Drogas

Não, drogados não financiam o terrorismo

Costumamos ouvir sobre como os jihadistas ganham dinheiro com o tráfico de heroína ou como o Estado Islâmico faz milhões com drogas. A real é que não vemos quase nenhuma evidência sobre isso.

por Max Daly; Traduzido por Marina Schnoor
26 Setembro 2016, 10:00am

Um policial iraniano atrás de drogas apreendidas numa delegacia em Taibad, fronteira com o Afeganistão. Foto por Vahid Salemi / AP / Press Association Images

Esta matéria foi originalmente publicada na VICE UK.

Aqui vai um desafio. Como você transforma extremistas religiosos em gângster amorais e faz usuários de drogas parecerem financiadores do terrorismo ao mesmo tempo?

É só transformar todos os militantes islâmicos em "narcoterroristas" financiados pelo tráfico. Tcharam! Um míssil de desinformação atingindo um jihadista armado e qualquer um que compra ou vende drogas. Uma ótima história para fazer os leitores derrubarem o pão com manteiga no café da manhã.

E é fácil ver por quê — não diga que você não fica tentado a clicar nas seguintes manchetes:

"JIHADISTAS ESTÃO INUNDANDO O REINO UNIDO COM MACONHA"

"ISIS GERA MAIS DE $1 BILHÃO ANUALMENTE TRAFICANDO HEROÍNA AFEGÃ"

"NOVO RISCO NA FRONTEIRA: ISIS TERIA LIGAÇÃO COM CARTÉIS MEXICANOS"

"MAIS DE METADE DA HEROÍNA NA EUROPA AGORA VEM DO EI"

Em 2014, o porta-voz do DEA (Drug Enforcement Administration) Rusty Payne comentou esse casamento perverso entre terroristas e traficantes: "Globalmente, o tráfico de drogas não é apenas uma questão criminal, uma questão de saúde e segurança, é uma questão de segurança nacional. O vício e o abuso de drogas no mundo financiam e abastecem [exércitos] insurgentes. A maioria dos regimes terroristas do mundo são financiados por meio da produção de drogas ou taxando as rotas de tráfico pelo mundo. A ameaça é real".

Ainda assim, o negócio é o seguinte: a ameaça não é tão real assim. Na verdade, segundo Vanda Felbab-Brown, especialista internacional em conflito e crime organizado, essa é uma narrativa baseada em meias verdades que, em alguns casos, funciona para encobrir o envolvimento de autoridades governamentais no tráfico de drogas.

"Muitas dessas ligações são bastante exageradas e baseadas em evidências extraordinariamente fracas", diz Felbab-Brown, membro sênior do Center for 21st Century Security and Intelligence em Washington, Nos Estados Unidos, uma das think tanks mais respeitadas e antigas dos EUA. A narrativa do "narcoterrorismo", segundo ela, é baseada "em muito drama e mito".

LEIA: "Como o legado de violência de Pablo Escobar motiva as guerras entre cartéis hoje"

Por exemplo, muitas das histórias retratando o Estado Islâmico como peça-chave do fornecimento global de heroína é propaganda patrocinada pelo governo russo. A história é repetida por oficiais e meios de comunicação russos porque faz EUA e Inglaterra ficarem mal na foto. O fracasso da Coalizão em reprimir o cultivo de papoula no Afeganistão depois da invasão em 2001 levou a grandes colheitas de ópio, segundo a história, que não só enchem os cofres do EI, mas também criam o que os políticos americanos e britânicos secretamente queriam: milhões de russos viciados em heroína. O que já se mostrou conversa fiada — rotas de tráfico de heroína passam pelo território do país há muito mais tempo —, mas se os jornais dão tinta para a história, logo as pessoas começam a acreditar.

"Muitas das histórias retratando o Estado Islâmico como peça-chave do fornecimento global de heroína é propaganda patrocinada pelo governo russo."

Na verdade, o Estado Islâmico (EI) — atualmente a maior ameaça terrorista global — tem pouco envolvimento no tráfico de heroína, cocaína e cannabis para o mundo. Os grupos terroristas islâmicos estão longe de ser um bando de Pablos Escobar barbados com alcance internacional.

"EI, Al-Qaeda e o Talibã não são narcoterroristas. São terroristas que simplesmente taxam tudo na sua área — algo muito localizado", diz Felbab-Brown. Ela estima que as drogas são uma das "menores fontes de renda" do EI. Segundo um relatório do começo de 2016 sobre as finanças do EI pela firma de análise americana IHS, 50% da renda do grupo — estimada em $56 milhões por mês — vêm de taxações e confiscos, e 43% vêm do petróleo. Os 7% restantes vêm de várias fontes, incluindo venda de energia elétrica, doações e drogas. O dinheiro que o EI realmente recebe do tráfico vem indiretamente, como parte do sistema de taxação de todos os bens e serviços, como alimentos, transporte, combustível e matéria-prima trazidos e vendidos em territórios sob seu controle.

