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Sexo

Testei cinco táticas pra fazer os caras me deixarem em paz na balada

Algumas se mostraram mais eficientes que outras.

por Nicole Garcia Merida; fotos por Rhys Thomas; Traduzido por Marina Schnoor
23 Julho 2019, 2:07pm

Fotos: Rhys Thomas

Vou descrever uma cena com que toda mulher está familiarizada, infelizmente:

Você está num bar, já tomou uns três drinques, está se desviando de copos plásticos abandonados e moços que acharam uma boa ideia usar um “colete casual” na vida real, quando um cara com bafo de cachaça chega atrás de você. Se tiver sorte, ele vai escolher não encostar em você antes de dizer oi. Mais provavelmente o que vai acontecer é: ele vai te abraçar pela cintura. Com muita sorte: esse cara – que você nunca viu na vida – vai encostar a mala nas suas costas.

Nesse ponto você pode vazar, mas às vezes encontra um desses caras excepcionalmente otimistas que na real se sente encorajado pela sua rejeição. Quando você encara uma situação dessas, qual o jeito mais fácil de fazer o cara se pirulitar o mais rápido possível? Passei uma noite conduzindo experimentos na balada para descobrir.

A Careta

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Demorou um pouco pra pessoa certa chegar e eu testar essa estratégia; a maioria dos caras imediatamente ficava perto demais do meu corpo para realmente ver meu rosto.

Desapontada, mas não surpresa, continuei esperando a oportunidade perfeita. Finalmente, alguém me abordou no fumódromo. Ele começou a falar muito perto do meu rosto, olhando direto nos meus olhos. Encarei o moço, me afastei e contrai meu pescoço para ficar com o máximo de queixos que pudesse.

Ele pareceu confuso, mas continuou falando. E falando. E aí falou mais um pouco. Não mudei de expressão por pelo menos um minuto – que é muito tempo para ficar imitando um peixe-bolha – e ele não se tocou.

Eventualmente, minha amiga se aproximou e o cara foi embora. Então meio que funcionou? Mas foi uma coisa A Careta + eu não ter dito uma palavra pro rapaz perceber que não adiantava continuar essa conversa unilateral.

Nota: 6/10

A Gripe

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Antes de sair de casa, perguntei pro meu namorado o que costumava fazer ele perder o interesse quando falava com mulheres em festas. “Quando alguém está doente”, ele disse. “Não quero seus germes na minha boca.”

O que faz sentido. Então quando um cara chegou em mim no bar, comecei a tossir como se estivesse com o pulmão podre.

“Tudo bem aí?”, ele perguntou. “Quer uma água ou alguma outra coisa?”

“Tô bem doente esses dias”, eu disse.

“Bom, talvez fosse melhor ter ficado em casa então.” Aí ele foi embora.

O cara foi legal em perguntar se eu precisava de alguma coisa – então não foi um resultado imediato, mas ainda assim: claramente funcionou.

Nota: 8/10

O Grito

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Essa tática é minha favorita: simples, eficiente, catártica e uma boa piada mesmo.

Eu estava tentando chegar até o bar, já bem suada e descabelada nesse ponto, quando – sem aviso e sem apresentação – outro cara começou a se esfregar em mim. Quando me virei pra olhar, ele sorriu e se inclinou pra falar na minha orelha. Abri a boca e soltei um grito bem alto e agudo.

Ele franziu a testa, e perguntou agressivamente: “Qual o problema, meu amor? Qual o problema?”. E eu continuei gritando. Não demorou muito pra ele desistir.

Nota: 10/10

As Perguntas Pessoais

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Quando contei essa pro meu namorado, ele disse que o cara ia simplesmente mentir. Mas é claro que, quando encarando perguntas sobre histórico familiar, plano pros próximos cinco anos, e quantos filhos eles querem ter, a maioria dos caras daria no pé, como fazem em toda série, né?

Não. Que eles estivessem mentindo ou não, esse foi um dos métodos menos eficientes, mas rendeu conversas interessantes.

“Minha mãe precisa te ver comigo primeiro, sabe”, disse um cara. “Quando ela ver que você me ama, ela vai te amar também.”

Quando perguntei sobre filhos, outro moço respondeu “Tantos quanto Deus me der”.

Nota: 2/10 para o método, mas as conversas foram nota 10.

O Namorado

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Por incrível que pareça, essa tática deu certo – mas acho que porque tive sorte de ser abordada por um cara muito respeitoso. A coisa começou de um jeito simpático, com ele perguntando meu nome e de onde eu era.

“Nicole, sou da Guatemala”, eu disse.

“Ah, que legal! Você pode falar um pouco sobre a cultura de lá?” Nesse ponto, ele aceitou o suposto convite que dei pra ele – dizer meu nome em voz alta – para chegar muito perto da minha cara.

“Tenho namorado”, eu disse.

“Ah. Bom, acho que vou ter que ler na Wikipédia, né.” E foi-se embora.

Nota: 9/10

*

Essas foram situações leves, claro, mas o ponto é que, em 2019, as mulheres ainda não podem curtir a balada sem ser tocadas ou agarradas sem consentimento.

Essa experiência diz muito sobre consentimento em clubes noturnos. Consentimento aparentemente é descartado e varrido pra baixo do tapete, como se as regras não se aplicassem depois que você paga pra entrar. Infelizmente, precisamos dizer de novo para os homens do mundo, se uma mulher não responde positivamente aos seus avanços, aqui vai uma dica boa: Deixe a moça em paz.

Matéria originalmente publicada pela VICE Reino Unido.

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