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Munchies

Um cara abriu um restaurante chamado Trump na Síria

Não há notícias sobre como vai o negócio depois que os EUA jogaram mais de 50 Tomahawks sobre o país.

por Jelisa Castrodale
13 Abril 2017, 1:43pm

Este artigo foi originalmente publicado no Munchies .

No Trump Grill, um dos restaurantes da marca "Trump" instalados na Trump Tower, o menu inclui um Filet Mignon de US$ 34 dólares [cerca de R$ 100], um Hambúrger Platinum de US$ 22 [cerca de R$ 70] e uma Sandwich Mar-A-Lago, por US$ 21 [cerca de R$ 60]. No restaurante Trump em Kobani, na Síria, a ementa inclui uma espécie de shawarma de falafel e... é isso.

É verdade, Waleed Shekhi, um bem intencionado (ou talvez mal orientado), curdo sírio, deu ao seu restaurante o nome do 45ª presidente dos Estados Unidos, na esperança de que, assim, pudesse dar algum impulso ao negócio. A um jornal curdo, o empresário afirmou que queria expressar a sua gratidão aos Estados Unidos pela ajuda prestada ao povo curdo na luta contra o ISIS.

"Ele é o líder dos EUA, o país mais fantástico do Mundo", disse Shekhi ao ARA News. E acrescentou: "Nós, curdos, adoramos os Estados Unidos, portanto adoramos Donald Trump e foi por isso que dei o seu nome ao meu restaurante".

Este vídeo foi gravado em Janeiro. Agora, não temos notícias sobre como vai o negócio, depois que os EUA bombardeou a Síria na passada semana.

Ao Kurdistan24, Shekhi diz, por outro lado, que o restaurante é apenas um de vários empreendimentos que tem desenvolvido nos últimos tempos, à medida que tenta — tal qual a própria cidade, aliás — voltar a refazer a vida depois de anos de conflito. A abertura do restaurante Trump aconteceu dois anos depois de soldados Peshmerga, o Free Syrian Army e a People's Protection Units, com o apoio aéreo norte-americano, terem juntado forças para libertar Kobani do domínio do ISIS (actualmente, a Força Aérea dos EUA tem uma recém-ampliada base aérea perto de Kobani, no Norte da Síria, perto da fronteira com a Turquia).

"Um esforço hercúleo permitiu limpar as ruas, mas a energia eléctrica e o fornecimento de água ainda não estão completamente restabelecidos", escreveu o The Atlantic sobre Kobani, em Outubro de 2016. E acrescentou: "Embora o comércio esteja voltando à vida (há lojas que até já voltaram a ter montras), mais de metade das estruturas residenciais ainda de pé são pouco mais que cascas de cimentos".

O restaurante Trump tem, de fato, uma vitrine que dá pra rua. "Espero ganhar algum dinheiro com este pequeno estabelecimento de comida, porque eu e a minha mulher servimos aqui sanduíches deliciosos e, além disso, o nome é um atrativo", fala Shekhi (de acordo com o Departamento de Estatísticas das Nações Unidas, os sírios ganham, em média, cerca de US$ 1.820 dólares por ano, o que significa dizer que o Shekhi teria que trabalhar durante uma semana inteira para poder pagar o Filé Mignon no Trump Grill).

E, por mais incrível que pareça, este nem sequer é o primeiro restaurante com o nome Trump a abrir portas no Oriente Médio nos últimos meses. Em dezembro, o Trump Fish tornou-se o restaurante da moda em Duhok, cidade localizada no Curdistão iraquiano (fica a mais ou menos 500 quilômetros de Kobani, se você estiver pensando numa possível "RoadTrump").

E, fiel ao seu nome, também no Trump Fish há apenas uma coisa no cardápio: masgûf, uma carpa grelhada na brasa, que é considerada o prato típico do Iraque. Nedyar Zawity, o dono do Trump Fish, de 31 anos de idade, disse à Reuters na época de sua abertura, que adora o Trump e que esperava poder abrir um segundo restaurante, mas, desta vez, nos Estados Unidos. "Dêem-me um visto e estou lá amanhã", garantiu.

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