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Mulheres se entendiam na cama mais rápido que os homens

Estudos recentes sugerem que mulheres perdem interesse em sexo com um parceiro de longo prazo mais rápido que os homens.

por Marie Boule; Traduzido por Marina Schnoor
27 Fevereiro 2019, 10:00am

Foto Luis Diaz Devesa/Getty Images.

Um corpo crescente de pesquisa sugere que manter o sexo excitante é uma questão para mulheres, especialmente em relacionamentos de anos. Ao contrário ao que o meme do namorado distraído pode te fazer acreditar, mulheres se desinteressam pelo sexo num relacionamento de longo prazo mais rápido que os homens e relatam uma satisfação sexual mais baixa.

O site Atlantic compilou alguns dos estudos mais recentes desse fenômeno numa matéria intitulada “O Sexo Entediado”. O artigo menciona um estudo inglês de 2017 que mostrava que as mulheres tinham menos interesse em sexo quando estavam com o parceiro por mais de um ano, e mulheres que moravam com o parceiro tendiam a sentir menos desejo sexual do que mulheres que não moravam. Outro estudo publicado em 2012 dizia que quanto mais tempo uma relação durasse, mais o desejo sexual das mulheres diminuía, o que não era o caso para homens. E, finalmente, um estudo alemão de 2006 mostrava que enquanto 60% das mulheres queriam fazer sexo “com frequência” no começo de sua relação, nos quatro anos seguintes esse número caía para menos de 50% e, depois de 20 anos, caía para 20%. A libido dos homens, por outro lado, geralmente permanecia estável pela duração do relacionamento.

“Isso confirma o que tenho visto com meus pacientes há anos”, disse François Renaud, sexólogo e psicoterapeuta especializado em questões do desejo, quando perguntamos sobre o fenômeno.

“Mulheres têm uma tendência de se entediar mais rápido que os homens num relacionamento monogâmico”, disse Renaud. “Elas querem uma forma de variedade sexual, enquanto os homens geralmente se contentam com muito pouco. Geralmente são as mulheres que vão perder seu desejo primeiro e às vezes bem rápido.”

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Foto Luis Diaz Devesa/Getty Images

Entre os casais que se consultam com ele, o sexólogo disse que as mulheres frequentemente pensam que seus parceiros terão problemas em aceitar que elas são “mais sexuais” que eles. “Para proteger um pouco o ego masculino e o papel do homem que ensina sexualidade para mulheres, as mulheres se curvam numa posição mais modesta e conservadora”, disse Renaud. A vida sexual do casal continua normalmente, cada vez mais confortável, redundante e previsível.

Renaud vê isso como um produto de como a sociedade vê e entende a sexualidade feminina. “Por muito tempo, elas foram caracterizadas como o tipo que quer menos sexo, mas, na verdade, a sexualidade das mulheres é reprimida e elas são ensinadas a anular sua sexualidade, slut shaming é um bom exemplo disso.”

O sexólogo apontou que um erro que os casais cometem é pensar que a frequência do sexo é uma prova de satisfação e que só fazer a atividade já é uma garantia de sucesso em si e como se sexo ruim para um casal heterossexual monogâmico não existisse. Também há a questão da pressão que os parceiros sentem. A ideia de que é melhor se afastar de um parceiro que enfrentar rejeição: “A primeira vez que você faz sexo com seu parceiro, há sempre ansiedade e medo de rejeição. Em certo ponto, ficamos confortáveis num relacionamento e não queremos mais viver com essa insegurança. O terapeuta sexual trabalha com casais para tentar manter essa estabilidade e segurança enquanto criam um senso de exploração com o parceiro”.

“Muitas vezes, quando casais me contam sobre sua sexualidade, eles dizem 'Sinto que estamos nos masturbando um com o outro' e frequentemente as mulheres respondem: 'Com certeza'. É isso que fazemos. Temos um orgasmo, mas não há relacionamento sexual.”

Uma ideia melhor, segundo Renaud, é trazer o máximo de variedade possível para um relacionamento, para que a atividade sexual continue interessante. Para explicar esse ponto, ele compara a vida sexual de um casal com um parque aquático: “Se você sempre vai nos mesmos toboáguas, você acaba entediado”.

Então, boa escorregada pra todo mundo, e não esqueça de sempre mudar as coisas um pouco.

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Matéria originalmente publicada pela VICE Quebec.

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Tradução do inglês por Marina Schnoor.