reportagem

Os anarquistas gregos estão cuidando dos refugiados melhor que o governo

Em meio à crise humanitária, refugiados têm privacidade, segurança e dignidade graças a ajuda de um grupo anarquista.

por Molly Crabapple
03 Maio 2017, 3:37pm

Esta matéria foi originalmente publicada na edição de março da revista VICE.

No dia 7 de julho, recebi uma mensagem no Facebook.

Meu nome é Mouaz Khrayba, de Daraa, Síria. Tenho 20 anos
Agora estou na ilha grega de Samos
Meu irmão era um dos jornalistas dos eventos na Síria
Espero ficar bem

Mouaz Khrayba, que foi colocado em contato comigo por um conhecido, tinha anexado fotos de refugiados protestando em frente às cercas de arame farpado em Samos. Muitos deles seguravam cartazes, um deles perguntando simplesmente: "Qual o nosso destino?"

Em 2011 Khrayba vivia com a família em Nawa, uma cidadezinha da província de Daraa. A mãe era professora, e ele cresceu como um dos oito irmãos num lar feliz. Na frente da casa deles havia um jardim com árvores frutíferas e hortas. As coisas mudaram durante as manifestações que desencadearam a Guerra Civil na Síria. O governo prendeu várias vezes o irmão dele, Zahar, que atuava como ativista da imprensa e organizador de protestos. No levante armado que se seguiu, sua casa foi bombardeada e queimada, e Zahar se juntou ao Exército Livre da Síria. Ele morreu por ferimentos de estilhaço cobrindo uma batalha em Nafaa. O pai de Khrayba também perdeu a vida na guerra.

"Não importa o que aconteça e quão longe vamos, as memórias continuam poderosas", Khrayba me disse mais tarde em árabe. "Mesmo quando esquecemos, elas nos assombram em sonhos e pesadelos." Em fevereiro de 2016, depois da morte do pai e do irmão, duas prisões, nenhum futuro e quatro anos entre "bombas que não fazem distinção entre pessoas e pedras", Khrayba e sua esposa decidiram deixar a Síria. Por 22 dias, eles passaram de cidade em cidade até conseguir ser passar pela fronteira turca. De lá, eles embarcaram numa balsa para a Grécia, onde acabaram no acampamento na ilha de Samos. Mas se antes os refugiados eram movidos dos acampamentos da ilha para o continente depois de alguns dias, Khrayba teve outro destino e foi detido.

Por meses, via mensagens no Facebook, Khrayba descreveu a vida difícil no acampamento em Samos: superlotação, calor sufocante, comida péssima. Sua esposa grávida, morando com ele numa barraca frágil, seu único abrigo, sofreu um aborto. Mas a pior parte era o caos mental de não saber seu destino ou mesmo a duração de seu confinamento.

Khrayba tirou fotos de tudo. O que começou como um hobby antes da guerra se tornou, com a revolução, um tipo de dever. Inspirado pelo exemplo do irmão, ele resolveu documentar a dor dos refugiados sírios de um jeito mais íntimo do que a mídia global poderia — do ponto de vista de um refugiado. As fotos que ele mandou com suas mensagens eram belas — uma, de uma criança sorridente, ele intitulou "Esperança na Noite" — ainda que ele também tenha capturado temas mais sombrios, como as cercas claustrofóbicas do acampamento, uma abelha sobrevoando comida estragada, mas tudo com um olhar cuidadoso e artístico.

Khrayba é uma das mais de um milhão de pessoas que, desde 2015, fugiram da guerra e pobreza na Síria, Iraque, Afeganistão e outros lugares em conflito para a Europa. Diferentemente de muitos desses refugiados, que, chegando à Grécia, conseguiram seguir para norte através dos Bálcãs para países como Alemanha e Áustria, Khrayba ficou no meio do caminho. No dia 9 de março de 2016, os vizinhos balcãs da Grécia fecharam suas fronteiras, interrompendo a rota para nações mais ricas da União Europeia, e prendendo cerca de 50 mil refugiados em território grego.

Com os refugiados se empilhando na fronteira e continuando a chegar na Grécia, a UE assinou um tratado com a Turquia em 18 de março, numa tentativa de abordar a situação de uma vez por todas. A UE prometeu dar a Turquia cerca de US$3,25 bilhões, além de acelerar a negociação da entrada do país na UE e viagens sem necessidade de visto para cidadãos turcos, entre outras coisas. Em troca, desde o dia 20 de março, a Turquia impediria a saída de barcos de refugiados de sua costa e ficaria com os refugiados que chegaram à Grécia através da Turquia. A UE também prometeu reassentar um número equivalente de refugiados da Turquia em outros países da UE.

