Publicidade
Noticias

Debaixo de chuva, vermelho foi a cor mais quente

Do alto do carro de som, um sujeito frisou: "Não batemos panela. Nós vamos pra rua. A esquerda está nas ruas".

por Débora Lopes; fotos por Felipe Larozza
14 Março 2015, 2:00am

Hoje (13), às 16h, a Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, foi tomada por camisetas vermelhas num protesto convocado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores). A chuva intermitente não impediu que as 12 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, ou 41 mil, segundo o Datafolha, ou 100 mil, de acordo com a própria CUT, encarassem o ato que defendia os direitos da classe trabalhadora, a democracia, a reforma política e a defesa pela não privatização da Petrobras. Protestos similares foram organizados por todo o território nacional.

Munidos de bandeiras, servidores públicos, aposentados e estudantes bradavam palavras em prol do Brasil e criticavam a postura da imprensa, principalmente a Rede Globo – veículo que "apoiou a ditadura", como foi dito por alguém em cima do carro de som.

Integrante da CUT e diretor no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Dionísio Reis Siqueira ressalta que a Petrobras responde por 13% do P.I.B. "É a empresa que mais emprega no país. Qualquer forma de minar a Petrobras é minar o desenvolvimento do Brasil."

O panelaço organizado pela direita brasileira no domingo passado enquanto a presidente Dilma Rousseff fazia um discurso em rede nacional também entrou em pauta.

"Achei uma falta de respeito para com a maior autoridade do país", disse Alves Joaquim da Silva, metalúrgico aposentado que estava na manifestação. No microfone, um sujeito enfatizou: "Não batemos panela. Nós vamos pra rua. A esquerda está nas ruas". De fato, o mar de guarda-chuvas e as centenas de pessoas com chapéu de palha na cabeça mostravam uma esquerda clássica: a que defende os trabalhadores e critica a "mídia golpista". Ali, diferentes movimentos de luta por moradia mais o movimento estudantil, feminista e LGBTT somavam forças no ato que, de certa maneira, se contrapôs ao que presenciaremos no próximo domingo (15): protestos de rua por todo o país pedindo o impeachment da presidente.

Quando perguntada sobre a argumentação da direita, a aposentada Malvina Silva, de 75 anos, foi taxativa: "Se Dilma ganhou, é porque votamos nela. Dizem que somos pobres e miseráveis, e nós somos mesmo. Votamos nela e agora podemos comer. Antes não podíamos".

Por volta das 19h, a manifestação se dispersou na Praça da República. Nos próximos dias, as entidades que organizaram o ato de hoje apresentarão uma plataforma política de reivindicações para a presidente.

Em seu site, a CUT – preocupada em ter sua imagem veiculada com defensores da intervenção militar – deixou bem claro que "não participará dos atos de domingo". Em grupos de WhatsApp, mensagens com as "regras" para quem fosse ao ato pelo impeachment foram divulgadas. Entre elas, estão a proibição de bandeiras de partidos e recomendações de traje: usar vermelho e preto "lembra o PT e os black blocs".

Hoje, mesmo debaixo de chuva, vermelho foi a cor mais quente.

Tagged:
brasil
2015
Sao Paulo
petrobras
dilma rousseff
impeachment
Fotos
SP
Avenida Paulista
esquerda
democracia
pt
cut
protesto
Vice Blog
Masp
manifestação
direita
manifestantes
trabalhadores
intervenção militar
panelaço
protestos 2015
13 de março
13 vermelho
Central Única dos Trabalhadores