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Quantas ostras você tem que comer pra ficar com tesão? Investigamos

Parece que se como uma certa quantidade, fico muito, muito excitada.

por Laura Roscioli; Traduzido por Marina Schnoor
27 Junho 2019, 10:00am

Algumas semanas atrás, tive um encontro com um cara bonitão que não gostava de frutos do mar. Pedi uma dúzia de ostras e quando ele recusou educadamente, me senti com sorte, aí comecei a comer enquanto ele olhava, meio com nojo meio chocado, até eu finalmente reparar na expressão dele.

“Quê?”, perguntei, ainda mastigando.

“Você sabe que ostras dão tesão, né?”

Revirei os olhos e decidi que provavelmente não ia transar com ele, depois fiquei pensando se tinha algum mérito nessa história. Mais tarde naquela noite, depois que dispensei o date, fui pra casa e procurei no Google “ostras dão tesão?”, mas não encontrei nada conclusivo. Descobri que ostras têm muito zinco, o que ajuda na produção de testosterona e aumenta a libido para homens e mulheres, mas além disso, muita da literatura científica sobre o assunto parecia bem pouco científica.

Então, em nome da ciência verdadeira, decidi me colocar numa dieta de ostras por uma semana. O plano era comer um número cada vez maior de ostras todo dia na hora do almoço, aumentando exponencialmente meu consumo durante a semana. Fora isso, tentei viver normalmente enquanto fazia um diário da minha libido, esperando descobrir se há mesmo uma correlação entre ostras e tesão – e, se sim, quantas ostras eram necessárias pra me deixar subindo pelas paredes.

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Todas as fotos por Celeste De Clario

Segunda-feira: uma ostra

Comecei com uma ostra, que foi inadequada tanto para saciar minha fome quanto aumentar meu desejo sexual. Toda noite trabalho num bar cheio de gatinhos que cheiram a Tom Ford e usam sapatos caros, então fui trabalhar como sempre, mas não senti nada. Claro, flertei um pouco – como sempre acontece – mas acho que estava mais interessada nos sapatos que nos homens.

Um adendo, descobri que o primeiro registro de ostras e tesão vem do Imperador romano Aulo Vitélio, que supostamente consumiu umas 1.200 ostras num banquete no ano 69 d.C. Legal, mas foi o famoso garanhão Giacomo Casanova que realmente fortificou o mito das ostras. Segundo o diário dele, Casanova comia uma dúzia de ostras no café da manhã, especificamente por seu efeito como afrodisíaco. Ele até escreveu sobre usar ostras como um jogo de sedução:

“Coloquei a concha nos lábios dela, e depois de algumas risadas ela chupou a ostra, e a segurou entre os lábios. A recuperei instantaneamente colocando meus lábios nos dela...”

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Terça-feira: duas ostras

A terça-feira estava nublada e escura, e meu humor estava péssimo. Eu estava me sentindo mal-humorada e hormonal, então fui para um bar de vinhos comer ostras e beber. O cara atrás do balcão me deu o número dele, o que me pareceu ser contra as regras. Você pode fazer isso no seu local de trabalho? Em todo caso, me senti melhor quando fui embora, mesmo não sabendo exatamente o que melhorou meu humor: o álcool, o número do barman ou as duas ostras.

Naquela noite, fui ao aniversário de uma amiga e beijei um antigo caso. Ainda frequentamos os mesmos círculos, mas eu a estava evitando, então o encontro não foi planejado. Terminamos de um jeito bem desagradável e eu não tinha pensando mais nela de um jeito sexual desde então. Mas adivinha? Tivemos uma transa estilo “te odeio, mas você é gostosa e estou com tesão”. Por que fiz isso? Eu sabia que ia acabar em drama mas fiz mesmo assim. Posso culpar as ostras?

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Quarta-feira: quatro ostras

Comecei o dia conversando com Emily Currie, nutricionista-chefe da RDNS Clinic em Adelaide. Emily acha que a associação entre desejo e ostras depende muito do seu humor, e que efeitos farmacológicos são improváveis.

“A associação do alimento tem um grande impacto”, ela me disse. “O valor, gosto, textura, aparência e status da comida na sua cabeça afetam qualquer desejo em potencial que você sentir.”

Emily levantou alguns pontos excelentes... porque obviamente ostras parecem vaginas. Dobras macias de carne salgada ao redor de pérolas são uma comparação fácil – combinado com o fato de que ostras são caras. São todos benefícios que projeto nas ostras, o que talvez as tornem excitantes.

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“Saboreamos alimentos caros quando vemos valor e status neles”, explicou Emily. “E se saboreamos um alimento e tiramos um tempo, a experiência é aumentada e portanto mais prazerosa.”