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Na verdade, a ligação entre terrorismo global e tráfico de drogas muitas vezes se mostra apenas uma cortina de fumaça encobrindo o envolvimento dos governos. "Há tantas ligações de governos com o tráfico de drogas quanto com o terrorismo", diz Felbab-Brown. "É mais fácil culpar terroristas do que a corrupção institucional. Lembre-se, o melhor jeito de traficar drogas é trabalhar para a autoridade antinarcóticos."

De instituições inteiras a indivíduos corruptos, figuras dos governos do noroeste da África — em Mali, Guiné-Bissau, Libéria, Nigéria e Serra Leoa — têm ligação com o tráfico de cocaína e produção de metanfetamina. Então não é surpresa que as autoridades desses países estejam particularmente propensas a espalhar desinformação sobre o papel do terrorismo islâmico no tráfico. É um jogo antigo: autoridades também já foram pegas mergulhadas até o pescoço no tráfico em países como Afeganistão, Paquistão, Myanmar, Turquia, China, Itália e Peru.

"É mais fácil culpar terroristas do que a corrupção institucional. Lembre-se, o melhor jeito de traficar drogas é trabalhar para a autoridade antinarcóticos." — Vanda Felbab-Brown

Felbab-Brown aponta que a maioria dos traficantes, sem surpresa, vê o ISIS como um parceiro perigoso de negócios, não só pela capacidade de violência extrema do Estado Islâmico, mas porque eles atraem atenção máxima das autoridades e inteligência militar. E o EI não está mancomunado com os cartéis mexicanos, como disse o senador republicano do Arkansas Tom Cotton em 2014. A história assustadora era baseada em paranoias de um analista de defesa desacreditado.

O terrorismo de hoje raramente se envolve com tráfico de drogas fora de sua área. Mas isso não significa que EI, Al-Qaeda e o Talibã não lucram com o tráfico. Isso acontece, mas em graus diferentes.

O Talibã — responsável por uma longa lista de atrocidades, incluindo o assassinato de 148 crianças numa escola militar no noroeste do Paquistão em 2014 — tem o relacionamento mais próximo com o dinheiro do tráfico. Como muitos dos grandes jogadores no Afeganistão, como o governo e as forças da Coalizão, o Talibã percebeu em 1995 que se quisesse que a população ficasse do seu lado, eles não tinham outra escolha a não ser deixar os fazendeiros continuarem plantando ópio.

"Desde então, o Talibã tem patrocinado e taxado o cultivo de papoula e o tráfico dentro do Afeganistão", diz Felbab-Brown. "O ópio é a linha de vida econômica do Afeganistão. A mensagem do Talibã agora é que eles são 'protetores da papoula', defendendo o meio de sobrevivência da nação contra o governo kaffir de Cabul."

Fazendeiros afegãos colhendo ópio em campos de papoula do leste de Cabul. Foto: Rahmat Gul / AP Photo.

O envolvimento do Talibã com o comércio doméstico de ópio continua apesar da invasão e ocupação do país pela coalizão liderada pelos EUA entre 2001 e 2014. Mas fica restrita às fronteiras afegãs, com o tráfico externo sendo privilégio de autoridades corruptas do Paquistão.

"O Talibã está envolvido com parte do tráfico de ópio para o Paquistão. Mas esse negócio é dominado por associados dos principais partidos paquistaneses e figuras do exército e do serviço de inteligência do país. E, assim como os políticos afegãos que também lucram com o comércio de papoula, eles lavam esse dinheiro em Dubai e Emirados Árabes", diz Felbab-Brown. Ela estima que o cultivo de papoulas corresponde a 30 ou 40% da renda do Talibã de "dezenas de milhões de dólares por ano", com a maior parte vindo de levantamento de fundos no Golfo e Paquistão.

E a Al-Qaeda, o cérebro por trás do 11 de Setembro, um dos maiores atentados terroristas da história? Felbab-Brown diz que, uma década atrás, "laços dramatizados" chegaram até a mídia ligando o grupo ao tráfico "baseados em evidências duvidosas", mas a história acabou morrendo porque o grupo levou uma surra dos EUA no Afeganistão e Paquistão.

Em algumas partes do Afeganistão, a bandeira branca do Talibã foi substituída pela bandeira negra do ISIS. Na Província de Nangarhar, o EI proibiu o cultivo de papoulas por razões de pureza religiosa, e também para tentar prejudicar as credenciais do Talibã. Mas colocar ideologia na frente do dinheiro tem saído caro para o EI, segundo Felbab-Brown. Não só eles perderam uma grande renda vinda do ópio, mas a proibição do cultivo de papoula — e ainda obrigar os fazendeiros a se tornarem soldados do EI — fez a população local se voltar contra eles.

