mais puro creme sulfuroso em forma de música, canalizando um black metal de pegada noventista, muito próximo de grandes nomes do gênero, em especial Mayhem antigo. É na bola e pentagrama garranchado com giz no chão.

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