All the young punks: o eterno estilo da subcultura mod e skinhead britânica
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All the young punks: o eterno estilo da subcultura mod e skinhead britânica

De Margate a Blackpool, Owen Harvey viajou pela Inglaterra documentando o mundo dos mods e skinheads modernos.
15 Abril 2016, 1:00pm

Matéria original da i-D.

As redes sociais tornaram tudo instantaneamente acessível, então é fácil exaurir o anima das culturas jovens, com a gentrificação as empurrando ainda mais para as margens da sociedade. Mas isso não significa que as subculturas estão desaparecendo, se tornando exposição de museu ou algo de uma era passada — as subculturas ainda resistem, e apesar de algumas terem seguido novas direções, outra mantêm a tocha acesa para uma nova era de ouro. Fotogênicos, hedonistas e inconformados, mods e skinheads nunca desapareceram.

Meio que um Derek Ridgers da geração millennial, o fotógrafo de Londres Owen Harvey tomou para si a missão de documentar essas cenas nos dias de hoje, as capturando em Londres, Brighton, Blackpool, Liverpool e Margate. Apesar de serem tão diferentes quanto o dia e a noite, Mods UK e Skins encontram terreno comum no retrato visualmente dinâmico do grupo a que pertencem. Coincidindo com sua exposição no Warrington Museum & Art Gallery este mês, falamos com Owen sobre subcultura, inspiração e influências criativas.

O que te atraiu para o tema da subcultura e quais são seus interesses como fotógrafo de uma maneira geral?
Owen Harvey: É uma progressão natural, já que eu tinha uma banda e música é uma parte tão forte da subcultura. Sempre gostei de mods e skinheads, eles têm grandes atributos — orgulho, comunidade, estilo, música e herança. Sempre me interessei pela ideia de comportamento humano e identidade.

Como você se conectou aos temas?
Eu conhecia alguém da minha escola que estava na cena mod e achei que seria interessante conhecer mais sobre isso. Quando fui até eles, fui imediatamente fisgado. A primeira vez que você vai para uma noite mod é uma experiência incrível, mesmo como alguém de fora. As pessoas dançam, de verdade, até as 6 da manhã.

Com os skinheads foi um pouco diferente, já que me pediram para fotografar um evento skin para a Fred Perry. Passei o primeiro dia bebendo com eles e conhecendo um pequeno grupo, que hoje são meus amigos. A inspiração continuava vindo das pessoas que eu estava fotografando. Eles tinham um senso forte de energia que me atraiu. Energia é contagiosa, seja canalizada através da dança, das roupas ou de uma mentalidade positiva.

O movimento skinhead tende a ser associado com algumas coisas negativas. Como foi sua experiência?
Não enfrentei nenhum desafio pessoalmente, eles foram algumas das pessoas mais amigáveis e abertas que já encontrei. Às vezes alguém faz comentários pouco educados sobre as pessoas nas minhas imagens, mas isso geralmente leva a um resultado positivo, com as pessoas aprendendo sobre a herança da subcultura.

No que você estava mais interessado em capturar nesses retratos?
Os rostos e o estilo daqueles envolvidos com a cena, e espero que essas imagens reflitam o caráter desses indivíduos.

Seus retratos de skinheads são bastante íntimos.
Passei algum tempo em ambientes fechados com skinheads: finais de semana, compartilhando quartos, etc. Talvez por isso algumas das imagens parecem tão íntimas, mas essa foi apenas a maneira como o projeto evoluiu.

Onde você encontrou seus melhores temas?
Londres, Brighton, Blackpool, Liverpool, Margate e outros lugares da Inglaterra. Eu diria que os mods mais incríveis geralmente são de Londres; a cena skinhead é mais espalhada, então é difícil dizer.

O que você espera alcançar com seu trabalho?
Espero documentar as duas subculturas inteiramente. Parece que é importante documentar essas subculturas agora: a cultura moderna muda muito rápido e mais jovens vivem através da tecnologia. Não há uma mensagem em si, mas as imagens são uma celebração e espero que isso fique evidente.

owen-harvey.com

Tradução: Marina Schnoor

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