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Seria Temer o segundo presidente brasileiro a cair em um ano?

Janot apresentou ao STF denúncia contra o presidente que é acusado de corrupção passiva.

por Alexa Liautaud e Equipe VICE Brasil
27 Junho 2017, 3:34pm

Esta matéria foi originalmente publicada na VICE News .

O presidente Michel Temer (PMDB), que está cercado por uma nuvem de escandalosas acusações desde que assumiu em agosto de 2016, foi oficialmente denunciado por corrupção na última segunda-feira (26), tornando-se o primeiro presidente brasileiro no poder a receber uma acusação criminal.

O procurador-geral da República Rodrigo Janot apresentou uma denúncia acusando Temer de aceitar subornos. A acusação preparada por Janot se baseia nas investigações abertas a partir das delações de executivos da JBS no âmbito da Operação Lava Jato. A Câmara dos Deputados vai estudar o caso e decidir se vai ou não dar prosseguimento ao pedido de afastamento do presidente. Se sim, Temer será suspenso do gabinete enquanto estiver em julgamento.

As alegações de suborno e corrupção estão ligadas a um escândalo que veio à tona a partir da conversa vazada entre Temer e Joesley Batista endossando pagamento de propina da JBS a Eduardo Cunha. Temer negou as acusações, mas a JBS foi multada em R$3,2 bilhões por subornar cerca de 1.900 políticos.

Temer conseguiu resistir a várias denúncias anteriores de corrupção, e no começo de junho, o então presidente e sua antecessora, a ex-presidente Dilma Rousseff, foram inocentados de acusações de financiamento ilegal de campanha por 4 votos a 3 no STF.

Temer nega as acusações e diz que não vai deixar o cargo, ainda que haja um crescente movimento nas ruas pedindo sua renúncia. Temer, por sua vez, pode ser o segundo presidente brasileiro impichado em menos de um ano.

Tradução do inglês por Marina Schnoor.

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Em pronunciamento feito na tarde de terça-feira (27), o presidente Michel Temer disse que a "denúncia [feita por Janot] é uma ficção".

"Não permitirei que me acusem de crimes que não cometi", afirmou o presidente ao dizer que "reinventaram o Código Penal" e ao aceitar uma "denúncia por ilação."

Temer dedicou parte de seu discurso a atacar Janot e o ex-vice-procurador Marcelo Miller, acusando o último de enriquecimento ilícito. Ao encerrar seu pronunciamento, o presidente, ao dizer que é uma honra ocupar o cargo, se saiu com a frase: "Não sei como Deus me colocou aqui".

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