Com isso em mente, fui para um bar de vinhos saborear minhas quatro ostras e beber champanhe. Admito que estava me sentindo muito bem. Não com tesão; só num clima que exigia champanhe e um bom livro. Mas aí esse cara em quem eu tinha um crush faz tempo passou por acaso. O convidei pra sentar e num golpe do destino, ele não tinha planos. Então enchemos a cara.

Naturalmente, acabamos nos pegando e eu estava com um baita tesão... mas não transamos. Eu queria, mas foi uma daquelas noites onde simplesmente não aconteceu. Saco!

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Quinta-feira: oito ostras

Fui para o Queen Vic Markets e comi uma bandeja de ostras sozinha. As ostras estavam deliciosas. Frescas e suculentas, mas honestamente, não ajudaram com a minha ressaca. Voltei pra casa e considerei brevemente sexo com uma cura/distração, mas não estava com muita vontade. Definitivamente esse foi o dia mais decepcionante.

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Sexta-feira: 16 ostras

O que notei até agora é que ostras funcionam diferente de acordo com seu humor. Nos dias otimistas, as ostras parecem dar à vida uma aura sutil de desejo, mas em dias de merda as ostras só me trazem prazer culinário, e não conseguem me fazer sentir sensual.

A sexta caiu na última categoria. Comecei num bar com uma dose de bebida e 16 ostras, aí olhei em volta e me vi cercada de homens. E todos homens que eu conhecia, mas não convidei nenhum deles. Eles simplesmente... apareceram. Mas só fiquei olhando pra eles, de volta para meu prato de conchas vazias, e não senti nada. Nenhum calor entre as pernas, nenhuma vontade de beijar o rosto de alguém, nenhum arrepio pelo corpo. E naquele momento decidi que os efeitos medicinais das ostras dependem de emoções preexistentes, e são bastante ineficazes por si só.

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Sábado: 32 ostras

Não tomei café da manhã, o que significa que a primeira coisa que comi nesse dia foi 32 ostras. Sim, isso mesmo. Trinta e duas. Comi as ostras num parque e honestamente, me senti meio enjoada. As ostras estavam agressivamente frescas; talvez frescas demais. Eu precisava de outra coisa para tirar o gosto de água do mar da boca, e realmente tive que me deitar depois de comê-las. Mas aí, enquanto eu tirava um cochilo, algo inesperado aconteceu: fiquei incrivelmente excitada.

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Tive vários sonhos eróticos infundidos com ostras. Eu estava rolando nua por um deserto, me pegando com alguém – não lembro quem – e a pessoa ficava me dizendo que eu tinha gosto de ostras. Aí acordei do cochilo pronta para me divertir.

Trabalhei outro turno no bar, onde consegui dois números de telefone, e aí finalmente transei com um cara em quem eu tinha um crush há semanas (o da quarta-feira). Uau. VALEU, FADA DAS OSTRAS! Quer dizer, esse cara estava na minha cabeça há tanto tempo, e deu tudo certo em apenas alguns dias – o que não pode ser coincidência, né. Foi o melhor sexo em meses e me senti exausta, satisfeita e livre.

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Domingo: muitas ostras, mas não 64 porque fiquei enjoada

De novo, acordei excitada. Na verdade, deitada na cama lembrando dessa semana, decidi que provavelmente estive mais excitada que o normal a semana inteira. Passei todos os dias pensando em ostras e em seu conteúdo nutricional, o que me fazia pensar no meu corpo, que por sua vez me fazia pensar em sexo – o que significou que pensei em sexo mais que o normal. No geral, acho que as ostras me deixaram mais direta em situações onde eu queria que o sexo acontecesse, o que levou a mais sexo.

Domingo, por exemplo. Comecei comendo uma montanha de ostras, mas fiquei enjoada e desisti. Eu estava com mais tesão que fome, então saí, bebi alguns drinques e acabei na casa do mesmo cara da noite anterior.

É difícil medir a média de sexo que faço numa semana porque não estou num relacionamento, então varia muito. Fiz sexo três vezes com duas pessoas diferentes durante a Semana das Ostras, o que não é nenhum recorde. Definitivamente transei com mais pessoas antes. Dito isso, o desafio não era ver quanto sexo eu fazia, mas quão excitada eu me sentia no geral – o que agora, pensando bem, é um experimento cruel de fazer consigo mesmo. E realmente funcionou. Fiquei com muito tesão na maioria dos dias.

Na real, acho que ostras podem ser um afrodisíaco sutil, desde que você coma muitas. Qualquer coisa abaixo de dez é perda de tempo. Qualquer coisa acima de 16 é ir na direção certa. Mas se você come 32 de bom humor, é melhor ter alguém pronto pra transar com você.

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Matéria originalmente publicada pela VICE Austrália.

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