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Drogas

Que drogas fazem seu pau encolher e por quê

Explicamos por que algumas substâncias têm interferência direta na anatomia masculina.

por David Hillier; ilustrado por Joe Bish; Traduzido por Marina Schnoor
25 Outubro 2017, 10:00am

Ilustração por Joe Bish

Matéria originalmente publicada na VICE US .

Levante a mão quem já viu seu pau encolher fisicamente depois de usar drogas? Não só ficar pequeno tipo piscina gelada, mas preocupantemente pequeno, a ponto de virar um amontoado de pele preso no meio das pernas; um serviço para o dedão e o indicador, o tipo de coisa que você não ia querer comentar com ninguém — muito menos com o Reddit inteiro quando estivesse procurando se tranquilizar na internet?

Não? Então você vai estar familiarizado com outro efeito comum das drogas na anatomia masculina: o pau mole que não responde. É um efeito chato, porque várias drogas fazem você querer transar, mas te deixam incapacitado pra isso. Mas quais as piores substâncias nesse sentido e por quê?

"Pensando em psicologia erétil, você precisa de fluxo sanguíneo, então qualquer coisa que restrinja o fluxo do sangue é ruim", diz John P. Mulhall, diretor do Programa de Medicina Sexual Masculina e Reprodutiva do Memorial Sloan Kettering Center em Nova York, nos EUA. "Tipo a adrenalina, que é um restritor forte do fluxo sanguíneo, então qualquer coisa que funciona de modo similar à adrenalina — ecstasy, por exemplo — pode ser extremamente ruim para sua função erétil."

Mulhall e eu passamos 20 minutos discutindo a ciência da turgescência. A citação favorita dele é: "Você é tão bom quanto sua última ereção". Estou tentando descobrir que drogas são as piores para o pau, e ele afirma que há pouquíssima pesquisa nessa área. "Trabalhamos aqui com princípios básicos, depois com evidências fornecidas pelos pacientes", ele diz, mas acrescenta: "Mas realmente acredito que existem efeitos negativos sérios em drogas como o ecstasy e a metanfetamina. Acho que podemos ligar as duas drogas à disfunção erétil".

O ecstasy tipicamente representa o paradoxo que mencionei antes. Com toda a serotonina — o "químico da felicidade" que o ecstasy libera — despejada no seu cérebro, você vira um amontoado de amor e luxúria por todos os habitantes da Terra. "Todos os estimulantes têm um efeito global nas áreas do cérebro para aumentar o funcionamento, então também aumentam a libido", diz Tim Williams, diretor clínico do Bristol Specialist Drugs and Alcohol Service.

Mas Mulhall explica que o ecstasy que te transforma nesse abraçador cheio de tesão é exatamente o que te impede de ir além. A droga funciona como um vasoconstritor, contraindo os vasos sanguíneos, entre outras áreas, do seu pênis. Por isso ele pode se retrair ou se tornar quase que inteiramente inútil. Você também pode não conseguir mijar depois de tomar ecstasy. Isso não tem nada a ver com o pênis ou os vasos sanguíneos, mas com o ecstasy liberando o hormônio vasopressina, que controla a retenção de líquido dos rins.

Sendo um estimulante potente, a cocaína também vai fazer você querer transar e te impedir de fazer isso exatamente pelas mesmas razões dos vasoconstrictores. Mas existem teorias bastante assustadoras de que usar cocaína por muito tempo pode desligar para sempre seus motores.

"A cocaína é uma droga poderosa para o cérebro", diz Mulhal. "Ela faz os vasos sanguíneos se contraírem, e, portanto, você tem uma falta de oxigênio em algumas regiões do cérebro. Há evidências em pessoas que morreram e que tinham um hábito de longo prazo do uso de cocaína de que pequenas partes do cérebro já estavam mortas, então claro que isso afeta muitas regiões. Se um pedaço do seu sistema de libido morre, com certeza você vai ter problemas.

"Acho que quando você fala com as pessoas sobre cocaína, elas geralmente vão dizer que o sexo é melhor", diz Mulhall, o que parece entrar na linha de um estudo de 2002 que descobriu que 40 a 50% dos participantes experimentavam um aumento no desejo, fantasias, prazer, desempenho, obsessão e comportamento sexual incomum e de risco usando cocaína. "Mas é realmente uma questão de percepção. Não acho que você tem nada a ganhar — do ponto de vista da ereção — com nenhum desses agentes [drogas] a curto ou longo prazo."

Mas e quanto à temível brochada no meio do sexo? Aquele momento onde você conseguiu ficar de pau duro, mas ele deserta na hora em que você mudar de posição ou se distrai pensando em outra coisa?

"De novo, essa é a adrenalina", diz Mulhall. "Já vi esse problema em pessoas com DDA. Elas se distraem facilmente e perdem o foco. É a mesma coisa com o orgasmo. Um orgasmo ocorre quando você está numa certa zona, e se você não está nessa zona, é um problema. Pessoas com disfunção erétil às vezes se tornam espectadoras de sua ereção. Elas começam a pensar 'Será que estou indo bem?' E isso acaba tirando elas da zona."

Tanto Mulhall quanto Williams concordam com os efeitos devastadores que o álcool pode ter no seu pau — "Há muito mais dados sobre o efeito do álcool na função erétil", diz Mulhall — e quando você considera que uma pesquisa sobre uso de drogas global sugeriu que 80% dos usuários de cocaína bebem quando usam a droga, você não pode desconsiderar essa evidência.

"O álcool é um lubrificante social, então ele aumenta o nível de relaxamento, mas cada pessoa tem sua dose limiar, além da qual o álcool vai reprimir a ação central do cérebro", diz Mulhall. "O álcool é um depressor central, então vai ter um efeito negativo em certa dose no centro do cérebro que desencadeia a ereção. Essa é a faísca que coloca as coisas para funcionar. Você precisa disso."

Claro, as pessoas tentam transar usando outras drogas que não ecstasy e cocaína. E a ketamina, por exemplo? Em doses pequenas, segundo Williams, ela pode melhorar as funções do cérebro, basicamente "aumentando o desejo". Mais que isso, no entanto, e a natureza dissociativa da droga significa que colocar os bichinhos para brigar é a última coisa passando pela cabeça da pessoa.

Quanto à maconha, ainda há poucos dados disponíveis, mas um estudo piloto recente sugere que a ilegalidade da erva talvez contribua para a facilitação do sexo. "Nunca vi nenhuma pesquisa dizendo que a cannabis reduz o desejo ou a função erétil", diz Williams. "No entanto, há uma síndrome pouco motivacional predominante no caso de uso pesado de cannabis. A pessoa não se sente motivada para ir à escola, sair de casa, ir trabalhar ou fazer exercício. E eu acho que isso não ajuda na hora do sexo."

Mas uma questão permanece: tem alguma coisa que podemos fazer para evitar essas coisas, além de recorrer ao Viagra, que — quando combinado a outras drogas — começa um cabo de guerra com o sistema cardiovascular?

"O melhor conselho se você quer realmente ter uma ereção?", pergunta Mulhall. "Não use drogas."

Ah, tá.

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