Ainda assim, o Estado Islâmico não é um grupo uniforme, e para alguns combatentes do EI, velhos hábitos são difíceis de largar. No norte do Afeganistão, a maioria dos soldados do EI são ex-membros do Movimento Islâmico do Uzbequistão, um bando que costumava contrabandear ópio e que, apesar de lutar sob a bandeira do EI, continua fazendo isso.

No Oriente Médio, o EI parece ter esquecido suas credenciais de pureza. Há rumores de que o ISIS começou a taxar operações e contrabando de haxixe no Líbano e arredores. No entanto, o laço entre o EI e as drogas vem na forma do mercado ilegal da anfetamina Captagon, uma droga que caiu no colo deles depois da descoberta de uma série de fábricas produzindo as pílulas na Síria. Há evidências fortes de que o EI, sabendo do enorme mercado para a droga no Oriente Médio — especialmente na Arábia Saudita e Jordânia — decidiu taxar sua produção e patrocinar seu movimento pelas fronteiras da Síria.

Tuesday Reitano, chefe da Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional, diz que o EI tem uma relação conflituosa com o tráfico de drogas no Oriente Médio. "Traficantes pegos no território do EI costumam ser executados. Ainda assim, o Captagon é produzido na Síria e traficado pela fronteira até Turquia e Líbano. O que não quer dizer que o EI está diretamente envolvido na produção ou tráfico: seu modelo de financiamento até agora tem sido taxar o movimento de bens, tanto lícitos quanto ilícitos, por seu território, exigindo pagamento dos próprios traficantes."

Reitano diz também que a Líbia se tornou um centro para o tráfico de drogas prescritas, e há evidências de que apreensões de grandes remessas de Tramadol na Grécia estavam destinadas ao EI para serem usadas como medicamento no campo de batalha, além do mercado recreativo.

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Segundo Reitano e Felbab-Brown, há depoimentos de refugiados sírios, além de combatentes do EI capturados e mortos, apoiando investigações anteriores de agências de notícias de que o Captagon está sendo usado para abastecer combatentes do EInos campos de batalha. Mas essas histórias devem ser tratadas com precaução. Várias notícias na imprensa global sugeriam que no ataque de novembro de 2015 em Paris, os terroristas teriam injetado Captagon para realizar o massacre, o que se mostrou falso. Nenhuma droga foi encontrada no sistema deles, e as seringas e tubos plásticos achados nos apartamentos dos perpetradores eram equipamento para fazer bombas, não parafernália para injetar drogas, como a mídia sugeriu na época.

Na década passada, a narrativa do narcoterrorismo mudou para o surgimento de uma rota de cocaína pela porta dos fundos da Europa, da Colômbia para a África Ocidental e por terra através do deserto do Saara até a costa norte da África. Existem alegações de que muito do lucro proveniente do tráfico estão sendo apreendidos por grupos jihadistas do noroeste da África, como a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI). Mas quão sólida é essa informação, a primeira ligação entre terroristas islâmicos e cocaína, uma substância amplamente consumida no Ocidente, e que permite que os entusiastas da guerra às drogas comprem um papelote para financiar homens-bomba?

Uma pesquisa da Fundação Kofi Annan sobre os laços entre tráfico de drogas, extremismo e terrorismo na região descobriu que "os rumores sobre narcoterrorismo no Sahel [na África Subsaariana] são equivocados". O autor Wofram Lacher, um associado do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança, disse: "muitas das evidências apresentadas como base para essas afirmações podem ser facilmente desmentidas ou são impossíveis de verificar".

Mais importante, o relatório conclui que os terroristas estão longe de serem os peixes grandes do tráfico de drogas. "Vários outros agentes têm papéis iguais ou mais importantes no tráfico de drogas, incluindo membros do establishment político e de negócios no norte de Mali, Níger e capitais da região, além de líderes de grupos armados supostamente 'seculares'. Essa ênfase na ligação entre tráfico e terrorismo no Sahel serve apenas para tirar a atenção dos agentes do estado e a corrupção que permite que o crime organizado cresça."

Reitano também diz que tudo isso não passa de um jogo de espelhos: "Já viajei muito pela região do Sahel desde a crise de Mali em 2011, e nunca ouvi nenhuma autoridade, nacional ou internacional, dizer que apreendeu drogas em conexão direta com a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico ou outros grupos terroristas na região".

