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The Gaslamp Killer comanda a festa de 10 anos do Só Pedrada Musical

O produtor, que toca nessa sexta (20) no Audio Club, contou ao THUMP como desde cedo conquistou seu espaço na cena eletrônica/experimental de L.A.

por Amanda Cavalcanti
20 Maio 2016, 7:10pm

The Gaslamp Killer, foto via Facebook.

Se você já pôde curtir sons curados por Questlove, Dãm-Funk e Kid Koala no Brasil, é tudo graças ao DJ, jornalista, editor e pesquisador musical Daniel Tamenpi. O carioca radicado em São Paulo, que já tocou ao lado de gente como DJ Shadow e Afrika Bambaataa (pouca coisa, né?), além de ser o idealizador das festas paulistanas Collab 011 e Jazzy, fundou há uma década o blog Só Pedrada Musical.

Nos seus dez anos de existência, o SPM fez uma porrada de festas em São Paulo e outras capitais do Brasil, trouxe um bocado de gente massa pra tocar por aqui e, é claro, galgou seu nome como grande entusiasta das hip-hop-eletronicagens. Pra comandar a comemoração desse rolê com estilo, ninguém melhor que o figuraça The Gaslamp Killer, que fecha a noite no Audio Club nessa sexta (20), na festa que marca uma década do blog.

Não deixe a barbona e jeitão de hippie te enganar. O californiano conheceu a cena eletrônica e experimental de Los Angeles aos 12 anos de idade e, desde então, mostrou que sabe brincar com as crianças grandes; tendo ganhado o apelido "Gaslamp Killer" quando começou a se apresentar no distrito de Gaslamp. Hoje, o DJ é assinado à Brainfeeder, selo liderado pelo Flying Lotus; fundou a Low End Theory, festa semanal hip hop/eletrônica de L.A. (que, há alguns anos, estreou também em Londres) e é constantemente comparado a nomes gigantescos como DJ Shadow e J Dilla.

Thundercat, GLK e Flying Lotus no SXSW de 2014. Foto via Facebook.

Exagero? Talvez, mas não dá pra negar que o Gaslamp cavou um lugar só seu pelas bandas de lá e vem tentando fazer o mesmo no resto do mundo — talvez não por mera coincidência seu primeiro e, por enquanto, único álbum de estúdio (que, apesar da longa duração de sua carreira, foi concebido apenas em 2012) se chame Breakthrough (ou "ruptura"). Quando a gente bateu um papo, ele me contou o quanto a música punk influenciou suas primeiras produções e sobre os sons brasileiros que o Madlib o apresentou.

THUMP: Você é DJ há um bom tempo. O quanto a cena eletrônica de Los Angeles mudou desde que você começou?
The Gaslamp Killer: Los Angeles sempre teve uma cena eletrônica forte, experimental. Desde que tinha 12 anos, tenho frequentado eventos na cidade e nenhum gênero é deixado de lado. Cada cena tem seu público e cada público tem seu lugar. É um ambiente simbiótico para artistas quando comparado com a maioria das cidades. Com o Low End, somos todos amigos mesmo, o que leva ao relacionamento natural no palco, como artistas e promoters por trás dos panos. Além disso, tudo é muito mais popular agora, com os maiores públicos que já vimos, e graças à internet, podemos divulgar nosso som.

Além disso, como a sua relação com a música mudou ao longo dos anos?
A música é meu primeiro amor, a coisa mais importante na minha vida além da minha família, minha namorada e meu gato. Toco todo dia e gravo todas as noites. É o que eu faço. Não piro em caçar discos quando viajo porque prefiro conhecer a natureza e o ambiente ao meu redor, mas ainda vasculho bastante na internet em busca de novidades todos os dias.

Como você acha que crescer em San Diego, que tem uma puta cena rock'n'roll forte, influenciou o seu som?
Minha irmã mais velha, Becky, era promoter de uma casa noturna e me levava pra shows de punk rock desde muito cedo. Comecei ouvindo rock mesmo e bandas como The Locusts me influenciaram muito ao crescer, especialmente a performance, a energia que as bandas punks passam é das mais empolgantes do mundo. Crescer ouvindo aquilo certamente me influenciou e continuo tentando encaixar algo de rock no meu set sempre que possível.

Na sua opinião, o que é mais importante para um DJ: pesquisar música ou produzir a sua própria?
Comecei como arquivista e turntablist, obcecado com quebradas de bateria e samples, mas ao passo em que fui envelhecendo, percebi que a música que mais me chamava a atenção era a mais simples, e quando parei para ouvir com atenção, isso me deu confiança para criar minhas próprias canções, o que me levou a gravar música ao vivo com músicos de verdade. Acho que ambos são extremamente importantes e, pra mim, nenhum é mais importante que o outro.

O que você tem feito? Há planos para um novo disco?
Finalmente concluí meu novo disco e ele é todo ao vivo. Não posso falar muito agora, mas anúncios serão feitos em breve e estou bastante satisfeito com o resultado.

Você já veio ao Brasil antes? Quais as expectativas em tocar aqui?
Toquei no Brasil no Do Over em agosto de 2015, tanto no Rio quanto em São Paulo. Foi uma das coisas mais divertidas que já fiz e um dos melhores sets que já toquei. Estou muito empolgado pra voltar e fazer com que seja ainda mais bacana dessa vez.

Você escuta música brasileira?
Amo música do Brasil, mas não conheço muita coisa. Aprendo algo de novo todos os dias. Da última vez que estive aí com o Madlib, ele me levou numas lojas de discos e me ajudou a sacar mais de música brasileira.

Você acaba sendo bastante comparado com nomes como DJ Shadow e J Dilla. O que você acha disso? É muita pressão?
É uma honra ser comparado a mitos. Mas não acho que role pressão porque temos nossos estilos e isso é o mais complicado desse lance de ser músico – encontrar sua própria voz.

Tradução: Thiago "Índio" Silva

Só Pedrada Musical 10 anos
Sexta-feira, 20 de maio, no Audio Club.
R$ 40, a partir das 23h

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