Noisey

A noite da diva: na balada com Pabllo Vittar

Entre muita make, shots de vodka e selfies, a drag maranhense radicada em Uberlândia fala sobre sua trajetória, música e seu primeiro EP, ‘Open Bar’.

por Felipe Flores
02 Dezembro 2015, 8:23pm

Era um sábado à noite no final de outubro, quando me encontrei com Pabllo Vittar, a drag que ficou famosa depois de lançar o clipe "Open Bar", uma versão bem brasileira e colorida do hit instantâneo "Lean On", do Major Lazer.

Para você entender: "Open Bar" é um hit que poderia não ter existido. Antes de contar com os vocais potentes da Pabllo, o som seria mais um dos ótimos remixes feitos pelo Omulu e o Strausz. O projeto, porém, foi deixado de lado e Gorky – do Bonde do Rolê - acabou responsável por produzir o primeiro EP da Pabllo, também chamado de Open Bar. O primeiro som da parceria de Gorky com Pabllo deu tão certo que até o Diplo curtiu o som e compartilhou no Twitter.

Nas palavras do próprio Gorky: "O trabalho com a Pabllo fluiu de uma maneira bem tranquila e rápida, pois como moramos longe, sempre aproveitamos quando estávamos juntos pra gravar o máximo de músicas possíveis", diz Gorky. O produtor ainda realça que ter amigos produtores como Omulu, Masa, Strausz e o Maffalda fez o trampo ficar ainda mais divertido. Com cinco faixas, Open Bar EP saiu nesta quarta (2) — e está tudo disponível pra download aqui.

Ao longo desta quarta (2), serão lançadas as músicas de Pabllo a cada duas horas, acompanhe:

Mas antes do boom, Vittar, com quem me encontrei no Centro de Uberlândia prum esquenta da balada, já se dedicava à carreira de cantora. Ela me contou que começou a cantar ainda mais nova (hoje com 21 anos), em São Luís, no Maranhão e no Pará, onde também morou — com direito a uma passagem pelo coral de em uma igreja presbiteriana.

"Comecei a viajar e a fazer show com 15 anos. A música entrou na minha vida de uma maneira muito livre e muito solta", relembra Pabllo. "Meu padrinho, Aquiles, toca em uma banda de reggae chamada Tribo de Jah e me levava para shows".

Sobre suas influências, Pabllo cita artistas nacionais e gringos, de ontem e de hoje. "Minhas inspirações musicais são bem diversas", diz ela. "Minha mãe ouvia muito Maria Bethânia, Alcione — que é lá de São Luís, [ela é] maranhense também —, Elis Regina, Caetano Veloso...". "Fui crescendo e comecei a ouvir Beyoncé. Um pouco de Kanye, Rihanna, Kesha, Britney", lista.

Pabllo, que não revela o nome de batismo, conta que começou a se travestir na época da universidade. "Comecei a me montar em Uberlândia em 2013, quando entrei na faculdade por conta de um trabalho do curso de design", relembra. "Me identifiquei muito com drag. Já fazia algumas coisas no meio, mas nunca tão sério e depois desse dia nunca mais parei."

Enquanto conversamos ao som de um rap gringo, a Pabllo pede para alguém colocar "Sorry", do Justin Bieber, para melhorar a vibe e continuar fazendo sua maquiagem. O papo segue e pergunto como está sendo o lance com os fãs que já até criaram perfis de fã clube no Instagram — Vittar Lovers. "O pessoal já me reconhece na rua e pede para tirar fotos. Eu tiro porque é legal, né?".

Depois de um tempo, Pabllo falou da dor no braço ao se maquiar, mas que gosta de fazer a própria make, isso porque nem sempre os outros acertam. "Sempre fiz tudo sozinha", diz ela. "O YouTube e a vida foram minhas professoras de make. Nunca ninguém me maquiou, pegou um lápis pra passar no meu olho e mostrar como é. Sempre fiz de tudo e tentei tudo até chegar no resultado que faço hoje."

Logo percebo que estamos em umas 10 ou 12 pessoas no apartamento, com gente se maquiando para todo lado antes de sairmos. Aquela noite era dia de Festa Halloween no Belgrano, balada que marcamos de ir no centro de Uberlândia. O lugar é pequeno, com um público bem fiel sempre afim de se soltar na pista e moer nos hits e nos clássicos que vão do pop ao R&B com todas as divas possíveis nesse balaio. Então, imagina a pegada da montagem das drags.

Entre uns copos de vodca, falsetes acompanhando "I Don't Fuck With You", do Big Sean, troca de perucas, danças ao som de "Bang" da Anitta e selfies, Vittar comemora dez mil seguidores no Instagram.

Quando chegamos no Belgrano a coisa foi ficando ainda mais animada, demos um "oi" para uma galera na entrada e fomos para pista. Lá, a Pabllo é VIP com direito a uma foto dela na parede e tudo mais. Rapidamente, uma galera na Belgrano começou a pedir para tirar fotos com a Pabllo. E entre descer até o chão e pegar um drink, ela sempre encontrava um espaço para selfies com o pessoal.

Foi então que começou a tocar "Open Bar" e Pabllo subiu como um raio para a cabine do DJ para animar a galera que começou a pirar durante a música. Muitos celulares com flashes piscando entre vídeo e fotos no Snapchat. Foi euforia geral.

Vittar ficou revezando entre a pista e a rua até que pude ver vários caras que passavam de carro mexendo com ela. Alguns assobios e outros falando coisas como "ô lá em casa". Mas Vittar ignorou com classe e não se deixou abater.

Voltamos para dentro e dançamos mais. Brindamos e viramos. Lá dentro, basicamente dançamos e cantamos. Novamente lá fora, fizemos mais umas fotos com uma galera que pediu, quando um cara chegou energicamente contando que tomava banho ouvindo "Open Bar". O fã contou isso várias vezes e fez umas fotos. Continuamos por lá conversando até a hora de vazar.

Sem dúvida, Pabllo Vittar está só começando. No recém lançado Open Bar, há versões de Rihanna, Ellie Goulding, Diplo, Major Lazer e Beyoncé, sempre naquela pegada brasileira misturando samba, funk, brega e rasteirinha — e a drag também conta que já já deve sair um clipe novinho.

Terminada a balada, de volta ao apê, o dia estava quase amanhecendo. Enquanto todos foram dormir, aproveitei para pegar o primeiro ônibus de volta para casa.

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