Ela acredita que as ligações entre drogas e terrorismo na região foram exageradas para privilegiar políticos, em mais de um sentido. "Acho que a ameaça no Sahel foi aumentada porque serve a objetivos políticos [daqueles que se opõem ao EI] tanto antes como depois da crise no Mali", ela diz. "Na verdade, oficiais do governo no norte de Mali provavelmente veem mais lucro com o tráfico de drogas do que com o terrorismo."

Reitano me disse que mesmo que drogas passem pelo Saara, os carregamentos geralmente são de haxixe barato. Ela diz que "há um pequeno fluxo de cocaína que entra por países da costa da África Ocidental, como Guiné-Bissau e Guiné, viajando depois através do Saara, o que caiu significativamente depois que as operações contraterroristas da França começaram".

Um afegão cheira heroína em Cabul. Foto por Rahmat Gul / AP / Press Association Images.

Em vez de insistir em acusações infladas de narcoterrorismo na região, Reitano diz que "a nova tendência para se observar nesse espaço é a evidência crescente de produção de metanfetamina. Laboratórios e superlaboratórios já foram encontrados em Gana e Nigéria, e os padrões de apreensões sugerem que a droga também pode estar sendo produzida em Mali, e pouco se sabe sobre o grupo no controle disso".

Podem ser terroristas, podem ser pessoas operando com conivência das autoridades. Segundo Virginia Comolli, analista sênior do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, as evidências vindas da Nigéria mostram que terroristas não têm mais chances de estar envolvidos com o tráfico que autoridades do governo, apesar de relatos de observadores regionais de que o Boko Haram seria mais um sindicato do crime que um grupo motivado por ideologia.

"Considerando que autoridades estão no centro do problema na região e que isso vem de muito tempo atrás, o tráfico é muito difícil de erradicar", diz Comolli. "Há rumores de ligações entre o Boko Haram e traficantes de cocaína colombiana, mas o grupo não está envolvido profundamente. Eles têm se envolvido com contrabando local de drogas, mas drogas nunca representaram uma fonte significativa de renda, diferentemente de outras atividades criminosas como roubo a bancos e extorsão. Jornais nigerianos dizem que membros do Boko Haram foram pegos com 'drogas pesadas', mas se tratava de cannabis para consumo próprio."

"Alguns sonham que se o tráfico de drogas acabar, o terrorismo também vai desaparecer."

Talvez a obsessão com terrorismo e tráfico de drogas esteja acorrentada ao passado, em um tempo em que esse relacionamento simbiótico — como o Talibã no Afeganistão — floresceu. Até o novo tratado de paz, as FARC na Colômbia eram as principais beneficiadas pelo comércio de cocaína, junto com Sendero Luminoso e os Sandinistas no Peru. E apesar de negarem, os dois lados do conflito religioso da Irlanda do Norte receberam renda do tráfico de drogas.

Na África, Mokhtar "Caolho" Belmokhtar, também conhecido como Mr. Marlboro por seu papel no contrabando de cigarros na região do Sahel, usava o lucro do tráfico de drogas para comprar armamento. No Oriente Médio, a produção e tráfico de drogas há tempos financia conflitos violentos. O PKK, os Tigres Tâmeis e o Hezbollah já se envolveram com o tráfico. Ocasionalmente, drogas são a moeda usada na encomenda de um ataque terrorista específico: como promotores espanhóis afirmaram ser o caso nos atentados de 2004 em Madri.

Mas há uma desvantagem em exagerar a narrativa do narcoterrorismo. Quanto mais a verdade sobre grupos como o Estado Islâmico — e como eles operam — é obscurecida por mentiras e exageros, menos chance temos de derrotá-los. Quanto mais ênfase é colocada no tráfico de drogas, mais atenção se desvia das principais fontes de lucro deles. Alguns sonham que se o tráfico de drogas acabar, o terrorismo também vai desaparecer.

Felbab-Brown alerta que isso leva a políticas equivocadas. "Essas falácias na verdade prejudicam o contraterrorismo: a falácia de que se interromper o tráfico de drogas, você vai derrotar os terroristas. Não há um único exemplo disso na história — seja no Peru, Colômbia, China, Myanmar, Líbano ou Tailândia — porque grupos terroristas não são financiados por drogas; ou a falácia de que não podemos negociar com grupos terroristas porque eles são criminosos sem uma agenda política, porque estão envolvidos com drogas."

Essa narrativa enviesada também pode enfiar o mundo em outra missão da guerra às drogas, onde indivíduos já demonizados no tráfico, como usuários e pequenos traficantes, serão punidos como financiadores do terrorismo islâmico e punidos como inimigos do estado.

Como se combater o terrorismo já não fosse difícil. Como se a guerra às drogas precisasse de mais incentivo: a narrativa fabricada do narcoterrorismo promete ser outro tiro no pé na luta contra esses inimigos tão evasivos, as drogas e o terrorismo.

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