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A família do Luiz Gonzaga vai meter processinho no funk putaria de "Asa Branca"

O paulista MC Yuri, de 19 anos, lançou “Festa junina da putaria” pelo canal Detona Funk e deixou os Gonzagas em polvorosa.

por Amanda Cavalcanti e Débora Lopes
08 Junho 2017, 8:51pm

Um pouco mais de 500 fãs curtem a página oficial de MC Yuri, o funkeiro paulista que transformou o baião "Asa Branca", de Luiz Gonzaga, no funk "Festa junina da putaria". A música, que foi publicada em formato de lyric video pelo Detona Funk no YouTube nos últimos dias, logo foi deletada — mas continua sendo postada por outros usuários. A família do cantor pernambucano, morto em 1989, não curtiu a brinks e diz que vai recorrer à Justiça.

"Quando olhei a terra ardendo igual fogueira de São João / Eu perguntei a Deus do céu, ai / Por que tamanha judiação", traz a inocente letra do clássico composto por Gonzagão e Humberto Teixeira em 1947. Já a adaptação de MC Yuri aborda explicitamente um dos assuntos preferidos dos jovens ouvintes e fazedores de funk: sexo. "Tu vai sentar, tu vai quicar / Por cima do meu peru / Vem, novinha / Não perde a linha / MC Yuri manda pra tu".

O Noisey entrou em contato diversas vezes com a Tropa Eventos, produtora que agencia MC Yuri, mas até a publicação desta matéria não obteve respostas. Apesar de ter sido deletada do YouTube, a versão do funkeiro ainda está no ar no site oficial da produtora.

A representante de Rosinha Gonzaga, filha do compositor, garante que os advogados da família e da Editora Moleque, detentora dos direitos autorais de "Asa Branca", estão estudando caminhos para mover um processo contra o funkeiro. Rosa Miranda descobriu a versão pelas dezenas de ligações de fãs "revoltados" que a editora recebeu entre ontem à noite e hoje (8). "O Nordeste inteiro cuida do Gonzagão", afirma.

O assunto não é novidade para a família. Em um vídeo do YouTube, Rosinha Gonzaga participa da campanha "Vozes em defesa do direito autoral", da Ecad, e defende que o pagamento dos direitos autorais das obras do músico é o maior reconhecimento à importância do trabalho do pai, apontando a inadimplência dos músicos nordestinos quanto a essa obrigação.

Rosa Miranda, que classifica a letra do funk como "lixo", garante que tanto a família de Gonzaga quanto a do parceiro Humberto Teixeira sentiram-se ofendidos pelo funk. Apesar de dizer não ter entrado em contato com MC Yuri, afirma que o jovem "é um sujeito inconsequente, [que] não tem respeito por si próprio nem com uma música que é considerada o segundo hino do Brasil."