ONGs denunciaram o acordo como uma traição da lei internacional de proteção aos refugiados. Céticos de que a Turquia fosse um país seguro, um comitê de apelação independente impediu a maioria das deportações, deixando aqueles refugiados que não conseguiram encontrar um contrabandista num estado de limbo, sendo a única esperança pedir asilo. Mas o serviço de asilo grego processa os pedidos num ritmo glacial, e refugiados de algumas nações recebem tratamento preferencial em relação a outros, que podem ter enfrentado os mesmos perigos em sua terra natal. Khrayba é um entre os 50 a 60 mil refugiados que continuam presos na Grécia, com o futuro pelo qual eles arriscaram a vida além de seu alcance.

Walid, um amigo de Mouaz Khrayba que conheci quando visitei o Centro de Recepção e Identificação de refugiados em Samos. Como Khrayba, ele também morou sete meses numa tenda precária.

Enquanto a maioria dos refugiados na Grécia mora no continente, até janeiro, 14 mil estavam presos em acampamentos, oficialmente intitulados Centros de Recepção e Identificação (apelidados de "hotspots") na ilha de Quios, Cós, Laros, Lesbos e Samos. No final de outubro, fui para Samos me encontrar com Khrayba e ver seu lar nos últimos sete meses. O perdi por alguns dias. Khrayba e a esposa finalmente tinham recebido seus documentos para ir para Atenas, onde esperariam por uma entrevista de asilo.

Era o período fora de temporada de férias, e além de funcionários das ONGs, a ilha estava morta. A crise financeira deixou a Grécia com pouco além de sua beleza, mas Samos tem isso em excesso. O mar e o céu conspiram para formar um tipo impossível de azul. Do outro lado do Estreito de Mícala, a Turquia parece perto. A balsa, porém, custa cerca de U$$40 — desde que você tenha o passaporte certo.

Os refugiados não viviam na cidade. A maioria estava presa num acampamento com várias camadas de cercas com arame farpado, que alguns residentes comparavam a Guantánamo. Construído para 600 pessoas, a população do acampamento, durante minha visita no final de outubro, inchou para mais de 2.400 — com mais gente chegando todo dia. Segundo uma fonte, menos de 2.100 continuavam lá no final de janeiro.

Depois da blitz de cobertura da mídia ano passado sobre as condições esquálidas em Lesbos e Idomeni, o governo grego praticamente fechou os acampamentos para a imprensa, então nem tentei conseguir um passe. Em vez disso, andei até ver um buraco que tinha sido cortado na cerca, por onde passava um fluxo de pessoas — algumas para comprar cigarros e mantimentos, outras apenas para esticar as pernas. Conheci Rusheen, de 39 anos, e seu marido, Jamal, numa colina fora do acampamento. Eles tinham chegado dois dias antes. O casal curdo veio de Alepo, onde Rusheen ensinava gramática árabe e redação para estudantes do ensino médio, uma profissão da qual ela tinha muito orgulho. A casa de Rusheen ficava no bairro de Bustan al Basha, na linha de frente do conflito. Ela descreveu a guerra num árabe falado rápido — as bombas e a destruição que os tiraram de sua casa — e, com amargura, a sujeira e a superpopulação no hotspot de Samos. Depois, ela se ofereceu para me mostrar o acampamento. Então entramos pelo buraco da cerca.

Os hotspots não foram pensados para ser um lugar para pessoas morarem. Até o acordo entre UE e Turquia, a maioria dos refugiados passava apenas algumas noites no lugar antes de serem mandados de barco para Atenas. Mas depois que o acordo entrou em vigor em 20 de março, recém-chegados ficaram oficialmente confinados nas ilhas. Os Médicos Sem Fronteiras imediatamente condenaram o acordo, e não querendo se envolver com detenção de refugiados, deixaram brevemente o país, junto com outras ONGs. Os Serviços de Recepção, um braço do governo grego, assumiu o controle dos acampamentos.

Os refugiados continuaram chegando, mas agora sem a perspectiva de ir para Atenas. A população do acampamento foi saindo do controle, e novas restrições aos refugiados criaram um mercado ideal para contrabandistas. Custa algo entre US$800 e US$1.200 por identidades falsas que permitiam embarcar na balsa. Pegar um avião exige mais — cerca de US$7.500, parte de um "pacote" de contrabando que inclui passaportes e acomodações depois do pouso do avião.

O hotspot de Samos já estava lotado, com a maioria dos refugiados morando em cabines de PVC, que pareciam contêineres com portas. Até que no final de outubro de 2016, o lugar estava tão além da capacidade que cada palmo do chão estava coberto de barracas. Dezenas de pessoas dormiam a céu aberto. As barracas eram do tipo simples, para uma pessoa, com espaço suficiente apenas para ajoelhar lá dentro, mas uma podia abrigar uma família inteira, com as pessoas tendo que dormir abraçadas em posição fetal, com uma simples camada de nylon as protegendo do chão de concreto. A água vazava dos banheiros químicos para o solo em cima de onde as pessoas dormiam.

