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O Festival Planeta Brasil juntou várias gerações da MPB em Belo Horizonte

O festival belorizontino convidou Poesia Acústica, Djonga, Jorge Ben, Céu, Criolo e muitos outros para contemplar diferentes públicos e vertentes do que entendemos por música popular brasileira.

por Amanda Cavalcanti
01 Fevereiro 2019, 9:00am

Tiago Mac, do Poesia Acústica, e Djonga dividem o palco. Foto: João Paulo de Castro/Divulgação

Eu conhecia e sabia da popularidade da série Poesia Acústica, da Pineapple Supply, já há algum tempo pelos números exorbitantes de visualizações e seguidores que seus participantes ostentam nas redes sociais. Mas ninguém poderia ter me preparado para o que eu vi no Festival Planeta Brasil no último sábado (26) em Belo Horizonte, durante o show do grupo de rappers, que fechou o palco que contava somente com atrações locais. Dividindo o público com o norte-americano Wiz Khalifa, a atração principal do festival, era acompanhado pelo público em todas as suas letras de faixas como "Capricorniana" e "Sobre Nós".

Enquanto assistia aos adolescentes empolgados tentando chegar mais perto do palco pequeno demais para todas as pessoas que queriam assistir ao show, pensava sobre o Poesia Acústica — e todo o rap com toques de instrumentos orgânicos e refrões cantados, como Baco Exu do Blues, 3030 e 1Kilo — começa a tomar um lugar de nova MPB jovem. Além dos rappers que normalmente participam dos shows do Poesia Acústica — Bob do Contra, Tiago Mac, Kayuá, Azzy, Slim e Delacruz — o show contou ainda com participações do Froid e Djonga em "Todo Mundo Odeia Acústico".

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Poesia Acústica. Foto: João Paulo de Castro/Divulgação

Este último, nativo de BH, já tinha feito seu próprio show mais cedo. Apesar de ter acontecido às 15h e debaixo de um sol escaldante, foi um dos mais lotados do festival — e não à toa. A apresentação breve contou participações dos conterrâneos FBC, Sidoka e Zulu que, após cantar ao lado de Djonga o single que lançaram juntos há algumas semanas, "Yeah", gritou ao público: "Tudo isso que está acontecendo no rap de BH é por causa do Djonga!". Mais tarde, no backstage, quando o perguntei sobre a quantidade enorme de público no seu show, ele riu e esclareceu: "BH é sempre nóis."

E o festival foi na onda do que o rapper (e outros antes e depois dele) trouxe para a cidade, dando grandes espaços para o rap na programação — e sendo recompensados. O quarteto Haikaiss e a cantora Clau também angariaram boa parte do público apesar do horário também cedo, Tropkillaz & Rincon Sapiência fizeram todo mundo dançar ao entardecer e Cynthia Luz fez um show lotado no palco dos artistas locais.

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Djonga. Foto: Frank Bittencourt/Divulgação

Mas não foi só o jovem do hype (e, acreditem, há MUITOS em BH) que teve seu momento no festival. Outras vertentes e gerações da MPB também tiveram vez e, em alguns momentos, vieram em dose dupla, para contrastar suas diferenças e engrandecer suas similaridades: Milton Nascimento e Criolo prestaram homenagem a Brumadinho juntos num show cujas críticas foram de "Boca de Lobo" a "Cálice" e Céu e Jorge Ben Jor animaram a festa já quase ao fim do festival. Seu Jorge, o novato Vitor Kley (aquele do hit "O Sol") e o grupo mineiro Lagum também representaram o gênero.

Se vocês perguntassem pra mim, eu diria que faltou um grande representante da música popular brasileira e, junto ao rap, uma das maiores cenas em ascensão em Minas: o funk. Cabia tranquilamente um MC Rick num horário modesto ou, quem sabe, até um MC Delano como headliner pra substituir o Raimundos, que ficou completamente deslocado ao final do festival. A música eletrônica, como é o caso em 90% dos festivais brasileiros, esteve representada por uma mesma galera do EDM-farofa que a gente já conhece bem, como Illusionize, Bruno Martini e companhia.

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Milton Nascimento e Criolo. Foto: Bárbara Dutra/Divulgação

Juntando mais de 37 mil pessoas no Mineirão — número que ficava bem aparente pelas grandes filas e tumultos para entrar e sair dos palcos —, o Planeta Brasil completou dez anos de existência sabendo equilibrar públicos e contemplando algumas gerações do que entendemos por MPB. O festival ainda peca um pouco por uma falta de diversidade, mas esta sétima edição foi um passo em uma boa direção.

Veja mais fotos do festival:

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Céu e Jorge Ben. Foto: Nathália Pacheco/Divulgação
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Seu Jorge. Foto: Frank Bittencourt/Divulgação
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Djamila Ribeiro subiu ao palco para homenagear Brumadinho junto a Criolo e Milton. Foto: Bárbara Dutra/Divulgação
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Foto: Phillipe Guimarães/Divulgação
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FBC e Djonga. Foto: Frank Bittencourt/Divulgação
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O festival durante o show de encerramento, do rapper Wiz Khalifa. Foto: Gustavo Belém/Divulgação

A repórter Amanda Cavalcanti viajou à convite da organização do festival.

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