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Entretenimento

'Deadpool 2' é o 'Vídeo Show' dos filmes de super-herói

Esse filme é o funeral da metalinguagem.

por Pedro Falcão
17 Maio 2018, 10:00am

Aviso: contém spoilers bem leves da história do filme, nada que você já não tenha sacado nos trailers.

Deadpool 2 era uma continuação inevitável. Quando anunciaram a existência desse filme, dava pra esperar que o que deu certo no primeiro só poderia ser expandido no segundo. Por conta da sua eminente estreia nos cinemas nesta quinta (17), venho aqui com segurança dizer que a ideia do filme é essa mesma: mais membros decepados, mais câmera lenta, mais quebra de quarta parede e mais metalinguagem.

E mais metalinguagem significa mais tiração de sarro com personagens de outros filmes e franquias de super-herói de roupa coladinha. Em Deadpool 2 vão tão longe com a metalinguagem que na maioria das vezes é usada para criticar a falta de sentido do próprio filme e tapar uns minutos em que teria nada pra acontecer na tela. É legal na primeira hora, mas depois dá uma certa canseira e o filme rapidamente se torna um funeral triste da metalinguagem.

Estranhamente, todas essas considerações também podem ser feitas pelo clássico programa de bastidores da Rede Globo, o irrefreável Vídeo Show, no ar há generosos 35 anos. O show é quase uma realidade paralela dos outros programas da Globo, um universo que liga todos os universos, um lugar onde o clima é mais casual e tá valendo tirar uma com a cara do coleguinha.

Assim como é Deadpool 2.

Sejamos sinceros, não tem muito por quê assistir a Deadpool 2 se não for por essas piadinhas de metalinguagem e pra mostrar os bastidores fictícios dos filmes de herói. E o mesmo acontece com o Vídeo Show, que a galera só assiste porque faz desde referências a momentos clássicos de programas antigos, evocando uma certa nostalgia (algo que, olha só, rola em Deadpool 2), até atores conversando fora dos seus personagens (opa, tem no filme também).

Se você ainda não está convencido de que o novo filme do Deadpool é realmente o Vídeo Show das películas de super-herói, deixe lhe apresentar alguns bons argumentos.

Otaviano Costa é Wade Wilson/Deadpool

Ryan Reynolds chorou, esperneou, fez uns filmes bem bosta, e depois de anos conseguiu um espaço entre os gigantes do cinema de herói. Sua trajetória até cair nos braços de Deadpool foi cheia de trabalhos horríveis com que ele teve que se envolver, tudo em nome do seu grande sonho. No fim tudo deu certo e hoje Ryan Reynolds é praticamente sinônimo de Deadpool.

A mesma tortuosa jornada foi percorrida por Otaviano Costa até o apresentador do Vídeo Show finalmente conseguir por os pés no Projac. O cara passou por SBT, CNT, Band e Record até ser aceito na grande empresa familiar fundada por Roberto Marinho. Ele também foi responsável por apresentar umas paradas duvidosas em nome de mais tempo de exposição na TV aberta, mas o importante é que ele chegou lá!

Ele chegou lá e foi direto pro Vídeo Show, onde reside há cinco anos. Fico feliz que ele tenha alcançado o seu sonho.

Sophia Abrahão é Vanessa

Tudo que acontece em Deadpool 2 é por conta da Vanessa, interpretada pela brasileira Morena Baccarin. Se não tivesse Vanessa, não tinha história. Ela sempre aparece nas viradas cruciais do roteiro e é a razão de viver do apaixonado Wade Wilson. É raro quando uma personagem que antes não tinha tanto destaque se torna a peça central do filme.

O mesmo curioso fenômeno rola com Sophia Abrahão e o Vídeo Show. Desde sua entrada no programa no começo do ano passado, tudo gira em torno da apresentadora. Além do obrigatório post de look do dia de Sophia em várias redes sociais da Globo, o programa começa e termina com a figura da poderosa Abrahão.

Se eu dar mais detalhes, corro o risco de soltar spoilers pesados, mas pode acreditar que Deadpool 2 também começa e termina em Vanessa.

Miguel Falabella é Cable

Miguel Falabella deve fazer parte do cenário fixo do Projac de tanto que esse homem já bateu ponto nos estúdios de Curicica. Ele é ator, diretor, roteirista e, se pega-lo num bom dia, aposto que até dirige os carrinhos elétricos que os funcionários da Globo usam pra circular entre os prédios.

Nos filmes de super-herói da Marvel e Fox, Josh Brolin cumpre esse mesmo papel de pau pra toda obra. Enquanto ele faz o malvadão sociopata Thanos n’Os Vingadores, em Deadpool 2 ele ocupa a cota de homens com uma excelente pelagem grisalha em cena — assim como Falabella quando faz umas participações esporádicas no Vídeo Show. Cable, personagem de Brolin, é um cara que voltou no tempo sem muita explicação e, se ele não estivesse ali, o filme seria ainda mais vazio do que ele é. Assim como essas participações do Falabella, certamente essa ideia de escalar o Cable pra história veio dos engravatados do andar de cima. Foi uma boa decisão.

Marcela Monteiro é Dominó

No filme, Dominó é uma personagem de sorte, mas muita sorte mesmo. A sorte dela é tão grande que funciona como um excelente tapa-buracos de roteiro. E é basicamente só isso que ela faz durante Deadpool 2 inteiro. Ela é uma personagem tão unidimensional que acaba até sendo um pouco misteriosa: de onde ela veio? O que exatamente ela faz? Como ela aprendeu a ser guerreira desse jeito?

A repórter Marcela Monteiro, a quase uma década no Vídeo Show, traz as mesmíssimas qualidades da personagem do filme. Entre seus colegas mais famosos, ela é uma figura misteriosa, mas sabemos que ela faz várias viagens pelo Brasil e matérias com um monte de artista bacana. Que garota de sorte. E assim como Dominó, ela invoca os mesmos questionamentos sobre a sua existência nessa obra audiovisual.

Vivian Amorim e Fernanda Keulla são Colossus e Míssil Adolescente Megassônico

Enquanto o resto da galera tá se divertindo nesse vidão que é o Vídeo Show, são essas duas figuraças que seguram essa barra que é trazer qualquer coisa de interessante pro programa nos últimos meses. Da mesma forma, são os coadjuvantes Colossus e Míssil Adolescente Megassônico que fazem o trabalho pesado no filme, enquanto Deadpool, Dominó e Cable falham miseravelmente pra parar uma mísera criança mutante fugitiva com um poder bem mais ou menos. Se não fossem por todos esses maravilhosos coadjuvantes, tudo isso já faria muito menos sentido do que faz.

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