Durante o verão, quando as temperaturas costumam chegar a 38º, as barracas forneciam pouca proteção. Elas também não eram à prova d'água, numa ilha conhecida por pesadas chuvas. Doenças respiratórias se espalharam, e em novembro, vários incêndios começaram a partir de pequenas fogueiras que as pessoas faziam para se aquecer. Poucas preparações foram feitas para o inverno. Apesar do ministro da imigração Ioannis Mouzalas ter dito em janeiro que "nenhum imigrante ou refugiado está passando frio", o voluntário Pru Waldorf, da Calais Action, me disse que 700 refugiados continuavam em barracas apenas em Samos, com mais de mil em dormitórios sem aquecimento. Outras milhares de pessoas definhavam no acampamento maior de Moria, em Lesbos, e em acampamentos em Salonica. Nesse inverno, vários refugiados morreram de frio na Grécia; uma das vítimas estava em Samos.

As cabines de plástico são ligeiramente melhores. As menores abrigam apenas algumas famílias, mas outras, cabines maiores, eram grandes dormitórios; fileiras de beliches habitados por homens, mulheres e famílias, que penduravam cobertores para ter alguma privacidade. A água era escassa na ilha em si e no acampamento. Muitos refugiados suspeitavam que a falta d'água frequente no acampamento não era por problemas no encanamento, mas a polícia intencionalmente cortando seu acesso. Trabalhadores humanitários em Samos me disseram que médicos encontraram hepatite na água.

Acima das pias dos banheiros químicos imundos, um cartaz se desfazendo ensinava os moradores como defecar e lavar as mãos. Apesar de o acampamento empregar uma empresa de limpeza, ela geralmente fazia um trabalho porco nos banheiros, então os refugiados tendiam a limpar eles mesmos as cabines. As fossas estavam constantemente entupidas, e dezenas de homens, mulheres e crianças tinham que dividir um único chuveiro. Em acampamentos infestados de assédio sexual, não havia banheiros separados para mulheres.

"Isso não é vida", me disse Rusheen, enquanto me guiava pelas cabanas. "Em Alepo tínhamos uma casa linda e limpa. A porta trancava."

Os refugiados falavam sobre as filas, a burocracia, as esperas infinitas para falar com os serviços de asilo. Um poeta de Mossul com um pé paralisado me mostrou um certificado do médico do acampamento, negando que ele era deficiente. A maior parte dos cuidados médicos consistia de aspirina e tranquilizantes. Em dezembro, um iraquiano de 41 anos morreu de ataque cardíaco depois de esperar quatro horas para ver um médico.

A comida não é muito melhor: muito do macarrão e batatas enviados por uma empresa terceirizada de Atenas chega a ser recusado até mesmo por cachorros, segundo um amigo. No começo de fevereiro, fotos dessas refeições cheias de larvas apareceram no Facebook. Os refugiados passam horas na fila esperando comida, até que a fome e a frustração acabam em brigas que a polícia do acampamento se recusa a separar. Todo mundo que pode evitar a comida do acampamento evita.

"Você acha que matérias dão em alguma coisa?", um cara jovem me perguntou. Ele era magro, o cabelo loiro, falando um inglês com pouco sotaque.

"Provavelmente não", eu disse. "Mas é importante registrar."

O nome do jovem era Walid (ele pediu que eu não usasse seu sobrenome). Ele tinha 25 anos, um palestino nascido em Hama, Síria, e era amigo de Khrayba. Foi a escrita dele que vi nos cartazes das fotos de Khrayba. O inglês quase perfeito de Walid era cortesia de uma namorada canadense e das escolas de língua particulares que ele frequentou desde a infância. Ele adorava carros: Corvettes, Dodge Vipers — a Califórnia e Tupac Shakur. Em 2012, quando ele era um estudante, a guerra na Síria começou a ferver. Sua mãe implorou que ele fosse para Dubai. "Você é meu único filho", ela pediu.

Ele passou os quatro anos seguintes em Dubai, às vezes trabalhando como cinegrafista, até que um dia, em 2015, sua permissão de estadia não foi renovada. Ele tinha apenas alguns meses para sair. "Eu só pensava na Europa", ele disse. Ele tinha chegado no acampamento de Samos oito meses antes com o pai e a irmã.

Na Grécia, Walid e sua família se viram num tipo de limbo bem familiar para os palestinos desde que eles fugiram ou foram expulsos de suas terras por milícias sionistas em 1948. O governo sírio não garantia nacionalidade para palestinos sírios, mesmo se eles, e seus pais, tivessem nascido no país. As autoridades gregas muitas vezes não os classificam como sírios, mas como palestinos; às vezes até deixam a nacionalidade em branco. Isso cria confusão e faz o processo de asilo se arrastar, enquanto os refugiados são deixados mofando em barracas na neve.

