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Games

O Videogame Novo de 'Hora de Aventura' É mais Medíocre que Matemático

O jogo não conseguiu nem de perto ser uma experiência mais legal do que simplesmente assistir o desenho do Cartoon Network.

por Mike Diver
01 Dezembro 2015, 9:30am

Mesmo se você for o maior fã de Hora da Aventura – fora aquele cara que grita que o desenho "não é só pra criança" no bar no sábado à noite –, eu te perdoo por ter perdido o lançamento do novo videogame baseado na série. O jogo da desenvolvedora Vicious Cycle, Finn & Jake Investigations, saiu em 6 de novembro, no mesmo dia que Black Ops III e quatro dias antes de Fallout 4. Ou seja, não teve a mínima chance.

E, de novo, mesmo se você curtir tanto o desenho que encomendou o calendário do advento da marca, mesmo tendo 38 anos (pelo amor de deus, cara, pela centésima vez, não vou jogar Monopoly da Terra de Ooo com você), é melhor deixar esse lançamento na prateleira. Não que Finn & Jake Investigations seja o pior embuste de licenciamento que eu já vi – se eu for listar os piores casos, a gente fica aqui a semana inteira –, é só que o jogo fica sem graça muito rápido. O que, para um título baseado na produção animada mais colorida, fantástica e criativa do século 21, é um crime.

Entretanto, considerando os precedentes, já era de se esperar. Investigations é o quarto videogame grande baseado em Hora de Aventura, e nenhum deles chegou perto de representar uma adição essencial para qualquer colecionador. O melhor desses provavelmente é o primeiro, Hey Ice King! Why'd You Steal Our Garbage?!, que misturava seguir um mapa com sequências de pulos e luta em 2D. Os outros dois, você pode jogar no Mar da Morte Certa. Investigations tentou evitar os erros do passado, mas ainda ficou perto demais de levar um chute na bunda.

Primeiro, vale apontar que esse é um daqueles games "premium" caros que pretende mostrar toda a capacidade do seu console preferido, porém daria na mesma se fosse lançado para PS2. O jogo adota uma abordagem 3D para os gráficos e desaponta em quase todos os sentidos, menos nas cores, que são de queimar a retina como o desenho. Os modelos não ficaram certos, a sincronização dos lábios não existe, os ambientes são limitados e às vezes descaradamente sem graça, os personagens desaparecem assim que cumprem seu papel, além de vez em quando ser difícil pacas encontrar itens ou localizações importantes na tela e interagir com eles quando são vistos.

Investigations é essencialmente um quebra-cabeça de apontar e clicar em que você tem de encontrar as pistas e usá-las junto com outros personagens e/ou objetos para progredir nas cinco histórias (ou casos). Às vezes, essas pistas precisam ser combinadas para fazer uma ferramenta útil – você não vai conseguir pintar um personagem nas cores de um pinguim antes de combinar pincéis e latas de tinta no seu inventário. Às vezes, as soluções não são muito intuitivas, levando a uma mistureba de itens em menus bagunçados até que alguma coisa cole com outra. Precisa tirar um lobo de fogo de um porão? Você vai precisar de guidões. Se isso parece muito com Monkey Island pra você, parabéns: acertou. Só que é uma vergonha que o humor do desenho não tenha se transferido para elevar a jogabilidade rudimentar do jogo.

Você até acha alguns sorrisos nas dez horas de Investigations (talvez você termine antes, porém eu perdi um bom tempo procurando itens óbvios e pistas nos mesmos lugares por onde já tinha passado, porque ou sou idiota, ou porque o jogo não deixa as coisas claras), mas não risadas mesmo. Fazia anos que eu não assistia a South Park quando joguei o RPG de 2014 The Stick of Truth, e mesmo assim ri pacas do humor escatológico do jogo. A adaptação acertou na mosca o humor da série. Para mim, o momento mais engraçado de Investigations é quando você usa a calça do Rei Gelado como catapulta para jogar um pedaço de pizza murcha no bico de um pinguim errante. Eu dei uma risadinha, assim como em toda vez que um pinguim fazia "wenk" (porque sou inglês, e isso é quase um palavrão). Então, tem alguma graça ali, só um tiquinho, embora transmitida de um jeito tosco. Os dubladores do desenho obviamente sofreram com um roteiro raquítico; assim, o jogador vai ter de ignorar muitas coisas feitas com preguiça, como personagens que não se encaram quando conversam, para conseguir visualizar o que o game poderia ter sido. Um pouco mais de amor, um pouco mais de testes, e teria saído uma coisa muito melhor.

Quando você não está andando por aí com o Finn (o humano), sempre seguido pelo Jake (o cachorro), que você não pode controlar, por cada extremidade de todas as áreas para não perder nenhuma pista vital, você entra em sequências de luta que raramente parecem necessárias. Eu sei que as lutas são um elemento importante de qualquer título de Hora de Aventura – o desenho é parcialmente inspirado em Dungeons & Dragons, que tem sua porção de ação –, mas aqui essas partes foram desconfortavelmente marteladas no meio do enredo. Tem também alguns poderes legais que o Finn pode usar, dependendo da espada (que você vai melhorando com o jogo), e acertar os combos faz o time realizar ataques especiais; no entanto, as "horas de combate" são tão sem risco que parecem mais tarefas do que desafios, por maior que seja o prêmio depois.

Relacionado, no Noisey: Falamos com os caras por trás da trilha sonora de 'Hora de Aventura'

Investigations também tem uns pedaços de história ligados à sexta temporada do desenho, o mais óbvio sendo um caso com a Princesa Caroço, que é até legal; além disso, todos os personagens que você esperava num jogo de Hora da Aventura aparecem – até o babaca do Mágico. Mas é tudo muito óbvio, e rostos familiares acabam interpretando papéis vazios em cenários de doces. A criançada e alguns adultos mais cabeça de vento podem gostar do lado "aleatório" de algumas situações e rir um pouco sempre que alguém disser "bumbum de cachorro", embora, a menos que você tenha ido longe demais na sua obsessão por Hora da Aventura ou não ligue se o game é bom ou só te faz querer dar um soco na TV, você não precise disso. O videogame é mais medíocre que matemático.

Bom, mas ninguém realmente precisa de videogames. Sério. A aventura de verdade está... ah, cala a boca, Mike.

Adventure Time: Finn & Jake Investigations está disponível para quase todas as plataformas atuais da face da Terra, mas eu testei o jogo no Wii U. Porque é sempre legal jogar qualquer coisa nova no Wii U, né?

@MikeDiver

Tradução: Marina Schnoor.

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