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Crédito: captura de tela

Pelo jeito a relação entre o MBL e o site Jornalivre é um pouco mais do que "amigável"

Equipe VICE Brasil

Nome de integrantes da cúpula do MBL estão entre os administradores do site Jornalivre.

Crédito: captura de tela

Em uma entrevista recente concedida ao jornal EL PAÍS, o Movimento Brasil Livre afirmou que a natureza de sua relação com o site Jornalivre era "Amigável, assim como é com diversos outros sites independentes". Apesar da resposta evasiva, a relação entre ambos é um pouco mais próxima do que isso. Em uma busca dentro do Jornalivre é possível encontrar os administradores do conteúdo do site, nomes que coincidem com membros do MBL — também responsáveis pelo que é postado no site bastante replicado nas redes do movimento.

Entre os autores, surge o nome "renanweik". Este é um dos nomes de usuários utilizados pelo coordenadores nacional do MBL, Renan Santos. Em uma busca rápida é possível conferir que Santos utiliza o mesmo usuário em sua conta do Instagram, por exemplo. Como boa parte das publicações do Jornalivre, a maioria do conteúdo publicado pela conta vinculada ao nome de Santos não é assinada. Em alguns casos, os textos são assinados com o nome "Rafa Silva".

O autor de número 8 do Jornalivre é "renanweik", mesma conta de um dos coordenadores nacionais do MBL. Na montagem: o post original do site, à esquerda ; conteúdo do código fonte da mesma postagem, no canto inferior direito; e conteúdo da página de autores do Jornalivre, no canto superior direito.

Este nome também é encontrado assinando publicações de outro autor, identificado no site como "leafar" ("rafael" ao contrário). Embora o nome não entregue, o link da página do autor revela que se trata de Rafael Rizzo. Rizzo está entre os responsáveis por diversas peças de comunicação do MBL, sendo apontado pelo jornal Folha de S. Paulo como um dos "memeiros" que o movimento têm apostado em suas comunicações mais recentes. No site, o usuário vinculado a Rizzo também apresenta publicações com as assinaturas de "André Silva", "Julio Santos".

Um terceiro usuário na página do Jornalivre possui o nome "fgalbier", conta de Francine Galbier. Diferentemente dos outros dois membros do grupo, Galbier chega a assinar alguns dos textos do site. A ativista do grupo foi protagonista do vídeo em que acusou o projeto de fact-checking Truco, produzido pela Agência Pública, de tentativa de censura.

O site é registrado de forma a não revelar o nome de seu responsável e foi hospedado em servidores nos EUA. Ainda segundo a reportagem do EL PAÍS, o Jornalivre é utilizado pelo movimento para, entre outras coisas, perseguir jornalistas que publicam textos contrários a suas posições. O movimento foi recentemente apontado pela Abraji como o responsável por mais de 50% das perseguições feitas a profissionais de imprensa neste ano no Brasil.

Página com todas as matérias postadas pelo autor "leafar", autor vinculado à conta "rafarizzo".

Ainda segundo a reportagem do El País, não apenas jornalistas estão entre os alvos do movimento. Em um arquivo de áudio, Flávio Hernandes, membro do MBL, recomendou esforço total da organização contra o promotor eleitoral José Carlos Bonilha. Em suas palavras, "levantar a vida dele, descobrir, fuçar, porque é um canalha". O jornal apontou que o resultado do levantamento feito por membros do MBL foi publicado no site Jornalivre.

O Jornalivre já foi apontado em mais de uma ocasião como propagador de notícias falsas, as famosas fake news. O Catraca Livre chegou a apontar que o editor do site seria Roger Scar, um ex-diretor da juventude catarinense do DEM. O uso de plataformas com textos não assinados, muitas vezes sem fonte e com manchetes de impacto para influenciar no debate político não é uma novidade brasileira. Sites de notícias falsas ajudaram a dar maior alcance a histórias falsas como o Pizzagate, que nos EUA, ajudou a unir vários setores da direita e fortalecer a candidatura de Donald Trump poucos meses antes da eleição em 2016.

Procurado pela reportagem, um integrante do MBL identificado apenas como Pedro afirmou que "o Jornalivre é parceiro nosso, mas não é alimentado por eles [Renan Santos e Rafael Rizzo], não". Sem responder outras questões, Pedro pediu para a reportagem entrar em contato com a assessoria de imprensa do grupo. Até o momento da publicação deste texto, a assessoria do MBL não se posicionou sobre o caso.

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