Depois de se registrarem, disse Walid, os palestinos em Samos esperam em vão por entrevistas de asilo; seus nomes nunca são chamados. Até janeiro, Walid me disse que apenas um palestino em Samos conseguiu uma entrevista. Sem essas entrevistas, ele disse, os palestinos não podem ganhar os documentos de residência que permitem que eles se assentem na Grécia, nem conseguem um cartão que os permite deixar a ilha e ir para Atenas, onde muitos esperam encontrar contrabandistas que os ajudem na jornada cada vez mais difícil rumo ao norte. Walid me mostrou seu cartão de registro. Ele só tinha um carimbo vermelho dizendo "samos".

Walid assistiu seus amigos sírios partirem, e novas chegadas incharem o acampamento. "Sete meses e nada mudou. Apenas mentiras e falsas promessas. O inverno está chegando. Não podemos esperar. Estamos pensando em procurar os contrabandistas."

"'Isso não é vida', me disse Rusheen, enquanto me mostrava as cabines. 'Em Alepo, tínhamos uma casa linda e limpa. A porta trancava.'"

Tanto o governo grego como as maiores ONGs internacionais receberam centenas de milhões de dólares para lidar com a crise. Mas grande parte desse dinheiro não está chegando a quem precisa; muito dele ainda não foi gasto. Em janeiro, o jornal alemão DW descobriu que mau gerenciamento, indiferença e falta de coordenação estavam mantendo os refugiados em barracas cobertas de neve, enquanto o governo grego, a UE e as ONGs trocavam acusações pela falha.

Voluntários da Calais Action e da Samos Volunteers atuam nessa brecha. Geralmente com ideologia de esquerda, grupos voluntários trabalham com pouquíssimo orçamento, mas, sem os embaraços da hierarquia e burocracia de muitas ONGs e organizações governamentais, eles conseguem fornecer suprimentos que você esperaria virem de entidades muito maiores e melhor financiadas — em Samos, eles fornecem papel higiênico, fraldas, leite, roupas e sacos de dormir. Até terem problemas financeiros, eles também forneciam as barracas. Além disso, eles montaram cafés e exibições de filmes, aulas de língua, compram móveis para os refugiados e facilitam partidas de críquete.

Mas eles só podem ajudar até certo ponto. Os acampamentos são currais, não habitações. Clement Perrin, chefe da missão dos Médicos Sem Fronteiras na Grécia, me disse: "Você não passa seis meses num centro de triagem. Você passa uma semana. Aí você tem que ser transferido para outro lugar ou deve receber de volta o controle sobre sua vida". Com suas condições de vida determinadas inteiramente por outras pessoas, o desespero dos refugiados é exacerbado por uma longa e incerta espera para descobrir seu destino.

Mas as pessoas que buscam refúgio na Europa não são passivas. O protesto que Mouaz Khrayba documentou foi um de muitos atos de resistência descritos por refugiados e trabalhadores humanitários. Os refugiados já fizeram vários protestos no hotspot de Samos. Eles fizeram cartazes dizendo "Chega de Fronteiras Racistas", "Justiça para o Povo", "Precisamos de uma Vida Melhor", "Desde 1948 Somos Sem-Teto", e gritaram "Morte, mas não humilhação", um slogan que ficou famoso durante a revolução síria. Um grupo organizou uma greve de fome. Quando as autoridades trancaram o acampamento — impedindo que refugiados deixem os acampamentos por 25 dias depois de sua chegada —, os refugiados cortaram as cercas.

Em setembro, um jovem paquistanês chamado Ayman tentou colocar fogo em si mesmo. Seu asilo foi negado. Em seus sete meses no acampamento, ele tinha gasto cerca de US$2.700 dólares com contrabandistas em esforços inúteis de fuga. Depois que a última tentativa falhou, seu contrabandista se recusou a devolver seu dinheiro. Ayman derramou gasolina em sua cabeça, acendeu o fogo, e correu para o posto policial do acampamento. Refugiados jogaram água nele, mas ele foi hospitalizado com queimaduras sérias nos braços e rosto.

A frustração coloca as pessoas umas contra as outras. Em 13 de maio, uma revolta étnica estourou em Samos. Os paquistaneses disseram que foram os argelinos quem começaram. Os árabes culparam paquistaneses bêbados. Mas o principal culpado era o acampamento em si. Homens jovens que tomaram parte na revolta de dois dias descreveram o incidente como uma batalha militar — varas e lixeiras em chamas sendo usadas como armas — enquanto mulheres e crianças fugiam em pânico e a polícia assistia a tudo de sua cabine trancada. Numa segunda revolta, algumas semanas depois, partes do acampamento pegaram fogo. As crianças brincavam pelos escombros, um monumento do fracasso do acampamento.

