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Nova operação na Cracolândia mostra destino incerto de usuários de crack

O prefeito João Doria diz que operações deverão continuar para extinguir o fluxo.

por Marie Declercq
12 Junho 2017, 6:46pm

Operação aconteceu na Praça Princesa Isabel e dispersou novamente usuários que ocupavam o local. Crédito: Rogério d' Santis/VICE

Operação aconteceu na Praça Princesa Isabel e dispersou novamente usuários que ocupavam o local. Crédito: Rogério de Santis/VICE

Após uma série de críticas sobre a operação realizada no dia 21 de maio no quarteirão da Alameda Dino Bueno, região da Luz, conhecida popularmente como "Cracolândia", o prefeito-gestor João Doria acelera para contornar o fiasco perante à região conhecida pela venda de crack e circulação massiva de usuários. Com a última operação, os moradores do fluxo se espalharam pelo centro e acabaram se concentrando a 400m do último local onde ocupavam na Praça Princesa Isabel, onde foi relatado tráfico livre de drogas e presença de mais de mil pessoas. No último domingo (11), a praça foi desocupada pela Polícia, que jogou fora as barracas de lona e prendeu dois suspeitos de tráfico de drogas. No entanto, os usuários retornaram à praça horas depois da operação e alguns se encaminharam para a Rua Helvetia, próxima ao local.

A operação começou na manhã de domingo e contou com a participação de agentes da Tropa de Choque, Força Tática e da Guarda Civil Metropolitana. O quarteirão ocupado pelos usuários foi bloqueado e alguns moradores da Praça atearam fogo nas barracas de lona em represália à operação. Nunca houve registros de conflitos e duas pessoas foram presas sob suspeita de tráfico com 774 g de droga e R$ 1,6 mil em dinheiro.

No final da operação, por volta das 7:30h da manhã, Doria e o governador Geraldo Alckmin foram até a área. Para os tucanos, operação da PM visa evitar montar barracas de lona no centro da cidade e vai incentivar usuários a recorrerem ao tratamento na falta de oportunidade de morar na rua, além de diminuir o fluxo. "O que não vamos permitir é instalação de equipamentos financiados pelo PCC. Acabou o shopping center ao ar livre. A Polícia Civil, Denarc, PM e GCM vão manter a ação de combate que já proporcionou redução no volume de vendas, que era de R$ 15 milhões por mês. Isso vai continuar," declarou o prefeito.

Doria também alegou que é impossível impedir a circulação de usuários pelo centro da cidade por ser um direito constitucional, mas quer evitar a formação de "novas" cracolândias. A tática do prefeito é cada vez mais fazer com que mais usuários procurem assistência para combater o vício. Após a grande operação no dia 21 de maio, o tucano foi duramente criticado por entidades pela truculência na abordagem e a falta de planejamento para atender os usuários da região. A secretária de Direitos Humanos chegou a se demitir do cargo após considerar a postura da prefeitura contra a região "desastrosa".

Desde a principal operação, Doria chegou a pedir à justiça o direito de internar compulsoriamente usuários e também chegou a demolir prédios históricos em regiões tombadas -- um deles com pessoas ainda dentro. Outrora o prefeito chegou a declarar que a Cracolândia "acabou", mas voltou atrás e relativizou o discurso para um projeto de longo prazo. Também afirmou que terá novas operações policiais para impedir a construção de barracas.

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