Guia Noisey para o rap feminino gringo em 2018
Saweetie via YouTube. 
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Guia Noisey para o rap feminino gringo em 2018

Nem só de Nicki Minaj e Cardi B se vive essa vida: a briga pela coroa do rap feminino é mais interessante no underground.
13 Setembro 2018, 10:00am

A coroa do rap feminino nunca foi tão disputada quanto nos últimos meses. Desde o lançamento de "MotorSport" em dezembro, single dos Migos do qual participam ambas Nicki Minaj e Cardi B, as duas maiores rappers mulheres de sua geração têm brigado a unhas e dentes (na verdade, sapatos) pelo posto aparentemente único de rainha do rap. Não à toa, Nicki intitulou seu terceiro e mais recente álbum de Queen.

A ideia de que só é possível existir uma rapper feminina de sucesso por vez se torna justificável quando olhamos para os números que cercam essas artistas. Em setembro de 2017, a Cardi B se tornou uma das cinco únicas rappers mulheres a alcançar o primeiro lugar do Hot 100 da Billboard com uma música solo — feito que ela conseguiu com o megahit "Bodak Yellow". A última a chegar a esse topo tinha sido Lauryn Hill em 1998 (!), com "Doo Wop (That Thing)".

A publicação norte-americana de hip hop XXL, que elege os 10 melhores novos rappers a cada ano, parece também só encontrar espaço para uma mulher por vez — quando encontra. Desde 2007, quando a edição especial da revista começou a ser publicada, as únicas rappers mulheres a serem escolhidas para a "freshmen class" foram Iggy Azalea, Kamaiyah, Angel Haze e, neste ano, Stefflon Don.

A real é que nem só de Nicki Minaj e Cardi B vive o rap feminino em 2018. Uma das razões pelas quais a internet é tudo é que a gente não precisa se prender a ouvir só quem já está estourando, e o underground norte-americano tem muita coisa boa rolando atualmente. Incluindo uma longa lista de rappers minas que lançaram ótimos discos esse ano. Acompanhe a lista abaixo:

Rico Nasty

A Rico, como muitos de seus contemporâneos, é uma das rappers que ganhou tração pelo seu catálogo no SoundCloud, plataforma onde ela vem lançando som desde 2015. De Nova York, ela traz aquele lado agressivo e convencido que todo bom rapper da costa leste tem quase naturalmente e mistura com umas referências de anime e cultura gótica, afinal, é 2018. No meio do ano ela lançou seu disco de estreia, Nasty.

Saweetie

A Saweetie, rapper da Califórnia, teve um hit relativamente grande no ano passado com "ICY GRL", um freestyle seu gravado por cima do instrumental da clássica "My Neck, My Back" da Khia. Esse ano ela lançou seu disco de estreia, High Maintenance, que já conta com o primeiro single "B.A.N" e produção de uma galera tipo CashMoneyAP e o gigantesco Zaytoven. Ela também acabou de lançar um som produzido pelo London on Da Track e com participação do Rich The Kid e G-Eazy.

Queen Key

Como todo rapper de Chicago que se preze de uns anos pra cá, a Queen Key começou debaixo da asa do Chance the Rapper e nesse ano puxou o holofote pra si com o disco Eat My Pussy, lançado em junho. Os versos sobre sexo explícito são a onda da rapper que, como ela disse à Pitchfork, acha importante falar que as mulheres também precisam se sentir satisfeitas sexualmente.

Tierra Whack

O disco da Tierra Whack é de longe um dos mais interessantes do rap em 2018 em termos de formato. Com 15 faixas de exatos sessenta segundos cada, a rapper da Pensilvânia pegou influência direta de caras como Tyler, the Creator pra fazer Whack World, um disco com momentos mais sonoramente diversos e coloridos quanto possível em 15 minutos. O disco também ganhou uma versão em álbum visual.

City Girls

As City Girls, dupla de Miami, ganharam mais notoriedade quando a voz delas foi parar no primeiro lugar do Hot 100 da Billboard: são as duas que aparecem cantando no refrão de "In My Feelings", do Drake. E elas colheram alguns dos frutos dessa fama com o lançamento do álbum Period, que ainda não conseguiram divulgar porque uma das partes do duo, J.T., está tendo que cumprir uma condenação por fraude – que foi inclusive um pouco adiada graças ao sucesso de "In My Feelings".