Quando falei mais tarde em outubro com Elisa Freni, coordenadora de campo do Gabinete Europeu de Apoio ao Asilo (EASO em inglês), que ajuda os serviços de asilo da Grécia com os pedidos, sobre os processos aparentemente intermináveis, ela suspirou, frustrada. "Somos convidados neste país, OK? Não tomamos as decisões. As autoridades gregas tomam as decisões."

Freni explicou cuidadosamente o processo: quando os refugiados chegam às ilhas, eles precisam se registrar com o governo grego, geralmente com a polícia, e têm a opção de pedir asilo, e nesse ponto deveriam automaticamente receber uma data de entrevista. Depois da entrevista, se o pedido deles for aprovado, o processo segue adiante, e eles deixam a ilha. Se o pedido for negado, eles podem fazer uma apelação, e o processo pode continuar por mais alguns meses. Pelo menos era assim que deveria funcionar.

Ela parece surpresa quando mencionei o caso de Walid — que seu status como refugiado palestino significava que ele estava em detenção indefinida na ilha. Freni reiterou que ter acesso ao processo de asilo é um direito protegido pela lei internacional. "É um direito humano inegável; ninguém pode negar esse direito [de pedir asilo] às pessoas." Mas a realidade é mais complicada. Desde que o acordo entre UE e Turquia entrou em vigor, e talvez até antes disso, os oficiais nas ilhas têm ordenado que os sírios sejam processados primeiro, seguidos por algumas outras nacionalidades — o resto deles é mantido no escuro sobre seus pedidos e até deportados. Além disso, todo o processo de deter, registrar e processar os refugiados nos hotspots gregos é controverso e confuso, e pode facilmente levar a situações como a de Walid. Quer os longos confinamentos de palestinos sejam uma decisão deliberada por parte dos oficiais ou resultado acidental de incompetência burocrática, é difícil dizer. Provavelmente um pouco dos dois.

Apesar dos planos da UE para realocar até 160 mil refugiados da Grécia e Itália no curso de dois anos, ano passado apenas 8.162 fora assentados, 6.212 deles da Grécia. Em novembro, Perrin me disse: "Não há planos do governo para acomodar as pessoas ou aumentar a capacidade de recepção no continente para processá-los mais rapidamente". Nesse ritmo, vai levar cerca de uma década para que os refugiados restantes deixem a Grécia legalmente.

Desse ponto de vista, a falha por parte do governo grego para fornecer condições de vida aceitáveis para os refugiados começa a fazer um sentido estranho. Se a vida como refugiado na Grécia for muito difícil, talvez os refugiados com dinheiro paguem contrabandistas para sair, enquanto os que não tiverem condições voltam para casa. Mas talvez a responsabilidade real seja de um escalão mais alto, da própria UE.

"O que a União Europeia quer mostrar, para pessoas presas na Turquia, ou refugiados sírios, é que se você vier para a Grécia, sua situação será ruim", disse Perrin. "Para mim, há uma tentativa de desencorajar as pessoas de tentar conseguir ajuda na Europa."

Gerald Knaus, cuja think tank, European Stability Initiative, leva o crédito por criar o acordo entre UE e Turquia que mantinha Khrayba e Walid confinados em Samos, enquadrou o negócio como um último esforço de salvar os valores de uma UE cada vez mais no poder do nacionalismo de extrema-direita. A menos que as fronteiras sejam controladas, ele disse, com ninguém sendo mandado de volta sem ter a chance de pedir por proteção, a UE estaria a um passo do exemplo da Austrália, que detém todos os refugiados que chegam de barco em prisões abusivas em ilhas. Os vencedores seriam políticos de extrema-direita como o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, que explorou a crise dos refugiados para mostrar "como as democracias liberais estão desconectadas do público. Como direitos humanos universais são coisa do passado".

Centenas de refugiados vivem na Escola Acharnon, uma ocupação em Atenas dirigida pela Corrente de Esquerda Revolucionária da Síria.

A maioria dos refugiados que consegue sair das ilhas vai para Atenas. Desses, um bom número passa por Exáquia, onde ativistas de esquerda estabeleceram uma rede de ocupações para abrigá-los, fornecendo um padrão de vida e autonomia muito além do disponível nos acampamentos do governo. Depois de Samos, fui para Atenas ver essas ocupações pessoalmente, e para finalmente me encontrar com Khrayba.

No porto de Samos, policiais à paisana me pararam assim que saí do táxi. Eles não ligavam para minha passagem — só para o meu passaporte. Atrás de uma enorme cerca, me juntei a passageiros, policiais da tropa de choque e alguns refugiados de sorte com permissão para fazer a travessia. Lá fora, caras jovens se moviam como uma energia nervosa. Eles esperavam subir na balsa no momento em que os portões se abrissem. Enquanto a balsa chegava ao porto, vi que alguém tinha pichado "Refugiados, bem-vindos" em letras grandes nos muros. Desembarquei e fui direto para Exárquia.

