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Music by VICE

A primeira mixtape da nova-iorquina Embaci é uma colaboração entre o NAAFI e a NON Records

Trocamos uma ideia com a cantora sobre a multi-nacionalidade de seu projeto de estreia.

por Amanda Cavalcanti
05 Outubro 2016, 4:05pm

Em cantos distantes deste mundão, dois coletivos de música eletrônica vêm fazendo barulho para fora de seus respectivos países e continentes: o latino-americano NAAFI, projeto de 12 produtores mexicanos que nasceu na Cidade do México pelas mãos de Tomás Davó, Mexican Jihad (que, inclusive, se apresentará no festival carioca Novas Frequências, em dezembro) e Paul Marmota; já o NON Records é um coletivo internacional, mas que foca em produtores africanos e da diáspora.

A conexão entre os dois coletivos se deu pela cantora e compositora nova-iorquina Embaci. Foi um lance meio lugar certo, hora certa: enquanto alguns membros do NON e do NAAFI estavam em residência artística na Red Bull Studios, em Nova York, Embaci foi convidada a conhecê-los e, do único encontro dos artistas envolvidos, surgiu a primeira colaboração entre os coletivos.

NON vs NAAFI é uma mixtape de 12 faixas, entre tracks e remixes, que consiste em samples da mesma faixa de voz gravada por Embaci; cada uma com diferentes cortes e produções de uma galera como Elysia Crampton, Angel-Ho, Chino Amobi, Imaabs e Lao. O projeto foi lançado no dia 8 de setembro — de lá pra cá, consegui entrevistar a Embaci por e-mail e sacar como a as diferentes influências dos artistas envolvidos se deram no trabalho. Ouça NON vs NAAFI e leia a entrevista abaixo:

THUMP: Desde quando você canta/faz música? Você cresceu num ambiente familiar musical?
Embaci: Desde criança, eu sempre amei explorar sons. Minha mãe me colocou em diferentes corais e em uma aula de guitarra quando eu era muito nova. Quando eu fiz 8 anos, comecei a escrever músicas, mas nada que eu mostrasse pra outras pessoas. Eu fiquei mais aberta com a minha música quando tinha uns 13 anos. Música sempre esteve envolta na minha casa, principalmente o calipso e a soca [gêneros musicais afro-caribenhos], mas eu sempre escutava outros gêneros também.

Como apareceu a oportunidade de ter uma mixtape produzida pelo NON e o NAAFI? Você já conhecia os coletivos?
A [produtora americana] Elysia Crampton me convidou para fazer um show com ela em maio, em Nova York. Nesse mesmo fim de semana, ela me convidou pra ir ao Red Bull Studios e eu conheci membros do NON e do NAAFI. Aí, eu gravei a faixa improvisada. Eu conhecia o NON e o Chino Amobi porque foi ele quem mostrou minha música à Elysia, mas foi divertido conhecê-los pessoalmente. Eles se tornaram grandes amigos e artistas com quem colaborar.

Quais foram as suas inspirações para as letras da faixa?
A letra é sobre uma garota guerreira declarando seu valor. Ela é real.

Você gravou a faixa já sabendo como seriam os instrumentais? Como você acha que sua voz soa em beats tão diferentes?
Eu gravei a faixa com um instrumental que nem está na mixtape. Foi só uma colaboração entre todo mundo do NON e do NAAFI naquele dia no estúdio. No começo, eu achei que as pessoas não conseguiriam se conectar com aquilo porque é o mesmo vocal sendo sampleado, mas eles são muito gênios. Cada faixa tem sua própria identidade.

Como você acha que todas as influências de diferentes nacionalidades convergem nesse projeto?
Esse projeto foi um caso global e isso é lindo. Música tinha que sempre ser assim, acho. Porque pessoas do mundo todo vão ouvir, certo? Então por que não incorporar sons e artistas do mundo todo no seu trabalho, também?

NON vs NAAFI é, em geral, bem sonicamente diverso. O que você acha que amarra o álbum todo?
Eu adoro o quão diversos os sons são neste projeto, e eles são todos de diferentes tonalidades, também. Muitas das faixas se chamam "Frequency" de propósito, o sample é o mesmo mas a faixa é cada vez produzida de uma maneira totalmente diferente.

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