Cocc Pistol Cree

Eu conhecia a Cocc Pistol por um verso que ela fez num som do clipping. de 2014, mas em 2018 ela passou a lançar sons solo que faziam jus àquele verso: primeiro foi "Check Ya Man", depois "Face" (com o maravilhoso refrão "I sat on his face") e por fim a mixtape completa In My Feelings (sim, o mesmo nome do som do Drake) com trapzera atrás de trapzera.

CupcakKe

A CupcakKe já lançava som fazia no mínimo uns três anos mas, pra mim, ela só foi atingir seu potencial completo no Ephorize, disco que ela lançou bem no comecinho desse ano e que talvez tenha te passado despercebido. Tem pra todos os gostos: rap sexualmente explícito por cima de trap de flautinha, rap sexualmente explícito por cima de batida latina, rap sexualmente explícito por cima de uns beats meio hip house meio na onda da Missy Elliott (como "Duck Duck Goose" aí em cima). É bom demais.

Jean Grae

Chamando todos os fãs de raps nerds. Um dos bastiões do rap nerd underground, Quelle Chris, lançou nesse ano um disco que ele dividiu com a sua noiva e também veterana do underground norte-americano, Jean Grae. Nos sons antigos da Jean ela tem uma pegada mais hardcore-boombapzera-foda, mas em Everything's Fine ela entra na onda do Quelle e cospe uns versos bem espertões e conceituais.

Asian Doll

Carregando toda a história do rap do sul dos Estados Unidos consigo, a Asian Doll saiu do underground de Dallas graças a uma mão estendida de outra rapper feminina em ascensão, Bhad Bhabie, depois de aparecer no remix de "Hi Bich". De lá pra cá ela lançou a mixtape Doll Szn e seu último single, "Southside", foi produzido pelo gigante Southside, da 808 Mafia.

DreamDoll

A DreamDoll tem de fato a voz de boneca que o nome implica e carregou o tema de feminilidade exacerbada nas duas mixtapes que ela lançou entre esse ano e o ano passado, Life in Plastic 1 e 2. A rapper nova-iorquina já colaborou com a veterana Lil Kim e contemporâneos do tamanho de Lil Uzi Vert. Na primeira faixa de Life in Plastic 2, ela deixa claro: "I'm not Nicki, I'm not Cardi / I'm DreamDoll, not Barbie".

Stefflon Don

A Stefflon não é do underground americano – na verdade, a rapper é de Birminghan e começou a carreira aparecendo nuns sons de grime e dancehall de seus conterrâneos – mas a primeira vez que eu ouvi falar dela foi na faixa "Better", uma das minhas preferidas do primeiro disco do Lil Yachty. Ela só foi me chamar a atenção definitivamente quando destruiu todos seus companheiros de fresmen class da XXL nos cyphers e freestyles desse ano e, desde então, ficou bem mais nos radares dos americanos com o lançamento do seu primeiro disco SECURE.

Bhad Bhabie

Lembra do meme do "cash me ousside, howbow dah"? Sim, a protagonista Danielle Bregoli (ou Bhad Bhabie) foi capaz de construir uma carreira de rapper por cima de somente uma frase. Mas a real é que a rapper de 15 (sim, 15) anos tem lançado um sons até que bem legais se você curte aquele trapzinho ligeiramente genérico com uns bons feats, como Lil Yachty em "Gucci Flip Flops". Ela ainda não lançou um disco, mas já saiu no New York Times, então façam aí as contas.

staHHr

Se você tá esgotadíssima das trapzeras e quer curtir um boombapzinho em paz, a staHHr, MC de Atlanta que construiu uma carreira sólida através do seu catálogo no Bandcamp, é a escolha certa pra você. Comece pelo RESPECT DUE VOL. 1, que ela lançou no começo deste ano.

Junglepussy

A Junglepussy é, desses nomes todos, a que me deixa mais impressionada que não tenha bombado tanto ainda. No rolê desde 2014, a rapper de Nova York já recebeu salve de uma galera como Erykah Badu, Nicki Minaj e Lil Kim e faz um som que fica naquela linha cada vez mais tênue entre o pop rap e o R&B — que ela aperfeiçoou ainda mais no seu terceiro disco, JP3, lançado em maio.

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