Imagine um bairro comandado por anarquistas. Ele se irradia da Praça Exárquia, uma intersecção de três ruas, onde faixas estavam penduradas as árvores: "Até que cada jaula esteja vazia. Até que cada cela de prisão seja destruída". O K-VOX, um bar anarquista, fica numa esquina. O bairro conta com uma rede antiga e rica de ocupações, centros sociais esquerdistas, jardins comunitários e cozinhas solidárias — e o K-VOX é um desses pilares. Suas paredes expõem várias recordações da esquerda radical; vários cartazes em vermelho, amarelo e verde da bandeira curda, homenageando os jovens de esquerda que morreram lutando ao lado do YPG no norte da Síria.

Passando pelas barraquinhas de cigarros vendendo traduções em grego de Angela Davis, entrei em ruas cheias de grafites. Eles eram fractais em sua complexidade. Uma mulher de hijab e colete salva-vidas dominava um muro. Em outro, um porco policial levantava seu cassetete. Uma ocupação tinha colocado uma faixa mostrando solidariedade a uma greve numa prisão norte-americana. Slogans gritavam em sete línguas: "Feminismo ou nada", "Bem-vindos Refugiados", "Todos os Policiais São Bastardos", "Gregos e Estrangeiros — vivendo juntos e trabalhando para derrotar os nazistas", em inglês e árabe. À noite, o Exarchion Place fica lotado de refugiados, turistas anarquistas, e residentes antigos, de todas as cores e cantos do globo. Eles bebem, brincam com os cachorros de rua e, muitas vezes, entram em confronto com a polícia.

"Bem-vindo a Grécia da Crise, a Grécia da Pobreza e a Grécia da Solidariedade", diz uma manchete do Bidoun Watan ( Sem Nação), um jornal anarquista em árabe que peguei numa ocupação de refugiados. Isso resume bem a situação. A Grécia é um país desesperadamente empobrecido, assolado pelo desemprego, e os cidadãos gregos têm tratado os refugiados com uma bondade extraordinária.

Entre 1914 e 1923, pelo menos um milhão de cristãos ortodoxos gregos foram expulsos ou fugiram da Turquia, deixando para trás a carnificina de várias guerras, "marchas da morte" de reassentamentos forçados, e massacres nas mãos dos turcos — um processo que culminou com a expulsão de todos os cristãos ortodoxos restantes como parte de uma troca de populações em 1923. Hoje, os gregos comuns que abrigam e cuidam dos refugiados sempre mencionam esse passado. Um policial hospedando uma família síria em sua casa me disse: "Meus pais e avós eram refugiados [da Turquia]. Crescemos com histórias de crises de refugiados no nosso DNA, no nosso sangue".

Essa solidariedade atinge o pico na esquerda antiautoritária. A Grécia tem uma rica tradição de esquerda, desde os combatentes da resistência que enfrentaram a ocupação nazista até os incontáveis grupos esquerdistas e anarquistas com um papel significativo na política grega. Quando a economia grega desmoronou em 2010, muitas dessas organizações ajudaram a criar redes de clínicas médicas gratuitas, ocupações e cozinhas comunitárias para aliviar o sofrimento.

A Grécia é uma encruzilhada de imigração irregular há mais de uma década, especialmente com o influxo de refugiados das guerras do Afeganistão e Iraque no começo dos anos 2000. Algumas dessas pessoas ficaram na Grécia e criaram laços fortes com os grupos de esquerda e anarquistas que os apoiaram. Eles ajudaram a formar instituições como o centro social de Exárquia, o Steki Metanaston, que abriga festivais anuais contra o racismo, aulas grátis de grego e um bar lendário conhecido pela maioria das pessoas como Steki. Mas depois da crise financeira, os migrantes e refugiados se tornaram bodes expiatórios, atacados pelos neonazistas da Aurora Dourada. Durante sete meses em 2012 e 2013, a polícia grega prendeu 85 mil estrangeiros apenas em Atenas. Dois mil deles foram trancados em centros de detenção. Os ativistas gregos e refugiados enfrentaram os fascistas e o estado lado a lado.

Um hotel ocupado chamado City Plaza é um dos frutos dessa solidariedade antiga entre a esquerda grega e os migrantes. Nasim Lomani, 35 anos, é um dos organizadores. Originalmente um refugiado do Afeganistão, Lomani, que mora na Grécia há 15 anos, enfatizou que todas as opiniões eram realmente suas. O City Plaza é parte de um coletivo chamado Iniciativa de Solidariedade para Refugiados Políticos e Econômicos. A iniciativa tenta abordar, entre outras coisas, as necessidades urgentes de habitação para os refugiados fora de acampamentos isolados do continente, como o Softex, uma antiga fábrica esquálida de papel higiênico em Salonica, e Elliniko, nos arredores de Atenas, onde refugiados afegãos vivem em barracas em aeroportos e estádios abandonados.

