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Noisey

Aldair Playboy vem da putaria, mas está romântico em "Amor Falso"

Conversamos com MC sobre a parceria com Wesley Safadão e Kevinho no arrocha mais desiludido de 2018.

por Amanda Cavalcanti
19 Junho 2018, 10:00am

Foto via página do Aldair no Facebook

No fim de 2017, o pessoense Aldair Playboy entrou na nossa lista de melhores lançamentos do ano com a dobradinha de hits “Senta Porra” e “Vai Toma”, que fizeram sua fama e a de seu DJ Lowhan no Nordeste e até um tanto fora dele com os versos que exalavam da putaria que a gente ouve hoje no funk paulista e no bregafunk pernambucano (“Te dou pirocada de baixo pra cima / E tu dá bucetada de cima pra baixo / Senta porra, vai / Senta porra, vai caralho”). O seu disco de estreia, Baile Transa Reggae, é recheado de sons na mesma brisa.

Eis que, em 2018, Aldair e seus hits voltam com força total, mas com um tom bem mais ressentido do que aquele que o popularizou ano passado. “Amor Falso”, um arrocha romântico que discorre sobre um término, estourou do dia pra noite depois que o MC postou um vídeo cantando o som no Instagram; semanas depois, a faixa foi regravada com a participação de ninguém menos que Wesley Safadão e MC Kevinho. Segundo as paradas do YouTube, a música é a mais escutada na plataforma há duas semanas e seu clipe já tem 32 milhões de visualizações.

O som ficou tão grande que chegou até Copa do Mundo. Na última sexta (15), o Neymar postou um stories no Instagram em que ouve a música e a coloca pro Marquinhos dançar, logo antes de um treino da seleção.

Aldair vem de uma leva de artistas do Nordeste, principalmente no bregafunk, que começa a tomar espaço em outras regiões do país — estouro esse que pode ter começado com a MC Loma, como a gente explica na terceira parte da matéria que conta a história do gênero. A gente trocou uma ideia com o MC sobre o sucesso de “Amor Falso”, cair numa farsa de amor e curtir um Rodriguinho.

Noisey: Como você começou a se interessar por música, e como isso virou um interesse profissional?
Aldair: Já tive algumas profissões, mas sempre cantava no paralelo, nas rodinhas com os amigos, na comunidade. Apareceu a oportunidade de cantar na banda Swing dos Playboys e aceitei, mas mesmo assim, continuei com o meu trabalho no paralelo. No momento que consegui manter minha família com a música, me dediquei somente a ela.

"Amor Falso" não é uma composição sua, certo? Como o som chegou até você?
A composição é dos MC Rogerinho, Walber Cassio e Felipe Ennzo, eles são lá do Ceará. Não aceitei de cara porque estava acostumado com os proibidões que agitavam os bailes. Mas como eles sempre me mandavam canções, acabei apostando e deu certo, graças a Deus!

Qual foi a repercussão quando você lançou a primeira versão de "Amor Falso"?
Foi tudo muito rápido, explodiu rápido demais. Lancei um vídeo cantando ela no Instagram e, no outro dia já tinha aumentado muito o meu número de seguidores. Logo o vídeo rodou todo o Nordeste e até agora estou sem acreditar.

Como a música chegou no Safadão, e como vocês tiveram a ideia de regravar ela com o Kevinho?
Somos do Nordeste, a música está muito forte lá e no Spotify. Conheci o Wesley em um show e passamos a nos encontrar mais nesses bastidores. De repente ele fez o convite e, para ajudar ainda mais na força dessa música, chamou o Kevinho. Estou muito feliz com a parceria deles com o meu trabalho.

Você já caiu numa farsa de amor?
Olha, quem nunca? (risos) Mas graças a Deus não tive essa experiência. Me casei muito novo.

Você se apresentou em São Paulo recentemente, né? Como acha que o seu som (e o bregafunk num geral) ressoa com o público fora do Nordeste?
O nosso ritmo soa diferente para o resto do Brasil, é uma coisa nova. O público nordestino adora uma novidade nos shows, não tinha noção que a galera do Sul e Sudeste iam abraçar esse estilo musical também. Foi uma grande surpresa que me deixou muito feliz.

De um tempo pra cá, vimos artistas do bregafunk começar a sair em grandes portais, como o KondZilla, e conquistarem mais espaço no resto do país. A situação pra vocês melhorou num geral, na sua opinião?
Esses portais se tornaram uma grande vitrine para muitos artistas que existem em nosso país e que não tem recursos financeiros e os contatos certos para se lançarem no mercado. Minha opinião é que isso é uma ótima oportunidade para reconhecermos essas pessoas.

Quem são suas maiores inspirações musicais, nacionais e internacionais?
Gosto do Chris Brown, gosto do Rodriguinho (ex-Travessos), gosto do Wesley e mais um monte de gente.

No ano passado você engatou hits que iam mais pro lado putaria, como "Senta Porra" e "Vai Toma". Você abandonou esse lado pelo romântico ou ainda pretende investir nele?
Minha vida e minha carreira estão mudando junto com esse novo estilo. O “batidão romântico” é top, consigo atingir um público mais variado e isso é muito legal, mas não vou deixar também de gravar as outras batidas.

Quais são os próximos passos pra Aldair Playboy?
Lancei recentemente, nas plataformas digitais, com a Márcia Fellipe o single “Deixa Eu te Fazer Feliz” e estou trabalhando em um CD. Tem muita coisa boa pra rolar. Esperem!

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