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Dois buracos negros se comeram e ondularam o tecido do espaço-tempo

Mais uma confirmação de que Einstein estava certo, pessoal.

por Lisa Cumming; Traduzido por Amanda Guizzo Zampieri
07 Junho 2017, 1:34pm

Crédito: LIGO/Caltech/MIT/Sonoma State (Aurore Simonnet).

Visualize: aproximadamente três bilhões de anos atrás, dois buracos negros monstruosos colidiram – formando um buraco negro ainda maior – e criaram ondas no tecido do espaço-tempo as quais, no dia 4 de janeiro deste ano, foram detectadas aqui na Terra.

Simulação da união do buraco negro binário GW170104. Vídeo: Max-Planck-Institut für Gravitationsphysik (Albert-Einstein-Institut).

Essa é a terceira vez que as ondas gravitacionais foram detectadas pelos detectores do Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (LIGO), abrindo as portas para um jeito novo de observar o universo. O trabalho novo foi publicado no Physical Review Letters.

"A partir dessa descoberta, podemos aprender mais sobre a forma como as estrelas explodem", afirmou o pesquisador principal do projeto Harald Pfeiffer, da Universidade de Toronto, no Canadá, que também é Professor Associado do Instituto Canadense de Astrofísica Teórica. Ele integra a colaboração do LIGO, que inclui aproximadamente mil cientistas no mundo todo. "Trata-se da confirmação de que existe uma grande quantidade de buracos negros colidindo no universo", ele me contou pelo telefone.

Quando Albert Einstein desenvolveu sua teoria da relatividade, em 1915, ninguém poderia imaginar que haveria uma maneira de observar as ondas gravitacionais. Entretanto, em 2016, a primeira detecção foi anunciada, confirmando o que Einstein acreditava. Os detectores do LIGO deram aos cientistas uma nova forma de observar os buracos negros e novas informações sobre eles.

A colisão mais recente ocorreu entre buracos negros que são 31 e 19 vezes a massa do nosso Sol – e produziu um buraco negro 49 vezes a massa do Sol, transformando o restante da massa em pura energia gravitacional. Ela é duas vezes mais antiga e tem mais que o dobro da distância dos primeiros dois eventos, que ocorreram há 1,3 e 1,4 bilhões de anos, respectivamente.

"Temos a confirmação da existência de buracos negros de massa estelar maiores do que 20 massas solares – não sabíamos da existência desses objetos até a detecção pelo LIGO", afirmou David Shoemaker, do MIT, porta-voz da Colaboração Científica do LIGO, em uma declaração.

A colisão de dois buracos negros produz mais força do que toda a luz irradiada das estrelas e das galáxias ao mesmo tempo.

"O LIGO está se estabelecendo como um observatório para a revelação do lado escuro do universo", afirmou o diretor executivo do LIGO David Reitze. A colaboração espera ver outras bizarrices do universo em breve – como a colisão de estrelas de nêutrons, as quais são os núcleos que entraram em colapso das massivas mortas.