"A política do governo grego é esconder as pessoas, torna-las invisíveis", me disse Lomani. Como alternativa, a iniciativa abriu 12 ocupações em Atenas no começo de 2016, abrigando 1.900 refugiados. Como os refugiados estão presos na Grécia, eles deveriam poder viver num lugar onde "têm a oportunidade de recomeçar suas vidas".

"Nossas discussões decidiram que a melhor opção era ter um lugar que fornecesse todas as necessidades que não eram atendidas nos acampamentos", disse Lomani. "Comida boa, água limpa, chuveiros, banheiros seguros. E claro, privacidade, segurança e dignidade."

"Não acreditamos que podemos resolver a situação abrigando refugiados em ocupações. Mas acreditamos que criando um bom exemplo, podemos dar a oportunidade para outras pessoas abordarem a situação. Dizemos que se conseguimos fazer isso, o governo também consegue."

O City Plaza fornece aos seus 400 moradores uma clínica médica, roupas, vacinas e aulas de grego e inglês. Voluntários gregos faziam a segurança na porta (outra ocupação, Notara, tinha sido atacada recentemente por fascistas), mas os refugiados fazem a maior parte do trabalho. No bar no segundo andar do City Plaza, sírios fazem café da maneira tradicional, fervendo os grãos numa pequena panela de cobre. É uma delícia e custa um euro a xícara. Outros moradores do City Plaza ocupavam os sofás, conferindo o Facebook. Crianças pequenas corriam e brincavam. À noite, alguns voluntários e refugiados bebem juntos no Steki Metanaston, ou se juntam aos protestos quase constantes em Atenas.

Visitei uma ocupação similar da Corrente Revolucionária de Esquerda da Síria, uma escola abandonada na Rua Acharnon. Fundada na Síria em outubro de 2011, durante o primeiro ano da guerra civil, a Corrente Revolucionária de Esquerda acredita numa revolta de base contra o capitalismo. Depois de uma breve tentativa de alguns membros de formar um braço armado ainda na Síria, na primavera de 2016, o grupo abriu quatro ocupações em Atenas com ajuda dos camaradas da esquerda grega, abrigando 2.400 refugiados.

Dois cartazes estão pendurados na antecâmara da Escola Acharno: "Nem Washington, Nem Moscou" e o punho levantado da Corrente Revolucionária de Esquerda. Caras jovens brincavam nos aros no parque da escola. Às vezes, os alto-falantes tocavam a diva libanesa Fairouz. Na pequena clínica local, duas enfermeiras sírias atendiam um garoto com o pé quebrado. A maioria das salas de aula foram transformadas em dormitórios, mas no primeiro andar, a escala das aulas de línguas estava pendurada entre uma sala de distribuição de roupas e uma classe com crianças aprendendo pintura. Como o City Plaza, o etos do lugar é anticaridade, em grande parte comandado pelos refugiados que moram aqui. Kareem Kabbani, um ativista de Damasco que ajuda na organização do Acharnon, me disse que queria que a escola provasse que "mesmo que essa seja uma situação difícil, [os refugiados] podem fazer algo".

A maioria dos residentes de Acharnon querem desesperadamente seguir em frente. A ocupação era o lugar para ficar até poderem fazer isso. A maioria aqui é síria, mas conheci um tatuador de Beirute e uma elegante garota tunisiana com um piercing no nariz, cujo marido sírio arranjou para que ela e o filho fossem contrabandeados para a Grécia enquanto ele esperava na Turquia, só para anunciar que estava terminando com ela no momento em que os dois ficaram presos numa ilha. Os sentimentos deles quanto às promessas dos burocratas da UE podiam ser resumidos pela tatuagem no pé de um dos moradores: "as palavras das pessoas são iguais ao meu chinelo velho".

"À noite, o Exarchion Place fica lotado de refugiados, turistas anarquistas e residentes antigos, de todas as cores e cantos do globo. Eles bebem, brincam com os cachorros de rua e, muitas vezes, entram em confronto com a polícia."

Os contrabandistas trabalham abertamente na Rua Acharnon, como fazem em muitos bairros de imigrantes em Atenas. É difícil achar um contrabandista decente, me disse Malik (que pediu que eu usasse um pseudônimo), um refugiado sírio de 20 anos de Deir ex-Zor, quando nos conhecemos no City Plaza. Você precisa de recomendações de amigos; ou pode acabar sendo roubado. Malik entrevistou 30 contrabandistas antes de decidir pagar cerca de US$3 mil por uma identidade falsa que permitisse embarcar num avião para a Alemanha. Primeiro ele depositou o dinheiro. Depois, o contrabandista deu a ele uma identidade e o levou para o aeroporto. Lá, as chances de realmente fazer a viagem se resumem à brancura de sua pele, roupas boas e sua confiança diante dos rituais extenuantes da viagem aérea moderna.

Isso ainda não tinha funcionado para Malik. Nos últimos três meses, ele ia até o aeroporto com a identidade em mãos. Todas as vezes, a polícia tinha confiscado seu documento e o impedido de embarcar. O contrabandista disse que continuaria dando documentos para Malik até que ele estivesse em segurança na Alemanha.

A Grande Crise de Refugiados de 2015 deu à luz a histórias concorrentes. Para racistas de extrema-direita, essa é uma "jihad imigrante", levada adiante por homens jovens que querem ganhar benefícios sociais, apalpar garotas europeias e impor a charia para Ocidente ingênuo e decadente. Os liberais contra-atacam com histórias tristes reais de refugiados sírios — famílias fugindo de tortura, bombardeios e o ISIS. Compaixão é o mínimo que eles merecem.

Mesmo que essa visão seja verdade, ela é seletiva, e impõe suas próprias crueldades. Isso divide pessoas em categorias: refugiados "bons" (geralmente sírios) e refugiados econômicos "ruins" (o resto). Seguindo essa lógica, refugiados têm o direito de apoio governamental nos países ricos do norte Europeu, enquanto migrantes econômicos são deixados em centros de detenção até serem deportados de volta para a Turquia. Essa distinção parece clara quando você está num escritório em Bruxelas, mas de perto, as coisas ficam mais nebulosas. O jovem afegão, que deixou seu vilarejo por um trabalho mais bem pago na construção civil no Irã, pode estar fugindo para a Europa para escapar do recrutamento forçado para lutar na Síria. O pai sírio tentando sobreviver com um salário de fome na segurança relativa da Turquia, pode pegar o barco para dar um futuro melhor para os filhos. Mas essas complexidades desaparecem quando você coloca as pessoas numa hierarquia que joga cidadãos de países diferentes uns contra os outros.

Khrayba, 20 anos, que me mandou uma foto sua quando estava no acampamento em Samos. Finalmente o encontrei em Atenas.

Em Atenas, finalmente encontrei Mouaz Khrayba pessoalmente. Ele parecia ainda mais jovem que na sua foto, brincalhão e descontraído, com uma energia sorridente e o cabelo levantado com gel. Uma ONG grega, a Praksis, encontrou um apartamento para ele. Sua esposa, uma garota tímida e bonita de 19 anos que falava um árabe elegante e formal, nos serviu café na sala com cortinas de renda e esculturas gregas, que pareciam muito distantes da imundice do acampamento em Samos. Ele acariciava com orgulho a barriga dela. Eles estavam esperando um filho: Laith.

Khrayba me mostrou a foto de um homem palestino, desmaiado no pavimento de Samos, em greve de fome há três dias. "Eu teria feito isso também", ele disse, "mas minha esposa não deixou".

Ele passou por mais fotos dos protestos. A forma deles era imediatamente reconhecível. Eram espelhos das primeiras manifestações da Guerra Civil Síria, mas menores, longe de casa. Os círculos de manifestantes. Um cara sentado nos ombros de outro, liderando os gritos.

Apesar de Khrayba querer continuar até a Alemanha, ele pediu e recebeu uma permissão de três anos de residência na Grécia. Sua ambição era estudar jornalismo e trabalhar como fotógrafo profissional. Apesar de sete meses no acampamento, ele é um dos sortudos. As taxas de aceitação de refugiados não-sírios são menores. "Não queríamos a Europa. Estávamos felizes em nosso país, mas as circunstâncias da guerra nos obrigaram a fugir", me disse Khrayba depois da posse de Trump. "Antes da eleição de Trump, a União Europeia fechou as portas na cara dos refugiados. [Mas] presidentes não representam países. Quem representa um país é seu povo."

Nos meses seguintes da minha visita a Khrayba, a Alemanha anunciou que ia parar de aceitar refugiados que tivessem chegado da Grécia, e a UE anunciou que pretendia acelerar o processo de deportações para a Turquia, uma tentativa de salvar o acordo, que o governo turco ameaçava dissolver. A Grécia anunciou suas intenções de remover o maior número possível de pessoas de seus acampamentos por toda a nação, e as colocar em instalações melhoradas, mas até a publicação desta matéria, milhares de refugiados ainda estavam confinados nos acampamentos nas ilhas. Brutalizados pelo inverno congelante e a espera indefinida, os refugiados novamente tentaram uma greve de fome em Samos.

Mas naquele momento, em Atenas, enquanto estávamos sentados no sofá, Khrayba me mostrou vídeos de sua vida antes da Grécia. Seu irmão, cobrindo o resultado de uma batalha. Seu irmão, sendo abaixado em seu túmulo. O barco balançando enquanto eles avistavam a costa grega. Os passageiros comemorando. O pôr do sol dourado no Mediterrâneo.

Tradução: Marina Schnoor

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